Retomando os trabalhos

Olá amigos!

Estou retomando agora as atividades desse blog, depois de um longo período de inércia, em que estive envolvido com a finalização da minha dissertação de mestrado e do projeto Linha do Tucum, no Juruá.

Agora, morando no Matutu desde abril, sinto-me impelido novamente a retomar as atividades nesse espaço virtual. O que trago para esse mês é uma republicação dos textos clássicos, introduzindo o leitor ao Bhagavad Gita e ao Yoga Sutra de Patanjali. Achei importante porque algumas pessoas que foram introduzidas na prática de Yoga comigo recentemente, precisarão desse material para começarem a se situar melhor no universo da Yoga.

A Nova publicação que trago é sobre dicas de alimentação e hábitos diários, importantes para quem vai começar uma prática mais sistemática. Para o mês de agosto, mês de Krishna, trarei para vocês arquivos de áudio especiais, com gravações feitas no templo de Goura Nitai em Teresópolis, no ano passado, durante o dia de Janmastami, ou advento do Senhor Krishna. Trarei também a programação do curso vivencial de Yoga que estamos preparando para ser realizado aqui no Matutu no mês de setembro. Fiquem ligados!

Abraço afetuoso a todos!

Namastê!

Alimentação e Hábitos Diários




" Ó Arjuna! A prática de ioga é impossível para qualquer pessoa que coma em demasia ou coma muito pouco, durma em demasia ou não durma o suficiente/ Para quem se alimenta, repousa e esforça-se de modo regulado, e que mantém horários regulados em medidas apropriadas, a prática de ioga torna-se gradualmente a fonte que dissipa todo sofrimento mundano." (Sri Gita, 6.17)


A instrução acima resume tudo o que é preciso dizer com relação aos hábitos diários do praticante. O progresso na prática de Yoga depende do ritmo das atividades diárias. O praticante deve procurar manter uma vida regulada, com horários bem definidos. Assim como o sono e a alimentação, a prática diária deve ser realizada em uma medida apropriada de modo que possibilite o progresso do praticante, porém sem sobrecarregar o seu organismo e sem comprometer os outros deveres diários.

Dicas para a prática diária

Sem ritmo, é muito difícil obter um progresso na prática de Yoga. O ideal é que a prática aconteça todos os dias, no mesmo local e horário. Ao esforço contínuo e regular dá-se o nome de Sadhana. O Sadhana é aquilo que cumprimos religiosamente todos os dias, como escovar o dente e lavar o rosto. Todo mundo possui esse Sadhana: acordar, lavar o rosto e escovar o dente. A prática de Yoga deve fazer parte do nosso Sadhana. Sem Sadhana não há Yoga.

Sem dúvida, o momento mais favorável do dia para a prática de Yoga é pela manhã, antes do desjejum. Trinta minutos de prática diária é um tempo razoável para quem tem um dia-a-dia movimentado. Por mais que a pessoa tenha muitos afazeres, nada impede que ela acorde trinta ou quarenta minutos mais cedo para dedicar-se à sua prática diária.

Para um bom Sadhana o praticante pode seguir o seguinte roteiro:

- acorda, se lava, troca a roupa, vestindo-se confortavelmente, arruma a cama e prepara o ambiente para a prática. É importante que o ambiente seja limpo, arejado e iluminado. Um ambiente apropriado é fundamental. O praticante deve eleger um canto da casa que seja limpo e organizado diariamente para a realização da prática. Um bom incenso e uma boa música podem ajudar a tornar o ambiente mais agradável para a prática. O praticante pode também estabelecer um altar na sua casa. Pode ser um cantinho, que seja limpo, onde coloca-se a foto do mestre espiritual ou de qualquer elemento que remeta o praticante à noção de sagrado, em frente do qual ele possa oferecer um incenso, fazer uma meditação ou ler um texto sagrado.

- tendo preparado o ambiente, o praticante pode esticar o seu tapete (é bom que a prática não seja realizada em contato direto com o chão) e dar início à sua prática que pode variar entre 30 minutos e uma hora. Dentro desse tempo o praticante pode incluir um trabalho de pranayama, uma pequena meditação, uma breve leitura de um texto sagrado, uma prática equilibrada de asanas e um pequeno relaxamento. À medida que o ritmo é empregado, é surpreendente como esse momentinho sagrado da prática torna-se uma fonte de saúde, equilíbrio e bem-estar no dia-a-dia do praticante.


Dicas de alimentação para o aproveitamento da prática diária

Sem dúvida, como dito acima, o progresso na prática de Yoga depende da qualidade da alimentação e do sono do praticante. O que se relaciona com horários regulados e medidas apropriadas.

Dessa forma, as três grandes dicas de alimentação são: estabelecer horários regulados para as refeições diárias, ter moderação na quantidade ingerida, não ficando nem além, nem aquém do necessário para a manutenção do corpo; e se atentar para a qualidade do alimento ingerido.

Dentre os alimentos considerados inapropriados para o praticante de Yoga o principal é a carne. Primeiramente porque fere o primeiro princípio do código de ética da Yoga que é Ahimsa, ou não violência. Alimentar-se do sangue e do sofrimento de outros animais leva a pessoa a um estado mental completamente incompatível com a prática de Yoga. Em segundo lugar, o consumo regular de carne, principalmente as carnes vermelhas, prejudica o bom funcionamento dos intestinos e ocasiona a deposição de diversas toxinas no organismo que, além dos distúrbios fisiológicos, causam o bloqueio de diversos canais energéticos, tornando a pessoa preguiçosa e enfadada para a prática de Yoga.

Recomenda-se uma dieta balanceada, livre de carnes, com reduzido consumo de açúcar, doces e refrigerantes e que combine, de forma comedida, a ingestão de frutas, legumes e leguminosas, cereais, verduras e laticínios. Optando-se sempre por alimentos frescos e orgânicos.

O consumo de bebidas alcoólicas, drogas farmacêuticas (salvo sob orientação médica), cigarro e entorpecentes também são considerados inadequados para o praticante de Yoga.

É importante deixar claro, contudo, que cabe ao praticante experimentar e observar os impactos dos diversos hábitos diários na sua prática de Yoga. As dicas brevemente apresentadas aqui têm o objetivo de oferecer alguma orientação ao praticante, porém é extremamente individual a forma como se dará o ajuste da conduta visando ao melhor aproveitamento da prática. O mais importante é estar perseverante na prática, procurando sempre aplicar a consciência em todos os atos praticados, inclusive naqueles que podem ser considerados desfavoráveis à prática de Yoga.


Bhagavad Gita





O Bhagavad Gita foi escrito perto de 3.000 (a.c). Nasceu da conversa sagrada entre Sri Krishna e o guerreiro Arjuna no campo de batalha de Kuruksetra (região do centro-norte da Ìndia). Gita significa canção e Bhagavad refere-se à forma original e pessoal de Deus. Bhagavad Gita dessa forma traduz-se por “Canção do Senhor”. É talvez a escritura mais antiga e a mais lida em toda a história da humanidade. Os ensinamentos nele contidos, se estudados sob o abrigo de um mestre espiritual genuíno, são capazes de orientar o praticante de Yoga em seu processo de auto realização e satisfação interior.


Conforme apresentação de Sua Divina graça Srila Shridhar Dev-Goswami Maharaj em seu texto de apresentação do Gita: “O Sri Gita é ativação para o preguiçoso, coragem para o covarde, esperança para o desesperado e vida nova para quem está morrendo. O Sri Gita unifica e sustenta todas as posições, seja do revolucionário, do ocultista, do otimista, do renunciante, do liberacionista ou do teísta pleno. As concepções essenciais de todos os tipos de filósofos são abordadas dentro de uma lógica clara e vigorosa – seja a do ateu dotado da mais grosseira visão, seja a do santo mais elevado. O trabalhador fruitivo, o erudito, o praticante de ioga e o devoto do Senhor, todos encontrarão aqui uma apresentação compreensível e iluminante da substância de suas respectivas filosofias, e é por isso que o livro é muito apreciado por todos.”

O contexto histórico em que se dá o diálogo entre Krishna e Arjuna no campo de batalha é retratado no Mahabharata, texto épico indiano que narra a luta dos 5 filhos do rei Pandu (entre eles Arjuna), conhecidos como os Pândavas, contra as atrocidades de Duryodhana, seu perverso primo, que, tomado por um ciúme incontrolável, almejara durante toda a sua vida tomar o reino de Pandu e colocar os Pândavas em completa ruína.

Todas as injustiças e humilhações impostas aos Pândavas pelos Kauravas (Duryodhana e seus irmãos), resultam em uma grande guerra mundial que envolve praticamente todas as forças bélicas existentes no planeta na época (cerca de 3.000 a.c).

Antes do início da grande batalha, no campo de Kurukshetra, onde reuniam-se para a guerra 64 milhões de pessoas, o célebre guerreiro Arjuna, líder de um dos exércitos, pede a Sri Krsna, para manobrar sua quadriga de forma que ele pudesse observar o exército oponente: “ Nesse momento, ó rei, Dhananjaya (Arjuna), montado em sua carruagem decorada com a bandeira de Hanuman, estava pronto para disparar suas armas. Ao ver Duryodhana e sua companhia posicionados para o combate, Arjuna tomou o seu arco e dirigiu-se a Krsna: ó Krsna! Por favor, situe a quadriga entre os exércitos, para que eu possa observar os guerreiros contra os quais deverei combater nesta batalha e que vieram lutar para a satisfação do perverso Duryodhana. (Sri Gita 1.20,21)
Quando se depara, no campo inimigo, com diversos parentes, amigos, mestres e bem-querentes, o invencível guerreiro cai prostrado no meio do campo de batalha, completamente tomado pela dúvida e por um profundo sentimento de lamentação. Queixa-se então a Krishna, enfatizando o despropósito daquela guerra, declarando por fim: “Govinda eu não lutarei” (Sri Gita 2.9). “Arjuna disse: ó Krsna! Vendo meus parentes diante de mim ansiosos pela guerra, esvai-se a força dos meus membros do meu corpo e sinto minha boca ressecar/ Meu corpo inteiro treme e arrepia-se. Não tenho mais firmeza para segurar meu arco Gandiva e mina pele queima./ Ó Kesava! Não posso me conter por mais tempo. Minha mente está desorientada, e vejo apenas sinais hostis carregados de mau agouro/ Sequer vejo algum bem em matar meus próprios parentes na batalha. Ò Krsna! Não desejo vitória,reino ou felicidade/ Ó Govinda! Qual o valor do nosso reino? Qual o propósito da felicidade e do desfrute, se aqueles para quem desejaríamos tudo isso – mestres, patriarcas, filhos, avós, tios maternos, sogros, netos, cunhados, e outros parentes – vieram hoje para a guerra, decididos a sacrificar suas próprias vidas e posses? Portanto, ó Madhusudana, não desejo matá-los mesmo que queiram tirar-me a vida.” (Sri Gita, 1.28-34)

De forma surpreendente, Krishna, seu quadrigário, amigo e conselheiro, o aconselha a abandonar a covardia e se levantar para a batalha: Ó filho de Kunti! Abandone essa covardia, pois ela é indigna de você. Ó grande herói, livre-se dessa fraqueza de coração e levante-se para a luta! (Sri Gita, 2.6). Dessa forma Krishna inicia sua ampla e elaborada resposta a Arjuna, revelando-se ao longo do diálogo como o Supremo Senhor, Mestre Espiritual de todo o universo.

No início de sua resposta, Krishna começa enfatizando a natureza da alma e mostrando o caráter transitório do mundo material e o caráter permanente do mundo espiritual, conforme se segue: O Senhor disse: Ó Arjuna, usando palavras sábias, você se lamenta pelo que não é digno de pesar. Pois aquele que é sábio não se lamenta pelos vivos, nem pelos mortos/ Nunca houve um tempo em que inexistíssemos, Eu, você, ou todos esses reis. Assim como existimos no presente, também já existimos no passado, e continuaremos a existir no futuro/ Tal como o ser vivo corporificado passa gradualmente neste corpo da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo, a alma obtém ainda outro corpo ao advir a morte. Os sábios não se confundem com tal transformação/ Ó filho de Kunti! Somente a ocupação dos sentidos com seus objetos ocasiona as sensações de frio, calor, prazer e dor. Porém, esses efeitos são temporários – aparecem e desaparecem. Portanto, ó Bharata, você deverá tolerá-los.

Dessa forma, ao longo de sua exposição, Krishna sintetiza de forma brilhante toda a herança legada pela cultura védica ao longo de eras ancestrais, e estabelece, de forma definitiva, os princípios filosóficos de todas as formas de Yoga existentes.

Um dos pontos culminantes da narração acontece no capítulo 11 denominado Visva-rupa-darsana: A Visão da Forma Universal, quando Arjuna declarando a dissolução completa de sua ignorância em relação à natureza suprema de Krishna, manifesta o desejo ainda de ver, de fato, a Sua forma onipotente. “Ó senhor de todos os poderes místicos! Imploro que, por favor, exiba sua forma onipotente e imperecível, se Você entender que sou capaz de contemplá-la”. Krishna exibe então Sua forma universal para o atônito Arjuna que “com seu corpo tremendo em êxtase” dá início à impressionante descrição que se segue: “Arjuna disse: Ó Senhor dotado de uma forma magnífica! Em seu corpo, sou capaz de ver os semideuses, todas as espécies de vida, os sábios e as serpentes transcendentais, e ainda Mahadeva e o Senhor Brahma sentado sobre a flor de lótus. Ó Senhor do Universo! Ó forma universal! Em todas as direções vejo Seu corpo ilimitado de muitos braços, barrigas, olhos e faces – entretanto, não posso vislumbrar Seu começo, meio ou fim. Resplandecendo por todas parte com coroas, maças de combate, e armas em forma de disco, vejo sua imagem todo-iluminada e refulgente, irradiando como o sol e o fogo flamejante e, portanto, muito difícil de contemplar além de toda a imaginação. Você é a personificação da Verdade Absoluta Suprema, cognoscível por meio dos Vedas; Você é o reservatório exclusivo deste universo e o preservador imperecível da eterna religião mencionada nos Vedas. Você é certamente a eterna Personalidade Suprema, e essa é minha firme convicção. Sem começo, meio ou fim, ilimitadamente poderoso e possuidor de inúmeras armas, com olhos como o sol e a lua e a compleição como a do fogo incandescente, vejo Você cauterizando o universo com Sua intensa radiação. Nada além de você preenche todas as direções e todos os espaços entre o céu e a terra. Ó forma universal! Ao ver este seu perfil estarrecedor e aterrador, todos os residentes dos três mundos estão amedrontados. Todos os semideuses estão entrando em Você, alguns com temor, oferecendo-Lhe orações com as mãos em prece. Os grandes sábios e seres perfeitos estão lhe oferecendo orações selectas, repletas de adoração e dizendo: ‘Que toda auspiciosidade recaia sobre o universo’. Os semideuses conhecidos como Rudra, Aditya, Vasu, Sadhya, Visvadeva, os Gêmeos Asvini-Kumara, as deidades dos ancestrais, as raças Gandharva, Yaksa, Asura e Siddha contemplam Você; na verdade todos observam Você maravilhados. Você é a origem eterna de todos os semideuses e o único refúgio do universo. Você é o único conhecedor e cognoscível e a corporificação da transcendência. Ó ilimitado! Este universo é penetrado por Você.” (Sri Gita, 11.15-22,38)

Após isso, o inigualável quadrigário de Arjuna ainda dá importantes instruções sobre o conhecimento espiritual e revela o mais oculto de todos os tesouros que é o próprio afeto e estima que Ele tem por Arjuna. “Ouça mais uma vez o Meu ensinamento supremo e o mais oculto de todos os tesouros. Você Me é muito querido, e é realmente por isso que Eu revelo este Meu supremo ensinamento para seu verdadeiro benefício. Krishna deixa claro então que o verdadeiro conhecimento espiritual só pode ser obtido por meio do afeto e da devoção que a alma cultiva em relação a Deus e ao mestre espiritual, que é a única forma de despertar a boa vontade do Absoluto em favor de suas partículas infinitesimais .

No final do texto Krishna ainda instrui Arjuna a abandonar todas as formas de religião e se entregar tão somente a Ele: “abandonando todos os tipos de religião, entregue-se apenas a Mim. Eu o libertarei de todos os tipos de pecado. Portanto não se desespere”. (Sri Gita, 18.66).

Por fim o grande guerreiro Arjuna se apruma, recobrando suas forças e declara: “Ó infalível! Por Sua graça, minha ilusão foi dissipada. Posso agora recobrar minha identidade, todas as minhas dúvidas se foram e permaneço rendido a Você. Agora seguirei Sua ordem (Sri Gita, 18.73). Arjuna se levanta então para a batalha - que dura dezoito dias - na qual praticamente toda a força bélica existente no planeta é aniquilada. Os Pândavas, a quem Krishna se dispôs a proteger pessoalmente, foram um dos poucos sobreviventes dessa assombrosa guerra.

O sábio Sanjay, narrador do Gita, declara no último verso do texto: Onde quer que se encontrem o Senhor Supremo de todos os poderes místicos, o próprio Senhor Sri Krishna, e o arqueiro conquistador de opulências, o próprio Arjuna, ali mesmo prevalecerá a deusa da boa fortuna, a deusa da vitória e a virtude suprema. Decerto esta é minha firme conclusão. (Sri Gita, 18.78)



O Gita então é matéria indispensável de estudo para todo praticante de Yoga e para todo aquele que se dedica ao auto-conhecimento e à auto-realização.

Textos Clássicos

Yoga Sutra de Patanjali

O Yoga Sutra foi escrito por volta do ano 360 d.c pelo sábio Patanjali que codificou
o sistema védico de Yoga, reunindo-o em uma escritura bastante técnica. Alguns estudiosos consideram o Yoga Sutra como um verdadeiro tratado de psicologia. A obra constitui-se de 195 versos organizados em quatro capítulos: Samadhipada, que trata da definição de Yoga e dos estados mentais característicos em Yoga e em não-Yoga; Sadhanapada, que trata da prática de Yoga, Vibhutipada que trata dos benefícios e dos riscos advindos da prática de Yoga e Kaivalyapada, que trata do processo de emancipação final alcançado através da Yoga.

Na primeira parte, o Yoga Sutra começa definindo Yoga: Yoga é a habilidade de voltar a mente exclusivamente em direção a um objeto e sustentar essa direção sem quaisquer distrações (Yoga Sutra 1.3). Dessa forma, enquanto a mente se mantém nesse estado de Yoga, a pessoa tem condição de ter uma percepção direta e verdadeira do objeto de sua meditação. Fora do estado de Yoga a habilidade de compreender o objeto é simplesmente substituída pela concepção mental desse objeto ou por uma total falta de compreensão. (Yoga Sutra 1.4)

Os cinco vrttis, ou atividades mentais que devem ser controladas para que o praticante se mantenha em Yoga são: compreensão correta, compreensão errônea, imaginação, sono profundo e memória. (Yoga Sutra 1.6). De acordo com o comentário dado pelo professor Desikachar , o predomínio e os efeitos de cada uma delas sobre o nosso comportamento e atitudes combinam-se para formar nossa personalidade.

O estado de Yoga, de acordo com o Yoga Sutra, só pode ser conseguido por meio da prática constante e do desapego. Essa prática deve ser seguida por um longo tempo, sem interrupções e com as qualidades de uma atitude positiva e entusiasmo, para que se obtenha o sucesso desejado (Yoga Sutra 1.12-14). Além disso, o Yoga Sutra destaca que o estado de Yoga também pode ser alcançado oferecendo orações regularmente a Deus com um sentimento de submissão ao seu poder (1.23). Deus é definido na escritura como o Ser Supremo cujas ações nunca se baseiam em compreensão errônea, que conhece tudo que há para ser conhecido, que é eterno, o professor definitivo, sendo a fonte de orientação para todos os professores (Yoga Sutra 1.24-27).

Dessa forma, com fé, prática constante, desapego e orações a Deus, a pessoa pode evitar os Klesas, ou obstáculos que surgem naturalmente ao longo da prática de Yoga. São eles: doença, estagnação mental, dúvida, falta de prudência, fadiga, excesso de complacência, ilusões sobre o seu próprio estado mental, falta de perseverança e retrocesso. Todos esses obstáculos acabam por causar alguns dos seguintes sintomas: desconforto mental, pensamento negativo, incapacidade de sentir-se confortável em diferentes posturas do corpo e dificuldade de controlar a própria respiração (Yoga Sutra, 1.30,31).

Na segunda parte da obra, o Yoga Sutra apresenta o Ashtanga Yoga, ou os oito componentes que perpassam o desenvolvimento da prática de Yoga (2.29):

1. Yama – atitudes para com o meio ambiente
2. Nyama – atitudes para conosco
3. Asanas – prática dos exercícios físicos
4. Pranayama – prática de exercícios respiratórios
5. Pratyahara – prática do controle dos sentidos: “Quando o praticante de ioga não está mais viciado nos desfrutáveis objetos dos sentidos do som, textura, forma sabor e odor; quando não está mais apegado a nenhuma ação buscando desfrutá-las, e tendo atingido a mais completa renúncia de todos os planos de tal ação, apenas então poderá ser aclamado como sendo aquele que verdadeiramente atingiu a ioga”. (Sri Gita, 6.4)
6. Dharana – prática da concentração mental: “Pela mente controlada por Dharana, deve-se completamente estabelecer a mente na alma. Então, pela prática gradual, removendo a mente dos objetos externos, deve-se atuar no transe do Samadhi e não pensar, nem por um segundo, em nada além da alma.” (Sri Gita, 6.27)
7. Dhyana – prática de meditação: “Ó heróico Arjuna! Sem dúvida a mente é intável e extremamente difícil de controlar. Entretanto, ó filho de Kunti, a mesma é subjugada pela prática contínua da meditação iogue na Superalma, como ensinada pelo mestre espiritual fidedigno, e pelo abandono do desfrute mundano dos sentido.” (Sri Gita, 6.37)
8. Samadhi – cultivo do estado de Yoga de completa união com a natureza do Ser Individual (atma) e o Ser Supremo (paramatma): “O estado de perfeito Samadhi, ou transe, é aquele em que a mente disciplinada do iogue obtém o desapego – até mesmo do mais leve pensamento de conotação mundana. O iogue permanece satisfeito apenas no Senhor. Tendo vivenciado a Superalma diretamente por meio de seu coração purificado, experimenta aquela felicidade eterna, perceptível pela divina inteligência da alma e destituída do contato com os sentidos e com os objetos dos sentidos – e nunca se desvia da natureza intrínseca da alma. (Sri Gita, 6.20-22)

Os Yamas e os Nyamas são considerados a base que sustenta a prática de Yoga. O Yoga Sutra estabelece cinco Yamas e cinco Nyamas, a saber:

Os cinco Yamas:
1. Ahimsa: não violência, consideração por todos os seres vivos, especialmente os que são inocentes, os que estão em dificuldade ou em situação pior do que a nossa .
2. Satya: veracidade, honestidade, boa conduta.
3. Asteya: ausência de cobiça por algo que não lhe pertence.
4. Brahmacharya: castidade ou auto-controle.
5. Aparigraha: ausência de apego por posses e prestígio.

Os cinco Nyamas:

1. Saucha: limpeza, pureza, asseio.
2. Santosha: contentamento.
3. Tapas: austeridade, prática constante.
4. Svadhyaya: prática constante de auto investigação e estudo de textos sagrados.
5. Ísvara-pranidhana: prestar reverências ao Supremo Senhor.

A prática atenciosa dos três últimos Nyamas constitui-se no processo conhecido como Kriya Yoga, e por si só leva o praticante a observar os demais Yamas e Nyamas e atingir os mais elevados estágios da prática de Yoga.
Segue um vídeo Produzido pelo meu amigo Mário da Multiversidade. Não está com o áudio muito bom mas tem uma sequência de asanas legal.

O que é Yoga?

A palavra “Yoga” significa literalmente “união”. A raiz “yug” nos remete a idéia de junção, ligação, conexão. É toda atividade que busca o reencontro, a re-ligação com a identidade verdadeira do ser individual.
Yoga parte da premissa de que a verdadeira identidade do ser individual situa no plano da alma que, de acordo com autoridades no assunto, é constitucionalmente espiritual, sendo por isso eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança: “Saiba que a alma que penetra o corpo inteiro é imperecível. Ela é imutável, perpétua, e ninguém pode destruí-la (Sri Gita 2.17).
Dessa forma, a prática de yoga visa limpar o espelho da alma, eliminando toda ignorância que faz com que a pessoa se identifique com aquilo que é presa do sofrimento e da morte. “Todas as misérias desaparecem quando se alcança o contentamento do coração. A inteligência de tal pessoa logo absorve-se inteiramente em sua meta desejada. Portanto, somente por meio de bhakti (devoção) tranqüiliza-se o coração (Sri Gita 2.65)”.
A idéia de Bhakti, ou devoção, aparece em Yoga à partir do amadurecimento desse processo de auto conhecimento, em que naturalmente começa a ser revelado no coração do praticante a sua relação eterna com o Absoluto. “A alma impecável e pura de coração, que está satisfeita no eu e atingiu sua natureza divina consciente, não se lamenta nem anseia por algo. Vendo a todos os seres igualmente, gradualmente atinge devoção suprema por Mim (Sri Gita 18.54).
A troca amorosa e recíproca com o Senhor Supremo, presente no âmago de tudo o que vive, traz para a alma todo o tipo de prazer extático que erroneamente é buscado nas coisas passageiras do mundo. “Eu reciproco à medida que a pessoa se refugia em Mim. Sendo a meta final de todas as filosofias e doutrinas, Eu sou o objetivo a ser alcançado por todos (Sri Gita, 4.11).
A partir do momento em que iniciamos nossa jornada rumo ao centro absoluto, percebemos, aos poucos, os doces vestígios de uma bela realidade transcendental a este plano da mortalidade. Experienciar doçuras vindas de províncias superiores é fundamental para que o praticante fortaleça sua fé e se sinta impelido a continuar sua trajetória.

ASANAS


Os asanas (pronuncia-se ássanas), são a parte mais conhecida da Yoga no ocidente. São as famosas posturas psicofísicas, aliadas importantes daquele que deseja progredir no caminho do auto-conhecimento.

No nível físico, os asanas promovem a saúde de todos os sistemas orgânicos, aumentando a imunidade, a capacidade digestiva e respiratória. Regulam as funções hormonais, restabelecem e protegem o sistema nervoso, fortalecem os ossos, dão firmeza e resistência aos músculos, promovem a saúde das articulações aumentando a flexibilidade do corpo, e favorecem a eliminação de toxinas pelo sistema excretor, trazendo para o corpo vitalidade e beleza.

No nível energético, os asanas promovem a livre circulação do prana por todo o corpo, ativando os chacras, desobstruindo os canais de energia e estimulando os vayus. Permitindo com que o praticante leve a consciência para cada parte do corpo.

No nível psíquico, os asanas trazem clareza e vigor mental, eliminando as distrações e o conseqüente desperdício de energia. Além disso, proporcionam conforto e bem-estar eliminando estados mentais como desânimo, depressão, desamparo, desespero, fadiga crônica, síndrome do pânico, melancolia, raiva, mágoa, ressentimento e rancor.

Entretanto, os asanas são apenas uma das ferramentas que a Yoga oferece no caminho de auto-conhecimento e auto-realização. Seria ingênuo afirmar que somente com a prática de asanas é possível remover todos os obstáculos que se colocam no caminho do praticante. O que eles oferecem é uma resistência física maior, e uma mente mais focada e estável para que a pessoa siga com mais conforto e determinação na sua busca por livrar-se das amarras mundanas e retornar à Deus, o Absoluto, a Suprema Realidade Original.

Como dito anteriormente, a prática de asanas deve ser feita com muita atenção, observando as mudanças na respiração e mantendo uma mente atenta. Lembramos que o prana é o veículo da consciência, e dessa forma, onde há consciência há energia. Portanto quando levamos a nossa atenção a uma parte qualquer do corpo, o prana flui naturalmente para ali. Maior benefício trará a prática de asanas se em cada postura o praticante estiver consciente do seu corpo como um todo. Essa atitude fará também com que o praticante respeite os seus limites evitando lesões e desgastes desnecessários enquanto pratica os assanas.

Podemos dividir os asanas em oito categorias diferentes:
1- posturas em pé: fortalecem e alongam as pernas, equilibram, centralizam e fortalecem o tronco. Ex: tadasana, chandrasana, virabhadrasana.

2- posturas de equilíbrio: fortalecem as pernas, centralizam o corpo, proporcionam equilíbrio e firmeza para o corpo e para a mente. Ex: vrksana, natarajasana.
3- posturas de equilíbrio dos braços: fortalecem os braços e o peito, proporcionam equilíbrio e firmeza, desenvolvem determinação e perseverança. Ex: kakasana.
4- posturas de abertura de quadril: alongam as pernas, melhoram a circulação sanguínea na região do quadril, regulam distúrbios menstruais e sexuais, preparam a gestante para um parto melhor. Ex: baddha konasana, upavista konasana.
5- posturas extensão: melhoram a atividade respiratória, ativam os chacras, previnem cardiopatias, aumentam a flexibilidade da coluna, trazem vitalidade para o corpo ativando o prana vayu. Ex: ustrsana, dhanurasana, purvotanasana, chacrasana.
6- posturas de flexão para frente: regulam e revitalizam o sistema digestivo, aumentam a flexibilidade da coluna, eliminam tensões e dores nas costas, promovem a circulação de energia na região do quadril, alongam a parte posterior das pernas, prevenindo varizes. Espantam estados de fadiga crônica, depressão e desânimo. Ativam o apana vayu. Ex: paschimotanasana, uttanasana, vraja yogasana, janu sirsasana.
7- posturas de torção: atuam na desintoxicação do organismo e são extremamente importantes para a saúde das vértebras. Ex: matsyendrasana, mricyasana.
8- posturas de inversão: ajudam no retorno venoso, melhorando a circulação do sangue e a atividade respiratória, previnem varizes, regulam a atividade hormonal, principalmente da glândula tireóide. Favorecem a memória e o bom funcionamento do cérebro. Ex: salamba sarvangasana, sirsasana.

Recomenda-se que o praticante equilibre sua prática buscando incluir posturas de diferentes categorias.

SEQUÊNCIA BÁSICA PARA A PRÁTICA DIÁRIA:

1 – Abertura da prática: inicie com uma pequena meditação. Coluna ereta, cabeça alinhada, ossos das nádegas no chão, atenção no momento presente, ouça os sons à sua volta. Pratique a respiração completa com ujjayi pranayama e depois nadi sodhana. Entoe o mantra “Om” por três vezes;

2 – Tadasana (postura da montanha): de pé, corpo equilibrado, pés juntos, peso distribuído igualmente nos dois pés, coluna ereta, peito projetado pra frente, energia ascendente da base da coluna até o topo da cabeça, respiração completa, corpo imóvel como uma montanha. Permanência de 2 a 3 minutos.

3 - Padasana (postura da oração): a partir da postura da montanha, posicione as mãos unidas na altura do peito, mantendo a estabilidade e o equilíbrio da postura. Inspirando pode-se elevar as mãos acima da cabeça permanecendo nas pontas dos pés, fixando a atenção em um ponto. Expirando vai desenhando um círculo bem aberto em torno de si mentalizando um círculo de luz à sua volta.

4 – Movimento do elefante: mantenha as pernas um pouco separadas e, abrindo os braços, gire o tronco para direita e para esquerda deixando que o peso dos braços realize a torção na coluna. Cada expiração torça o corpo para um lado.

5 – Chandrasana (postura da lua): com as pernas um pouco abertas, inspire erguendo o braço direito até acima da cabeça. Expirando deixe o braço direito cair para o lado esquerdo, inclinando também o tronco e o pescoço. Sinta o alongamento lateral do corpo mantendo uma respiração calma e constante. Mantenha-se por 30 segundos a um minuto. Inspirando retorne a posição inicial e repita a postura para o lado oposto.

6 - Virabhadrasana II (postura do guerreiro II): separando bem as pernas e os braços, expanda o tórax. Respire profundamente. Gire o pé direito 90 graus para a direita, o pé esquerdo um pouquinho. Estique bem os braços, expire e vá dobrando a perna direita o máximo que puder até a coxa permanecer quase paralela ao chão. Não deixe que o joelho direito se projete à frente do tornozelo. Mantenha o tronco firme e estável na posição ereta, sem inclinar. Respire normalmente e mantenha uma atitude de determinação. Inspire e estique o joelho até as duas pernas estarem novamente esticadas. Repita o movimento para o lado oposto.

7 – Vrksasana (postura da árvore): retorne à postura da montanha e, mantendo a atenção focada em um ponto fixo, levante a perna esquerda, concentrando o peso do corpo na perna direita. Apóie o pé esquerdo na coxa direita, inspire e levante os braços acima da cabeça, mantendo as mãos unidas, sem criar tensão nos ombros. Permaneça por cerca de um minuto e retorne à postura da montanha. Equilibre a respiração e repita a postura sobre a perna esquerda.

8 – Uttanasana (postura intensa): a partir da postura da montanha, expire e deixe o corpo cair para frente descontraindo os ombros e as costas e alongando a parte posterior das pernas. Apóie os pés de forma uniforme no chão e mantenha as pernas esticadas na posição vertical. Permaneça de três a cinco minutos na posição, deixando os braços e o pescoço bem descontraídos.


9 – Dandasana (postura da bengala): a partir de uttanasana, flexione as pernas e repouse a base da coluna no chão. Estique as pernas para frente, mantendo os pés apontando para cima. Coloque as mãos ao lado do quadril e, com os braços esticados ao longo do tronco, mantenha a coluna estável, em um ângulo próximo a 90° em relação às pernas, peito e ombros abertos.

10 - Janu Sirsasana (postura da cabeça no joelho): em dandasana, flexione a perna esquerda colocando a sola do pé junto à parte interior da coxa, próximo ao períneo. Expirando incline o tronco para frente na direção da perna esticada. Os braços esticam-se para frente de forma que as mãos toquem, ou se aproximem do pé direito. A coluna se flexiona naturalmente. Mantenha os ombros e pescoço bem descontraídos. Permaneça respirando calmamente por cerca de um minuto. Inspire, erga o tronco na posição ereta, estique a perna esquerda, realize a postura da bengala e em seguida repita a postura com a outra perna dobrada.

11 - Baddha Konasana (postura do ângulo enlaçado) em dandasana traga os pés juntos até o períneo, deixando os joelhos caírem para os lados. Inspire, erga a cabeça para cima e projete o peito para frente. Expire e flexione a coluna para frente, soltando o peso do corpo sobre as virilhas. Aproxime o máximo a cabeça dos pés e as coxas do chão. Inspirando erga o tronco novamente e abrace as pernas, juntando os dois joelhos.

12 - Utkasana (postura de cócoras): apóie as mãos no chão e retire o quadril do chão, mantendo, se possível os pés completamente apoiados no chão. Se não puder pode ficar na ponta dos pés. Permaneça de um a três minutos na postura de cócoras, favorecendo o bom funcionamento dos intestinos.

13 - Kakasana (postura do corvo): apóie os joelhos nos cotovelos e concentre o peso do corpo nos braços, mantendo-se na ponta dos pés. Com o tempo pode-se arriscar a tirar os pés do chão apoiando-se apenas nos braços. Permaneça na postura o tempo que conseguir, mantendo a respiração estável.

14 - Paschimottanasana (postura do intenso estiramento do oriente): a partir da postura da bengala, inicline o tronco para frente com uma expiração, aproximando as mãos dos pés. Mantenha a respiração normal enquanto permanece na postura realizando uma flexão total da coluna para frente. Inspirando retorne à postura da bengala. Permaneça de uma a três minutos na postura.

15 - Purvotanasana (intenso estiramento do leste): a partir da postura da bengala, leva-se as mãos (encostando no chão) para trás do corpo. Inspirando erga o corpo todo do chão, procurando manter toda planta dos pés no chão. Umbigo pro céu, cabeça levemente inclinada para trás. Procure abrir bem o peito e os ombros e fortaleça os músculos do abdômen. Permaneça entre 30 segundos a um minuto na postura.

16 - Torção Simples: mantenha a postura da bengala. Erga os dois braços acima da cabeça expirando gire a coluna para a direita e leve o braço direito para trás do corpo e o braço esquerdo ao lado da coxa direita. Mantendo as mãos no chão realize uma torção maior na coluna a cada expiração. Permaneça um minuto e com uma inspiração retorne à postura da bengala. Execute o exercício para o lado oposto.
* Pode-se variar, dobrando o joelho direito, usando o braço esquerdo para intensificar a torção.

17 – Maricyasana (postura do sábio Maricy): em dandasana, flexione e eleve o joelho direito, mantendo a sola do pé no chão e a perna esquerda esticada com os dedos do pé apontando para cima. Passe o braço esquerdo por fora do joelho direito. Com uma expiração pressione o braço contra o joelho direito realizando uma torção na coluna. Leve junto o pescoço no movimento. Importante manter a coluna bem colocada e o mais ereta possível para que o trabalho de torção não prejudique as vértebras. Permaneça respirando calmamente por cerca de 30 segundos. Com uma inspiração retorne o tronco ao centro, volte à postura da bengala e realize o movimento para o lado oposto.

18 - Navasana (postura do barco): a partir de dandasana, flexione os dois joelhos mantendo as solas dos pés no chão. Inspirando incline o tronco para trás e, soltando o ar, retire os pés do chão procurando manter as pernas esticadas numa inclinação próxima a 45°. Se não conseguir isso, pode inclinar mais o tronco e aproximar os pés do chão. Estique os braços apontando-os firmemente na direção dos pés. Faça um esforço para manter a coluna o mais ereta possível. Sinta o trabalho na região abdominal. Permaneça de 30 segundos a 1 minuto na postura, dando ênfase à expiração. Inspirando retorne à postura da bengala.

19 – Salabhasana (postura do gafanhoto): em dandasana, coloque os cotovelos no chão e calmamente coloque o seu corpo deitado no chão, virando depois com a barriga para baixo. Mantenha o queixo no chão, os braços esticados para baixo e as mãos abertas pressionando o chão. Expire e erga as duas pernas do chão, o máximo que puder. Inspirando erga a cabeça, o peito, e os braços, mantendo apenas a região abdominal no chão. Os braços permanecem firmes apontando para trás. Sinta a contração e o fortalecimento dos músculos das costas. Permaneça o tempo que puder e depois expire retornando ao chão. Vire a cabeça de lado e relaxe um pouco o corpo.


Salabhasana

20 – Dhanurasana (postura do arco): ainda de bruços, flexione os joelhos e segure os pés ou a canela com as mãos. Expire e levante as pernas com os braços na direção do teto. Inspirando, puxe com as pernas os braços para trás retirando o tronco do chão. Erga a cabeça e sinta a intensa extensão na coluna. Permaneça na postura o tempo que puder com uma respiração mais curta. Se quiser pode realizar um movimento de balanço, para frente e para trás. Expire, soltando os braços das pernas e retorne ao chão. Vire a cabeça de lado e relaxe um pouco o corpo.

21 – Ustrasana (postura do camelo): estando de bruços, coloque suas mãos na altura do peito e erga o corpo na postura da mesa com as mãos e os joelhos apoiando no chão. Levante o tronco e fique de joelhos. Com as mãos na cintura, inspire e incline o tronco e a cabeça para trás, realizando uma extensão na coluna. Se não sentir a coluna lombar, apóie primeiramente uma mão no calcanhar e depois a outra. Com uma inspiração projete o peito para cima e para frente abrindo completamente os ombros e a caixa toráxica. Mantenha uma respiração curta, por 30 segundos a 1 minuto. Coloque uma mão na cintura, depois a outra e expirando sente sobre o calcanhar preparando para realizar a postura da reverência.
* Essa postura deve sempre ser compensada com a postura da reverência.

22 - Vraja Yogasana (postura da reverência): sentando-se sobre o calcanhar continue expirando enquanto flexiona o tronco a frente até sua cabeça encostar ou se aproximar do chão. Estique os braços para frente e preste uma reverência aos mestres da Yoga, ao espaço da prática, ao que há de mais sagrado dentro de você. Relaxe bem o pescoço e permaneça de 1 a 2 minutos na postura contrapondo o esforço realizado na região lombar pela postura anterior.

23 - Adho Muka Svanasana (postura do cachorro olhando para baixo): a partir da postura da reverência, erga o quadril, esticando as pernas. Mantenha as mão sobem abertas apoiando no chão e distancie mais um pouco os braços das pernas. Mantenha os pés um pouco separados e, expirando, contraia o abdômen e empurre o chão para frente com as mãos, buscando manter a coluna ereta e projetando o cóccix para trás e para cima tal qual um cachorro quando espreguiça. Mantenha os pés paralelos, apontando para frente, e as pernas bem esticadas realizando um alongamento na região posterior. Se não conseguir manter os calcanhares no chão, faça com que eles busquem o chão. Respire normalmente e permaneça na postura por pelo menos dois minutos. Expire e retorne com os joelhos no chão, na postura da mesa.


Adho Muka Svanasana

24 - Balancinho: a partir da postura da mesa, sente-se sobre os calcanhares e depois estique as pernas para frente na postura da bengala. Com a ajuda dos cotovelos, deite-se de costas para o chão e flexione os joelhos fazendo as coxas se encontrarem com o abdômen. Abraçando os joelhos balance o corpo para frente e para trás, realizando um massageamento dos músculos ao longo de toda a coluna. Balance, em seguida, de um lado para o outro, massageando os músculos laterais das costas e os rins. Inspire, estique as pernas e permaneça na postura deitada.

25 - Torção deitada: com a barriga para cima, flexione o joelho direito, aproximando a coxa do abdômen e mantendo o pé direito junto da coxa esquerda. Estique o braço direito para o lado direito e, expirando, empurre o joelho direito para a esquerda o máximo possível realizando a torção na coluna. Procure manter os dois ombros no chão. Inspire, traga o joelho de volta, repouse a perna no chão e realize o movimento para o lado oposto.

26 - Salamba Sarvangasana (postura da vela): com o corpo deitado, inspire e erga as pernas noventa graus do chão, mantendo todo o longo da coluna no solo e aponte os pés para cima. Levante também os braços apontando-os para cima. Permaneça alguns segundos, respirando normalmente. Em seguida, apoiando as palmas das mãos no chão, e inspirando, erga o tronco chão, com um leve balanço das pernas para trás. Dobre os cotovelos e apóie o tronco com as mãos. Vá erguendo o corpo o máximo possível, aproximando o peito do queixo. Mantenha o pescoço bem alinhado e não olhe para o lado enquanto realiza a postura. Fique cerca de cinco minutos na posição (exceto em período de menstruação). Em seguida deixe as pernas caírem para trás da cabeça, mantendo o pescoço alinhado durante todo o exercício. Expirando vai desfazendo a postura, encaixando vértebra por vértebra no chão.
* A postura da vela não é muito recomendada para mulheres em período de menstruação.

27 - Matsyanasana (postura do peixe): após a postura da vela, praticar essa postura para compensar o trabalho realizado na região do pescoço. Deitando com a barriga para cima apóie os cotovelos no chão e levante cabeça. Inspire abrindo o peito e colocando o topo da cabeça no chão. Respire normalmente e fique cerca de 30 segundos na posição. Para retornar apóie bem os cotovelos no chão e levante a cabeça, colocando, por fim, o corpo na postura deitada.

28 - Savasana (postura do cadáver): com o corpo deitado, separe um pouco as pernas e deixe os pés caírem para os lados. Aponte as palmas das mãos para cima numa atitude receptiva. Relaxe todo o corpo. Passeie com a atenção dos pés à cabeça e elimine toda as tensões musculares. Entregue-se à mãe terra, mantenha uma respiração suave e abdominal e a mente focada no momento presente. Permaneça de cinco a dez minutos na posição. Depois levante-se calmamente, espreguiçando e colocando-se na postura sentada, com a coluna ereta para fechar a prática.

Encerramento da prática: sente-se confortavelmente com a coluna ereta. Agradeça à presença toda-luminosa em seu coração e faça uma oração de fé em prol da saúde a da cura das pessoas à sua volta e do planeta. Entoe o mantra “Om” três vezes. Pratique novamente o Vraja Yogasana prestando reverência aos mestres da Yoga. Encerre a prática com alegria e disposição.

Namastê!

As diferentes escolas de Yoga

As diferentes escolas de Yoga que se apresentam atualmente no ocidente sofrem influência de duas tradições filosóficas distintas, que compõem uma parte do que viemos a conhecer hoje como hinduísmo: a tradição Smarta e a tradição Vaishnava.
O maior expoente da tradição Smarta é o mestre Shankara, que viveu no século VIII, e através dos seus comentários dos Upanisads, Vedanta Sutra e Bhagavad Gita, difundiu e sistematizou a filosofia advaita, ou não-dualismo.

A tradição Smarta acredita que a meta última da entidade viva é alcançar Moksha, ou a liberação dos ciclos dos nascimentos e mortes (Samsara) através da observação do Dharma, ou dever natural da entidade viva. Uma vez estabelecida firmemente no Dharma, e suplantando os desejos por Kama (satisfação material) e Artha (desenvolvimento econômico), a entidade viva cria condições para atingir a liberação. Uma vez liberta, a entidade viva não precisa mais assumir nenhuma forma e se funde no Brahman, ou o Todo Universal, perdendo a sua individualidade.


De acordo com essa tradição, tudo o que existe está contido dentro de Brahman, não existindo uma realidade espiritual separada do universo. Os diferentes deuses são apenas representações simbólicas de aspectos específicos do Brahman, que em última análise é desprovido de forma, nome e características. A devoção (Bhakti) e a fé são apenas estágios pelo qual o praticante passa para atingir o conhecimento (Jnana), que lhe permite distinguir o que é real do que é ilusório, levando-o à Moksha.

De forma distinta, a tradição Vaishnava considera que o conhecimento, assim como o poder são inferiores à fé e à devoção. De acordo com o que afirma o mestre Vaishnava Srila Bhakti Raksak Shridhar Dev-Goswami Maharaj: “Quando o coração desperta, a função do cérebro se aposenta”. Em seu livro “A Busca Amorosa Ao Servo Perdido” Shridhar Maharaj é ainda mais enfático:
“O amor, a beleza, a afeição e a harmonia são o anseio mais íntimo de toda alma viva e não o poder, o conhecimento ou qualquer outra ciosa. Este é o diagnóstico de toda a Criação no tempo e no espaço; a causa comum é uma só. Mas é raro uma alma chegar a um estágio tão claro de anseio pela realidade que lhe permita entender este ponto. Encontramos poucas almas neste mundo realmente conscientes de sua necessidade mais íntima , que percebem que: ‘queremos Krishna! Queremos Vrndavana!’ ”

Nessa perspectiva, abordar o absoluto somente por Sua concepção Brahman é ter uma compreensão incompleta da realidade espiritual. Se os Vedas descrevem que a realidade última é composta por Sat (eternidade), Cit(consciência ou individualidade) e Ananda (bem-aventurança), o Absoluto Supremo não pode ser diferente. Brahman se refere apenas ao aspecto eterno do Absoluto, que é onipresente e oniabrangente. Contudo temos o aspecto consciência do absoluto que é chamado de Paramatma ou Superalma e o aspecto de bem-aventurança que é chamado de Bhagavan.


Paramatma é o aspecto localizado do Absoluto. Refere-se ao caráter onipenetrante da Divindade que se faz presente no coração de tudo o que é vivo e dentro de cada átomo e célula do universo, Bhagavan se refere ao aspecto pessoal do Supremo, que é oniatraente, pleno de nomes, formas e qualidades transcendentais à energia ilusória. Todo o encanto, a doçura e a beleza advindos das qualidades eternas da Pessoa Suprema, são fatores máximos de atração para as entidades vivas que, uma vez despertas para o mundo espiritual, têm a oportunidade de ingressar em uma relação amorosa, eterna e bem-aventurada com o Absoluto. Conforme corroborado por Sri Krishna no Bhagavad Gita:
“ Por meio da arte de conectar-se em serviço, oferecendo todas as suas atividades a Mim, com a compreensão de que apenas Eu sou a meta suprema, abrigue-se no enlace de sua inteligência coMigo e permaneça sempre e lealmente devotado a mim” (Sri Gita 18.57).

Para o Vaishnava o serviço devocional ao mestre espiritual e à Pessoa Suprema é ao mesmo tempo o fim e o meio pelo qual a entidade viva realiza o seu potencial pleno. A posição da entidade viva é inconcebível, sendo simultaneamente una e separada do Senhor. Una por que é feita da mesma substância espiritual - composta por eternidade, consciência ou individualidade e bem aventurança - mas separada porque, diferente de Bhagavan, que é infinito e ilimitado, a entidade viva é finita e limitada.


“A verdade absoluta, a substância transcendental que é objeto de nossa indagação através da fé, está dotada de todo poder e de toda consciência. Ele é bondoso, benevolente e doce. Seu poder é infinitamente superior ao nosso, e nós somos infinitamente menores do que Ele. Nossa atitude deve ser de que, comparados a Ele, somos insignificantes.” – Srila B.R Shridhar Dev-Goswami Maharaj
Somente por meio da fé e da rendição ao Centro Absoluto, a entidade viva pode transcender ao ambiente ilusório e situar-se na plataforma espiritual de serviço devocional amoroso ao Senhor.

É importante, que o praticante e estudante de Yoga saiba discernir essas duas correntes filosóficas para não se deixar levar por uma compreensão parcial da realidade espiritual, correndo o risco de almejar uma dissolução total no Brahman impessoal, tornando-se assim desprovido das qualidades espirituais necessárias para uma relação de amor, afeto, beleza, doçura e encanto, que se origina de uma atitude de humildade, submissão e rendição ao Mestre Espiritual e à Suprema Personalidade de Deus.

PRANAYAMA


“Quando a respiração é irregular, a mente oscila; quando a respiração se vai, a vida também se vai, portanto, o controle da respiração prolonga a vida.” Hatha Yoga Pradipika .


A palavra pranayama traz a idéia de controle, expansão e canalização do prana, ou força vital. A atividade respiratória está diretamente associada ao movimento do prana, por isso a prática consciente da respiração tem o poder de harmonizar os vayus e os chacras, promovendo tanto uma melhora no funcionamento dos órgãos vitais, quanto no estado mental e emocional do praticante.

É importante ressaltar que, no nível físico, a respiração é a única função orgânica que é controlada tanto pelo sistema nervoso cerebroespinhal, quanto pelo sistema nervoso autônomo. Ou seja, a atividade respiratória acontece tanto voluntariamente, quanto involuntariamente, diferentemente dos outros órgãos, como o coração e os intestinos, que só funcionam de forma involuntária. Estudiosos acreditam que essa seja uma importante dica do criador para adentrarmos nos reinos inconscientes e promover uma transformação do nosso estado físico e psíquico.

O Hatha Yoga nos traz uma série de técnicas de pranayamas que têm o objetivo de alterar o estado de consciência do praticamente por meio dos exercícios respiratórios. Para praticar qualquer uma dessas técnicas o praticante deve, no entanto, ser bem atento e cuidadoso e não abusar desses exercícios. Recomenda-se também que a primeira vez que for praticar seja feita junto com um professor ou com alguma pessoa que já pratique há algum tempo. São muitos os iogues que alertam para os distúrbios físicos e psíquicos causados por uma prática irresponsável dos pranayamas. Temos nas mãos ferramentas poderosas, mas que devem ser usadas com muita consciência. Ao menor sinal de taquicardia, tontura, náusea, falta de ar ou vertigem, a prática do exercício deve ser imediatamente interrompida. O praticante deve deitar então com sua barriga para cima e calmamente praticar a respiração abdominal até que se normalize a respiração e os batimentos cardíacos.

Apresentaremos aqui cinco técnicas simples que trarão incontáveis benefícios para aqueles que estão ingressando na prática de Yoga.

1. Mahat Pranayama ou Respiração Completa



Descrição: a respiração completa é o estágio primário do trabalho de pranayama. Com ela energizamos todo o tronco, aproveitando melhor a capacidade dos pulmões. Se pudermos desenvolvê-la não somente durante a prática, mas ao longo de todo nosso dia, representará um significativo avanço no caminho da Yoga.

A respiração completa acontece em três alturas diferentes dos pulmões:
- respiração abdominal ou diafragmática: nessa respiração utilizamos a porção inferior dos pulmões e exigimos mais do diafragma, o músculo situado na base dos pulmões e que auxilia no movimento respiratório. Quando inspiramos sentimos o diafragma se expandindo na direção do abdômen, auxiliando na dilatação dos pulmões. Quando expiramos sentimos o diafragma se contraindo, ajudando na expulsão do ar dos pulmões. Os músculos abdominais também se contraem, auxiliando no movimento.
- respiração toráxica: acontece na porção média dos pulmões. Durante a respiração sentimos a movimentação lateral das costelas, observando a expansão e retração da caixa toráxica.
- respiração clavicular ou apical: nessa respiração utilizamos a porção superior dos pulmões, o que provoca uma suave elevação da cintura escapular, que pode auxiliar no alívio de tensões na região dos ombros e do pescoço.

Técnica: sente-se de forma confortável, com a coluna ereta. Comece primeiramente tomando consciência da sua respiração, observando como ela acontece no momento presente. Devagar vá interferindo na respiração, e comece a expirar completamente, eliminando os ar velho e as toxinas. Em seguida inspire profundamente, dando início a uma respiração profunda e suave, observando um leve intervalo entre a inspiração e a expiração, tanto com os pulmões cheios quanto vazios. Mantendo a mente presente, leve suas mãos na altura do umbigo e pratique a respiração diafragmática observando o abdômen expandindo na inspiração e se contraindo na expiração. Permaneça assim por pelo menos três ciclos respiratórios e leve as mãos na parte inferior das costelas e pratique a respiração toráxica sentindo os movimentos laterais realizados pelas costelas. Após três ciclos respiratórios (pelo menos), leve suas mãos na parte superior do peito, com os dedos sobre as clavículas e pratique a respiração clavicular, sentindo o suave movimento das clavículas e da cintura escapular. Após esse trabalho, repouse as mãos na altura dos joelhos e sinta as três respirações acontecendo de forma sincronizada. Na inspiração expanda primeiro o abdômen, em seguida as costelas e depois a parte superior do peito. Na expiração. Contraia primeiro a parte superior do peito, em seguida as costelas e por fim o abdômen. Permaneça por cerca de três minutos observando esse movimento ondular da respiração mantendo a mente atenta, a coluna ereta, e o olhar concentrado entre as sobrancelhas. Procure equilibrar o tempo da expiração e da inspiração, buscando chegar a uma respiração suave e confortável.

Benefícios: aumento da capacidade respiratória, fortalecimento do diafragma, energização de todo o tronco, harmonização dos chacras e vayus, melhora geral no estado mental e emocional.

2. Ujjayi Pranayama

Descrição: o ujjayi pranayama, consiste na contração da glote de forma que o ar penetre os pulmões de forma mais direcionada e concentrada. Pode ser praticado juntamente com outros exercícios de asanas e pranayama.

Técnica: tendo como base a respiração completa, faça um movimento com a glote parecido com aquele que fazemos quando vamos embaçar o espelho, só que com a boca fechada. O praticante deve sentir o ar raspando o fundo da garganta, de forma que seja audível o som da sua respiração.

Benefícios: aumenta a oxigenação, aumenta a resistência do corpo em práticas mais intensas, favorece a concentração e o direcionamento da mente.

3. Nadi Shodana



Descrição: Nadi Sodhana significa purificação dos nadis. O exercício consiste na respiração alternada entre as duas narinas proporcionando uma limpeza dos canais ida e pingala e uma ativação do shusumna nadi. Essa técnica quando realizada em conjunto com ujjayi pranayama torna-se mais intensa.

Técnica: após a prática da respiração completa, exale completamente o ar pelas duas narinas. Com a mão direita execute Vishnu mudra flexionando os dedos médio e indicador, deixando livres os dedos polegar e anelar. Após a exalação, feche a narina esquerda com o dedo anelar, e inale pela narina direita. Suspenda a respiração com os pulmões cheios (antara kumbhaka) enquanto você fecha a narina direita com o polegar e libera a narina esquerda. Exale então pela narina esquerda. Suspenda agora a respiração com os pulmões vazios (bahya kumbhaka) por 2 segundos e inale pela narina esquerda. Suspenda a respiração enquanto fecha novamente a narina esquerda, antes de liberar a narina direita. Exale então pela narina direita, completando um ciclo completo de nadi sodhana. Realize calma e atentamente três ciclos deste exercício. Após exalar pela última vez pela narina direita, solte sua mão e inspire normalmente pelas duas narinas. Pratique um pouco de respiração completa após o exercício.

Benefícios: equilibra prana e apana vayu, estimula o funcionamento dos chacras, aumenta a capacidade respiratória, equilibra os nadis ida e pingala e estimula a kundalini na base de shushumna nadi.

Precauções: como todas as técnicas de pranayama, esse exercício exige muita atenção e moderação. Diversos iogues alertam para o perigo da prática descuidada dos exercícios de pranayama. Nadi shodana não é recomendável para pessoas com desvio de septo nasal.

4. Bhastrika Pranayama

Descrição: O bhastrika pranayama, ou respiração de fole, consiste na aceleração dos ciclos respiratórios promovendo uma limpeza e desobstrução das vias respiratórias.

Técnica: inicialmente este exercício pode ser praticado em pé, com as mãos apoiadas sobre os joelhos. De qualquer forma a coluna deve ser mantida ereta (apesar de inclinada) durante todo o exercício. Após uma vigorosa exalação, acelere aos poucos, a respiração, contraindo o abdômen na expiração e expandindo na inspiração. Chegue até a maior velocidade em que puder manter a coordenação da respiração com a contração abdominal. Dê uma ênfase um pouco maior na expiração, já que os pulmões se enchem naturalmente quando estão vazios. O pescoço, o tronco e a coluna devem se manter completamente firmes, sem acompanhar o movimento realizado pelo abdômen. Após cerca de trinta segundos, acalme novamente a respiração e execute com atenção cinco ciclos de respiração completa. Realize esses exercícios por três vezes, fazendo essa pausa entre cada série.

Benefícios: fortalece os músculos da respiração, purifica as vias respiratórias e prâncias, elimina estados mentais de sonolência e desânimo, estimula a atividade digestiva, esquenta o corpo e ativa prana e apana vayu.

Precauções: esse exercício é contra-indicado para pessoas com hipertensão arterial, enfermidades no estômago ou lesões cerebrais.

Observações: essa técnica é especialmente recomendada para aquecer o corpo antes das práticas realizadas em período de inverno. Pode ser praticada debaixo de uma ducha de água fria.

5. Kapalabhati Pranayama

Descrição: traduz-se como a respiração do crânio luminoso. Consiste na realização de vigorosas expirações, sendo uma técnica poderosa de purificação e eliminação de toxinas do corpo.

Técnica: também pode ser praticado em pé, com as mãos na cintura, a coluna ereta, tronco e pescoço firmes. Inspire calma e profundamente, enchendo plenamente os pulmões. Projetando o umbigo para dentro e para cima, expire vigorosamente, exalando de uma só vez o ar de seus pulmões. Permaneça por alguns instantes com os pulmões vazios e em seguida inspire calmamente se preparando para repetir o exercício. Realize esse exercício de três a cinco vezes e então pratique alguns ciclos da respiração completa.

Benefícios: limpeza das vias respiratórias e prânicas, eliminação de toxinas do corpo. Ativa udana vayu, proporcionando equilíbrio e clareza mental.

Precauções: esse exercício não é recomendado para pessoas com hipertensão, distúrbio bipolar, enfermidades nos olhos e ouvidos e em período de gestação.

As Principais Formas de Yoga

O sistema de Yoga pode ser definido como o conjunto de práticas, ritos e ensinamentos que permitem criar condições para que essa União com o Supremo se realize. As três principais formas de Yoga que encontramos no Bhagavad Gita, é Karma Yoga, Jnana Yoga e Bhakti Yoga.

Em Karma Yoga, a Yoga da Ação, afinamos a União com o Supremo através da libertação dos resultados das ações materiais por meio da prática do desapego em relação aos frutos de nossas ações, ou seja por meio do cultivo da ação abnegada.
“Renunciando a todo apego ao fruto da ação, execute sempre suas atividades prescritas por uma questão de dever. Pela execução contínua da ação sem apego, o ser vivente obtém a liberação. E a verdadeira liberação é o estado de exclusiva devoção atingida no amadurecimento final da ação abnegada.” (Sri Gita, 3.26)

Em Jnana Yoga, a Yoga do Conhecimento Divino, a União com o Supremo é buscada através do estudo da realidade espiritual que pode ser feito através das escrituras sagradas ou da associação com um mestre espiritual genuíno. “Ó Pandava! Após receber esse conhecimento da verdade transmitido pelo Guru, você não mais se iludirá e será capaz de compreender que toda espécie de vida, seja humana, de ave ou animal é igual em sua identidade individual de alma espiritual, ou jivatma. Sua comparativa gradação material deve-se apenas aos atributos externos. Todos situam-se em Mim como efeito, sendo que Eu próprio sou a causa suprema.” (Sri Gita, 4.35)

Bhakti Yoga, a Yoga da Devoção, é considerada pela tradição Vaishnava, a Yoga Suprema, superior a todas as outras. Em Bhakti Yoga, o devoto busca a união com o Supremo através da prática do serviço devocional amoroso, ou sêva, ao mestre espiritual e à Suprema Pessoa. O sêva nasce do fortalecimento da fé no Mestre Espiritual, se desenvolve com o cultivo da devoção (que compreende qualidades como humildade, rendição e entrega) e culminam no desenvolvimento do amor puro e desinteressado por Govinda, a Pessoa Original. “ Aqueles que com fé pura absorvem suas plenas consciências em pensar nesta minha divina forma de Syamasundara, e Me adoram constantemente no caminho da devoção exclusiva são claramente os mais elevados conhecedores da divina unidade (ioga). De fato, esta é a minha opinião” (Sri Gita, 12.2)

Hatha Yoga, é uma forma de Yoga que integra as bases filosóficas das supracitadas formas de Yoga e busca o controle dos sentidos externos através da prática de posturas psicofísicas, exercícios respiratórios e meditação, de forma que seja possível o cultivo da saúde do corpo e da mente necessária para o melhor aproveitamento das potencialidades do praticante no cumprimento do seu dever e no seu processo de auto-realização. “Sobriamente mantendo seu tronco, cabeça e pescoço eretos, alçados e equilibrados, o iogue deve fixar seu olhar na ponta de seu nariz, sem olhar em nenhuma outra direção. Tranquilo, destemido e seguro no voto de celibato, deve meditar em Minha forma Visnu de quatro braços e, absorvendo-se em Minha direção deve praticar ioga." (Sri Gita, 6.13,14)

Aulas do Templo de Goura Nitai

Leitura de Srila Shridhar Maharaj: Satisfação Interior e Aula de Sripad Amiya Krishna Prabhu, domingo, dia 21 de junho de 2009. A primeira com duração de dez minutos e a segunda com duração de cerca de cinco minutos.

Programação do curso Vivencial de Yoga em Teresópolis

Sábado, 16 de maio, Espaço Regalheria, com Gabriel Domingues

08:00 - Aula de Yoga
09:00 - Apresentação e introdução ao tema
10:00 - Textos clássicos: Bhagavad Gita e Yoga Sutra
11:00 - Alimentação e hábitos diários

12:00 - Almoço (por conta do participante)

14:00 - Chacras - centros de energia
15:00 - Asanas - posturas psicofísicas
16:30 - Pranayamas - controle da energia vital através da respiração
17:30 - Relaxamento final

Domingo, dia 17 de maio, Sítio Ramandanda/Templo de Goura Nitai, com Afonso Domingues


09:00 - Introdução aos mantras
09:30 - Cerimônia de arati (oferenda no altar) com canto de mantras e canções devocionais
10:00 - Aula de Bhakti Yoga: estudo dos textos sagrados
10:30 - Aula de Hatha Yoga
11:30 - Satsanga: reunião final e encerramento do curso


OS FACILITADORES

Gabriel Domingues, iniciado na prática de Yoga por seu pai, Afonso Domingues, no ano de 2002, quando recebeu iniciação do mestre espiritual Srila B.S Govinda Dev-Goswami Maharaj. Realizou estágios entre os anos de 2006 e 2007 com a mestra Regina Shakti no Krishna Shakti Ashram, em Campos de Jordão-SP. Formado pelo curso livre de formações de professores de Yoga da escola Shakti Yoga em Juiz de Fora-MG.

Afonso Domingues (Amiya Krishna), nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de dezembro de 1956. Filho do Jornalista Heron Domingues (famoso locutor do repórter Esso), concluiu seus estudos na Suíça no início da década de 1970 e empreendeu uma viagem por terra, passando pelo Oriente Médio, até a Índia. Em suas peregrinações conheceu pessoas importantes para sua trajetória espiritual, entre elas Madre Teresa de Calcutá.
No sul da Índia recebeu uma importante iniciação espiritual do Padre Bede Grifiths que lhe apresentou um caminho de conciliação da compreensão védica e cristã da realidade. Passou então a se dedicar à prática e ao conhecimento de Yoga e meditação. Retornando ao Brasil no início da década de 1980, iniciou seu trabalho como terapeuta e instrutor de Yoga. Desde então vem ministrando aulas e palestras em várias cidades do Brasil. Em 1994 conheceu o mestre B.S Govinda Dev-Goswami Maharaj e ingressou na escola Vaisnava de Sri Chaitanya Mahaprabhu sem, no entanto, se desconectar do legado deixado pelo seu antigo mestre. Vive hoje com sua esposa e filhos em um sítio em Teresópolis, onde mantém com sua família um pequeno ashram destinado ao cultivo do conhecimento espiritual genuíno trazido por seus mestres espirituais. O ashram mantém uma programação regular com práticas e vivências de Yoga.