O Pranamaya Kosha

O Pranamaya Kosha, ou corpo energético, é o veículo do prana. O prana é associado à energia vital, ao impulso vital que faz movimentar tudo o que existe no universo. É o alento da vida, o que torna possível e dá sentido à existência material, por ser o veículo da consciência. No nosso corpo, o prana é administrado e conduzido por meio da respiração. Daí a importância do pranayama (controle da respiração), na manutenção da nossa energia vital.

Os principais elementos do Pranamaya Kosha são os nadis, os vayus e os chacras. Os nadis podem se assemelham a uma rede nervosa sutil, composta por cerca de 72000 canais , por meio dos quais o prana circula e é distribuído por todo o corpo.

O principal nadi do corpo é o Shushumna que passa ao longo da coluna vertebral. Sua raiz está na base do tronco, próxima ao cóccix, e estende-se até a região situada no topo da cabeça. Ao lado de Shushumna encontramos os nadis ida e pingala.
O ida-nadi nasce à esquerda da raiz de shushumna, cruzando-a na altura de cada um dos principais chacras até alcançar o ajna chacra, no centro do crânio e terminar na narina esquerda. O pingala-nadi nasce à diretia da raiz de shushumna, entrecruzando os outros dois nadis na altura dos chacras, até alcançar o ajna chacra e terminar, por fim, na narina direita.

A circulação de energia por esses três nadis, depende diretamente do bom funcionamento dos sete chacras principais situados ao longo da coluna vertebral. O ida-nadi transporta as energias lunares e o pingala-nadi, as energias solares. A prática sincera e disciplinada de yoga, incluindo pranayamas, asanas e meditação, faz com que o prana que circula normalmente por ida e pingala, convirja para o shushumna nadi, possibilitando o desenvolvimento espiritual do praticante. A esse processo dá-se comumente o nome de “despertar da Kundalini” que é justamente essa energia latente na base de Shushumna que, quando desperta, eleva o praticante às esferas mais elevadas de compreensão da realidade.


Os vayus são correntes prânicas que conduzem a circulação do prana no corpo e contribuem para a ativação dos principais chacras, ou centros energéticos do corpo. Os vayus originam também impulsos importantes para o desempenho de diversas funções orgânicas do corpo. Os principais vayus são o prana vayu, na região do peito que movimenta a energia de forma circular, ascendente e centrípeta, no espaço entre o umbigo e a garganta; o apana vayu, centralizado na metade inferior do tronco, movimentando a energia de forma descendente e centrífuga; o samana vayu que, situado entre prana e apana, equilibra esses dois vayus, movimentando a energia de forma circular na inspiração (de fora pra dentro) e de forma horizontal na expiração (de dentro pra fora); o udana vayu, que movimenta a energia de forma circular entre a garganta e o topo da cabeça; e o vyana vayu, que movimenta a energia nas extremidades do corpo, para dentro na inspiração, e para fora, na expiração.

Os chacras são centros energéticos onde convergem um número grande de nadis e podem ser comparados aos gânglios nervosos que concentram corpos celulares de neurônios. Nos chacras a energia dos nadis é captada, transformada e retransmitida para outros nadis. O nome “chacra” faz alusão a uma roda onde a energia se movimenta de forma circular, sendo atraída e irradiada constantemente.

Por fazer parte do corpo energético, o funcionamento dos chacras influencia tanto nas funções orgânicas, quanto nas atividades psíquicas do indivíduo. Estando ativados e em pleno funcionamento, os chacras contribuem para a saúde dos sistemas orgânicos e para a livre circulação de informações entre os corpos físicos e sutis, permitindo tanto uma circulação quanto uma retenção maior do prana, gerando um conseqüente incremento na vitalidade geral do corpo.

Os sete principais chacras estão situados ao longo do nadi shushumna e, sua disposição coincide com as principais concentrações nervosas do corpo. Os sete principais chacras costumam ser apresentados da seguinte forma:

NOME DOS CHACRAS LOCALIZAÇÃO PRINCIPAIS FUNÇÔES PSÍQUICAS E FUNÇÕES ORGÂNICAS RELACIONADAS:

Sahasrara Topo da cabeça, Conexão com a espiritualidade, Bom funcionamento do cérebro

Ajna
Intercílio – plexo cavernoso, Desenvolvimento da intuição e do discernimento, Coordenação e articulação dos pensamentos

Visudha Região da garganta – plexo faríngeo e laríngeo,
Desenvolvimento da comunicação através da expressão de sentimentos e pensamentos, Saúde e disposição do órgãos vocativo e bom funcionamento da glândula tireóide

Anahata Região do coração – plexo cardíaco, Abertura para o relacionamento com os outros. Desenvolvimento da compaixão, da caridade e da solidariedade Bom funcionamento do coração e da glândula timo. Saúde do sistema imunológico

Manipura Região lombar – plexo epigástrico, Domínio das circunstâncias (capacidade de estar sempre no lugar certo e na hora certa) Bom funcionamento do sistema digestivo, principalmente os intestinos

Svadhisthana
Genitais – plexo do sacro
Domínio sobre as paixões e direcionamento da energia para manutenção e reprodução da vida,Bom funcionamento do sistema reprodutor e das glândulas sexuais. Manutenção da fertilidade

Muladhara
Base da coluna vertebral – plexo coccígeo. Desenvolvimento da segurança interior, estabilidade, autoconfiança e fé. Coordenação das atividades de excreção

A Prática de Hatha Yoga


Como já mencionado, o Hatha Yoga associa as diversas formas de Yoga ao trabalho corporal baseado em posturas psicofísicas e em exercícios respiratórios. Partindo da noção de Yoga apresentada aqui, a diferença básica entre os exercícios de Hatha Yoga e uma ginástica comum, está na consciência que o praticante procura empregar em cada postura, mantendo a mente presente, a atenção na respiração e nas mudanças energéticas e psíquicas proporcionadas pelos exercícios.

Antes de começar a falar especificamente dos exercícios de Hatha Yoga é necessário que tenhamos alguma noção dos Koshas, ou corpos energéticos e sutis que estão associados ao corpo físico com o qual se inicia o trabalho.

A tradição védica nos ensina que o corpo físico que conhecemos, manifesta-se primeiramente em planos mais sutis até se manifestar na matéria grosseira. Dessa forma temos primeiramente o plano original da consciência, chamado de Brahman, que é o Todo, o Absoluto, a causa de tudo o que existe. Em seguida temos o plano individualizado da consciência original, chamado de Atma, que são as partículas infinitesimais do Absoluto. O primeiro Kosha, ou corpo, que o Atma adquire é o Anandamaya Kosha, que é formado basicamente de substância espiritual, sendo constituído de Sat (eternidade), Cit (consciência), e Ananda (bem-aventurança ou êxtase). Quando o Atma se envolve com o universo material ele começa a adquirir os corpos que o levarão até os aspectos mais grosseiros da existência.

No plano sutil encontramos três Koshas: Vijnamaya Kosha, que é a sede do discernimento, a dimensão da sabedoria e da intuição; Manomaya Kosha, que é o corpo mental e emocional, sede da razão e dos sentimentos, é onde encontram-se as raízes do apego mundano; e Pranamaya Kosha, que é o corpo energético, sede dos chacras, vayus e nadis, onde circula o prana, ou a energia vital. O intermédio entre o corpo físico e os corpos sutis se faz por meio do Pranamaya Kosha, por isso a importância dada nos exercícios de Hatha Yoga ao equilíbrio energético corporal.

Temos por fim o Annamaya Kosa, ou o corpo físico, onde encontramos os sistemas muscular, endócrino, digestivo, circulatório, respiratório, reprodutivo, nervoso e imunológico.

De acordo com a ciência da Yoga, a maior parte das doenças se originam no Manomaya Kosha e suas causas quase sempre estão relacionadas à desarmonia entre os corpos físico, energético e mental. À medida em que esses corpos se alinham e se harmonizam, o praticante aguça sua percepção intuitiva e acessa a sabedoria que descende do plano espiritual, proporcionando uma visão clara e libertadora da existência.

Dessa forma o trabalho de Hatha Yoga é realizado em duas direções: uma que parte do plano físico e energético, buscando trabalhar aí as causas e os sintomas dos distúrbios e doenças, e outra que parte do plano da consciência (ou atma), fazendo-a penetrar nas camadas mais grosseiras do ser, irradiando a luz, a sabedoria e a saúde que descendem dos elevados padrões vibracionais encontrados nas camadas superiores.

Pelos Caminhos da Índia

Saudações!

Pra abrir o mês de agosto publico aqui no blog o relato que fiz da minha viagem à Índia em 2005/2006. O artigo foi escrito originalmente para o jornal periódico do Centro Acadêmico de Turismo da UFJF.

Namastê!


Passei um fim de ano completamente diferente do que estava habituado. A partir da segunda metade de dezembro de 2005 até o dia 20 de janeiro, andei por aquelas bandas do oriente e presenciei um pouco do que a sagrada terra da Índia pode oferecer. Fora dos pacotes turísticos que normalmente encontramos para Índia (que contemplam visitas ao Taj Mahal, templos famosos, mercados de Nove Délhi, praia e sol em Goa, etc). Optei por um caminho diferente. Orientado por meu pai, grande amante daquela terra, não quis ser um simples turista, equipado com câmera fotográfica, encerrado em um grupo de turistas ocidentais perplexos e portando uma boa quantidade de dólares, pronto para comprar, absorver, agarrar, guardar e sugar tudo que estivesse ao meu alcance. Antes de ir meu pai me instruiu: “A Índia é uma mãe, os próprios indianos a chamam de Mãe Bharata, não chegue querendo tirar nada de lá como nós ocidentais sempre fizemos nesses últimos séculos. Ao contrário, leve alguma coisa para ela, coloque-se a seu serviço e ela se revelará a você. A Índia mais do que um lugar físico, é um estado de consciência. e uma vez acessando esse estado, a Índia verdadeira nunca te abandonará.” Guiado por esse pensamento, tratei de tomar uma atitude reverente desde o primeiro momento que pisei naquele solo sagrado, berço de conhecimento, medicina, música, culinária e espiritualidade. Uma civilização que vem resistindo há milênios a todas as invasões, e, apesar das contradições, se mantém até os dias de hoje como um centro emissor de bênçãos espirituais e boa lições de vida para toda a humanidade.

Conheci velhos homens, incríveis, que com um brilhante sorriso estampado no rosto transmitiam a doçura, a beleza e o encanto de quem dedicou os seus dias ao desenvolvimento de uma vida espiritual eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança. Fui bem recebido, bem hospedado e bem alimentado.

Nada precisava pagar por isso, apenas se eu quisesse. Emocionei-me muitas vezes tanto pelo brilho da riqueza cultural e devocional, quanto pelo horror da sujeira, da pobreza e da doença. Mas não deixei-me abater nos momentos difíceis. Mãe Bharata parecia dizer-me que tudo tem sua razão de ser e que não cabia a mim tentar compreender os arranjos que o Supremo faz para atender a cada um dos seres viventes desse planeta. Quando não resistia ou tentava me defender, uma profunda doçura me era revelada, mesmo em meio ao inacreditável caos.

Quando mergulhamos no coração da Índia e conseguimos ir além das aparências, tudo se transforma ao nosso redor, com num passe de mágica. Tudo torna-se incrivelmente belo e harmonioso. O rio Ganges, a princípio um simples rio sujo da Ásia, apresenta-se com toda a sua opulência cortando o solo da Índia a distribuir suas bênçãos purificadoras. Por detrás da tela começamos a perceber aquilo que meu pai chama de um outro estado de consciência. Cada movimento ali começa a fazer sentido e você percebe uma mensagem vinda de um plano superior, comunicada através da natureza simples e espontânea das pessoas, da forma como o dia vai começando - com os sinos das bicicletas e dos templos, do barulho das engrenagens do carro de boi, misturado com o som dos pássaros, dos cânticos devocionais, dos símbalos e dos tambores - e da forma como o dia vai terminando, da mesma forma como vai começando, sendo reverenciado e contemplado incansavelmente por todos. Tudo se mostra, então, como um convite a ingressar em uma nova forma de viver, de ver o mundo e a nós mesmos. Uma nova perspectiva sobre a vida e a morte é apresentada, e um mundo totalmente novo descortina-se dentro de nós.
Esse é o tipo do turismo oculto que a Índia revela de acordo com o nosso esforço interior. Claro que existe também o turismo “bolha” onde o turista tem a opção de se proteger do mundo e só enxergar o que for agradável para os olhos e a mente. De apenas absorver o que lhe convém e evitar o mergulho na cultura, na convivência, no horror e na beleza. No turismo bolha, muitas coisas bonitas são vistas mas não é dado aquele “salto quântico” ao qual eu estive tentando me referir acima.
Na cidade de Jaganatha Puri, no litoral do Estado de Orissa, ao Sul da Bengala ocidental, os grandes hotéis já tomam conta de norte a sul da orla praiana. A atmosfera luxuosa e imponente das construções contrasta incrivelmente com o estilo simples da população local. Escondido atrás dos hotéis, em uma pequena depressão na rua, o lixo é depositado aos montes, sendo disputado pelos cachorros, pelas vacas e pelos corvos.
Os turistas podem fazer suas compras no centro comercial e adquirirem requintadíssimos artigos indianos. Podem passear pela cidade e apreciar todo o exotismo indiano expresso nas vestimentas das pessoas, nas fachadas dos templos e nas feiras livres onde uma variedade incalculável de itens é exposta (colares, anéis braceletes, tecidos aos milhões, pratarias, artigos decorativos, tapetes, instrumentos musicais, artigos devocionais, incensos, peças em madeiras, fotos, cartões postais, imagens de deuses hindus etc,etc,etc). Nesses passeios evita-se passar pelos inúmeros becos distribuídos ao redor do centro da cidade onde a dolorosa realidade de um dos lugares mais inflamados do mundo é exposta impiedosamente. Esgotos escorrendo pelos cantos das ruas, lixo, doenças, sujeiras, homens jogados na sargeta, leprosos, bois mal-tratados e cães sardentos brincando com as crianças, não são uma boa coisa para o turista apreciar.
Na praia pode-se fazer passeios de camelos importados que andam monotonamente de um lado para o outro e garantem o sustento de alguns indianos que descobriram um meio de explorar os turistas. Se o turista preferir, pode simplesmente observar, da piscina da cobertura do hotel o movimento cíclico do mar.

Hospedado em um pequeno Math* , perdido em meio ao hotéis, localizado perto da praia, eu refletia sobre o que via a minha volta e me perguntava se os nossos ilustríssimos turistas estavam tendo tempo de perceber algo maravilhoso que acontecia naquele local. Um brilho dourado parecia envolver toda a cidade. A forte atmosfera espiritual do lugar transmitia aos corações um amor e uma doçura indescritíveis. Eu me sentia como se estivesse derretendo de tanta alegria, êxtase e paz que aquela terra proporcionava. De manhãzinha, antes do nascer do sol, enquanto tudo ainda estava escuro, já era possível ver na praia um grande número de pessoas. Algo espantoso. Cada um com suas orações e suas preces para receber o astro-rei que estava por vir. Nessa hora, o som de um alto falante de um pequeno templo, ressoava uma melodia que embalava aquele momento mágico e me fazia recordar certos sentimentos de infância, não sei ao certo, mas algo muito familiar. O sol quando raiava no horizonte, era envolto por uma névoa cor de açafrão e o seu brilho refletia no mar que iluminava a todos. E não era só isso, as pessoas eram de uma simplicidade admirável. Vários indianos chegavam perto de mim com um sorriso aberto nos lábios querendo ser amigo. Perguntavam de onde eu era, se estava gostando da Índia, quanto tempo eu iria ficar e como eu iria embora. Em todo canto era vendido o chai, um chazinho preto com leite que eu gostava de saboreá-lo juntamente com um Bedee . Na hora do almoço comia com a mão em um prato de folha, uma comida simples, muito saborosa e muito picante. Na rua via alguns bezerros andando despreocupadamente, com cuidado tocava o seu pêlo. Ao cair da tarde, após o pôr do sol na praia, voltava para o Math e um dos devotos do templo me acolhia com carinho, pegava na minha mão, me abraçava e se mostrava saudoso com a minha partida. Todo esse brilho e alento que eu percebia, estava oculto. Parece incrível mas era isso. Estava oculto e só era alcançado através de uma atitude simples, de uma abertura para o contato humano com a população local e para as mensagens que eram comunicadas ao coração. Esse é o que comecei a chamar de turismo oculto. Que não dá para pegar com as mãos ou ver com os olhos simplesmente. Exige algo mais, exige uma auto-entrega, exige um mergulho profundo na realidade. Não adianta simplesmente contratar um guia e dissecar o lugar com sua máquina fotográfica.
No momento de deixar a Índia, inexplicavelmente, sentia uma tristeza intensa nunca antes sentida. As lágrimas caíam incessantes dos meus olhos e uma saudade insuportável abatia-se sobre mim. Só me restava agradecer. Olhava para a paisagem deixada para trás pelo trem que ia rumo à estação de Calcutá onde eu embarcaria no avião. Com as mãos juntas na altura do peito orava: Oh Índia! Obrigado! Namastê! Agradeço por seu importante legado deixado à humanidade! Que possamos no ocidente abrir-nos também para essa oculta realidade interior que tanto alento traz a nossas vidas!
Não tinha nada a oferecer a mãe Bharata a não ser a mim mesmo. Ofertei minha admiração, meu respeito e minha reverência. E pela graça de Deus, ela me carregou em seu colo e levou-me a conhecer segredos profundos que já habitavam meu coração. Me colocou em contato com nobres sentimentos, que jamais esquecerei. Namastê!

Retomando os trabalhos

Olá amigos!

Estou retomando agora as atividades desse blog, depois de um longo período de inércia, em que estive envolvido com a finalização da minha dissertação de mestrado e do projeto Linha do Tucum, no Juruá.

Agora, morando no Matutu desde abril, sinto-me impelido novamente a retomar as atividades nesse espaço virtual. O que trago para esse mês é uma republicação dos textos clássicos, introduzindo o leitor ao Bhagavad Gita e ao Yoga Sutra de Patanjali. Achei importante porque algumas pessoas que foram introduzidas na prática de Yoga comigo recentemente, precisarão desse material para começarem a se situar melhor no universo da Yoga.

A Nova publicação que trago é sobre dicas de alimentação e hábitos diários, importantes para quem vai começar uma prática mais sistemática. Para o mês de agosto, mês de Krishna, trarei para vocês arquivos de áudio especiais, com gravações feitas no templo de Goura Nitai em Teresópolis, no ano passado, durante o dia de Janmastami, ou advento do Senhor Krishna. Trarei também a programação do curso vivencial de Yoga que estamos preparando para ser realizado aqui no Matutu no mês de setembro. Fiquem ligados!

Abraço afetuoso a todos!

Namastê!

Alimentação e Hábitos Diários




" Ó Arjuna! A prática de ioga é impossível para qualquer pessoa que coma em demasia ou coma muito pouco, durma em demasia ou não durma o suficiente/ Para quem se alimenta, repousa e esforça-se de modo regulado, e que mantém horários regulados em medidas apropriadas, a prática de ioga torna-se gradualmente a fonte que dissipa todo sofrimento mundano." (Sri Gita, 6.17)


A instrução acima resume tudo o que é preciso dizer com relação aos hábitos diários do praticante. O progresso na prática de Yoga depende do ritmo das atividades diárias. O praticante deve procurar manter uma vida regulada, com horários bem definidos. Assim como o sono e a alimentação, a prática diária deve ser realizada em uma medida apropriada de modo que possibilite o progresso do praticante, porém sem sobrecarregar o seu organismo e sem comprometer os outros deveres diários.

Dicas para a prática diária

Sem ritmo, é muito difícil obter um progresso na prática de Yoga. O ideal é que a prática aconteça todos os dias, no mesmo local e horário. Ao esforço contínuo e regular dá-se o nome de Sadhana. O Sadhana é aquilo que cumprimos religiosamente todos os dias, como escovar o dente e lavar o rosto. Todo mundo possui esse Sadhana: acordar, lavar o rosto e escovar o dente. A prática de Yoga deve fazer parte do nosso Sadhana. Sem Sadhana não há Yoga.

Sem dúvida, o momento mais favorável do dia para a prática de Yoga é pela manhã, antes do desjejum. Trinta minutos de prática diária é um tempo razoável para quem tem um dia-a-dia movimentado. Por mais que a pessoa tenha muitos afazeres, nada impede que ela acorde trinta ou quarenta minutos mais cedo para dedicar-se à sua prática diária.

Para um bom Sadhana o praticante pode seguir o seguinte roteiro:

- acorda, se lava, troca a roupa, vestindo-se confortavelmente, arruma a cama e prepara o ambiente para a prática. É importante que o ambiente seja limpo, arejado e iluminado. Um ambiente apropriado é fundamental. O praticante deve eleger um canto da casa que seja limpo e organizado diariamente para a realização da prática. Um bom incenso e uma boa música podem ajudar a tornar o ambiente mais agradável para a prática. O praticante pode também estabelecer um altar na sua casa. Pode ser um cantinho, que seja limpo, onde coloca-se a foto do mestre espiritual ou de qualquer elemento que remeta o praticante à noção de sagrado, em frente do qual ele possa oferecer um incenso, fazer uma meditação ou ler um texto sagrado.

- tendo preparado o ambiente, o praticante pode esticar o seu tapete (é bom que a prática não seja realizada em contato direto com o chão) e dar início à sua prática que pode variar entre 30 minutos e uma hora. Dentro desse tempo o praticante pode incluir um trabalho de pranayama, uma pequena meditação, uma breve leitura de um texto sagrado, uma prática equilibrada de asanas e um pequeno relaxamento. À medida que o ritmo é empregado, é surpreendente como esse momentinho sagrado da prática torna-se uma fonte de saúde, equilíbrio e bem-estar no dia-a-dia do praticante.


Dicas de alimentação para o aproveitamento da prática diária

Sem dúvida, como dito acima, o progresso na prática de Yoga depende da qualidade da alimentação e do sono do praticante. O que se relaciona com horários regulados e medidas apropriadas.

Dessa forma, as três grandes dicas de alimentação são: estabelecer horários regulados para as refeições diárias, ter moderação na quantidade ingerida, não ficando nem além, nem aquém do necessário para a manutenção do corpo; e se atentar para a qualidade do alimento ingerido.

Dentre os alimentos considerados inapropriados para o praticante de Yoga o principal é a carne. Primeiramente porque fere o primeiro princípio do código de ética da Yoga que é Ahimsa, ou não violência. Alimentar-se do sangue e do sofrimento de outros animais leva a pessoa a um estado mental completamente incompatível com a prática de Yoga. Em segundo lugar, o consumo regular de carne, principalmente as carnes vermelhas, prejudica o bom funcionamento dos intestinos e ocasiona a deposição de diversas toxinas no organismo que, além dos distúrbios fisiológicos, causam o bloqueio de diversos canais energéticos, tornando a pessoa preguiçosa e enfadada para a prática de Yoga.

Recomenda-se uma dieta balanceada, livre de carnes, com reduzido consumo de açúcar, doces e refrigerantes e que combine, de forma comedida, a ingestão de frutas, legumes e leguminosas, cereais, verduras e laticínios. Optando-se sempre por alimentos frescos e orgânicos.

O consumo de bebidas alcoólicas, drogas farmacêuticas (salvo sob orientação médica), cigarro e entorpecentes também são considerados inadequados para o praticante de Yoga.

É importante deixar claro, contudo, que cabe ao praticante experimentar e observar os impactos dos diversos hábitos diários na sua prática de Yoga. As dicas brevemente apresentadas aqui têm o objetivo de oferecer alguma orientação ao praticante, porém é extremamente individual a forma como se dará o ajuste da conduta visando ao melhor aproveitamento da prática. O mais importante é estar perseverante na prática, procurando sempre aplicar a consciência em todos os atos praticados, inclusive naqueles que podem ser considerados desfavoráveis à prática de Yoga.


Bhagavad Gita





O Bhagavad Gita foi escrito perto de 3.000 (a.c). Nasceu da conversa sagrada entre Sri Krishna e o guerreiro Arjuna no campo de batalha de Kuruksetra (região do centro-norte da Ìndia). Gita significa canção e Bhagavad refere-se à forma original e pessoal de Deus. Bhagavad Gita dessa forma traduz-se por “Canção do Senhor”. É talvez a escritura mais antiga e a mais lida em toda a história da humanidade. Os ensinamentos nele contidos, se estudados sob o abrigo de um mestre espiritual genuíno, são capazes de orientar o praticante de Yoga em seu processo de auto realização e satisfação interior.


Conforme apresentação de Sua Divina graça Srila Shridhar Dev-Goswami Maharaj em seu texto de apresentação do Gita: “O Sri Gita é ativação para o preguiçoso, coragem para o covarde, esperança para o desesperado e vida nova para quem está morrendo. O Sri Gita unifica e sustenta todas as posições, seja do revolucionário, do ocultista, do otimista, do renunciante, do liberacionista ou do teísta pleno. As concepções essenciais de todos os tipos de filósofos são abordadas dentro de uma lógica clara e vigorosa – seja a do ateu dotado da mais grosseira visão, seja a do santo mais elevado. O trabalhador fruitivo, o erudito, o praticante de ioga e o devoto do Senhor, todos encontrarão aqui uma apresentação compreensível e iluminante da substância de suas respectivas filosofias, e é por isso que o livro é muito apreciado por todos.”

O contexto histórico em que se dá o diálogo entre Krishna e Arjuna no campo de batalha é retratado no Mahabharata, texto épico indiano que narra a luta dos 5 filhos do rei Pandu (entre eles Arjuna), conhecidos como os Pândavas, contra as atrocidades de Duryodhana, seu perverso primo, que, tomado por um ciúme incontrolável, almejara durante toda a sua vida tomar o reino de Pandu e colocar os Pândavas em completa ruína.

Todas as injustiças e humilhações impostas aos Pândavas pelos Kauravas (Duryodhana e seus irmãos), resultam em uma grande guerra mundial que envolve praticamente todas as forças bélicas existentes no planeta na época (cerca de 3.000 a.c).

Antes do início da grande batalha, no campo de Kurukshetra, onde reuniam-se para a guerra 64 milhões de pessoas, o célebre guerreiro Arjuna, líder de um dos exércitos, pede a Sri Krsna, para manobrar sua quadriga de forma que ele pudesse observar o exército oponente: “ Nesse momento, ó rei, Dhananjaya (Arjuna), montado em sua carruagem decorada com a bandeira de Hanuman, estava pronto para disparar suas armas. Ao ver Duryodhana e sua companhia posicionados para o combate, Arjuna tomou o seu arco e dirigiu-se a Krsna: ó Krsna! Por favor, situe a quadriga entre os exércitos, para que eu possa observar os guerreiros contra os quais deverei combater nesta batalha e que vieram lutar para a satisfação do perverso Duryodhana. (Sri Gita 1.20,21)
Quando se depara, no campo inimigo, com diversos parentes, amigos, mestres e bem-querentes, o invencível guerreiro cai prostrado no meio do campo de batalha, completamente tomado pela dúvida e por um profundo sentimento de lamentação. Queixa-se então a Krishna, enfatizando o despropósito daquela guerra, declarando por fim: “Govinda eu não lutarei” (Sri Gita 2.9). “Arjuna disse: ó Krsna! Vendo meus parentes diante de mim ansiosos pela guerra, esvai-se a força dos meus membros do meu corpo e sinto minha boca ressecar/ Meu corpo inteiro treme e arrepia-se. Não tenho mais firmeza para segurar meu arco Gandiva e mina pele queima./ Ó Kesava! Não posso me conter por mais tempo. Minha mente está desorientada, e vejo apenas sinais hostis carregados de mau agouro/ Sequer vejo algum bem em matar meus próprios parentes na batalha. Ò Krsna! Não desejo vitória,reino ou felicidade/ Ó Govinda! Qual o valor do nosso reino? Qual o propósito da felicidade e do desfrute, se aqueles para quem desejaríamos tudo isso – mestres, patriarcas, filhos, avós, tios maternos, sogros, netos, cunhados, e outros parentes – vieram hoje para a guerra, decididos a sacrificar suas próprias vidas e posses? Portanto, ó Madhusudana, não desejo matá-los mesmo que queiram tirar-me a vida.” (Sri Gita, 1.28-34)

De forma surpreendente, Krishna, seu quadrigário, amigo e conselheiro, o aconselha a abandonar a covardia e se levantar para a batalha: Ó filho de Kunti! Abandone essa covardia, pois ela é indigna de você. Ó grande herói, livre-se dessa fraqueza de coração e levante-se para a luta! (Sri Gita, 2.6). Dessa forma Krishna inicia sua ampla e elaborada resposta a Arjuna, revelando-se ao longo do diálogo como o Supremo Senhor, Mestre Espiritual de todo o universo.

No início de sua resposta, Krishna começa enfatizando a natureza da alma e mostrando o caráter transitório do mundo material e o caráter permanente do mundo espiritual, conforme se segue: O Senhor disse: Ó Arjuna, usando palavras sábias, você se lamenta pelo que não é digno de pesar. Pois aquele que é sábio não se lamenta pelos vivos, nem pelos mortos/ Nunca houve um tempo em que inexistíssemos, Eu, você, ou todos esses reis. Assim como existimos no presente, também já existimos no passado, e continuaremos a existir no futuro/ Tal como o ser vivo corporificado passa gradualmente neste corpo da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo, a alma obtém ainda outro corpo ao advir a morte. Os sábios não se confundem com tal transformação/ Ó filho de Kunti! Somente a ocupação dos sentidos com seus objetos ocasiona as sensações de frio, calor, prazer e dor. Porém, esses efeitos são temporários – aparecem e desaparecem. Portanto, ó Bharata, você deverá tolerá-los.

Dessa forma, ao longo de sua exposição, Krishna sintetiza de forma brilhante toda a herança legada pela cultura védica ao longo de eras ancestrais, e estabelece, de forma definitiva, os princípios filosóficos de todas as formas de Yoga existentes.

Um dos pontos culminantes da narração acontece no capítulo 11 denominado Visva-rupa-darsana: A Visão da Forma Universal, quando Arjuna declarando a dissolução completa de sua ignorância em relação à natureza suprema de Krishna, manifesta o desejo ainda de ver, de fato, a Sua forma onipotente. “Ó senhor de todos os poderes místicos! Imploro que, por favor, exiba sua forma onipotente e imperecível, se Você entender que sou capaz de contemplá-la”. Krishna exibe então Sua forma universal para o atônito Arjuna que “com seu corpo tremendo em êxtase” dá início à impressionante descrição que se segue: “Arjuna disse: Ó Senhor dotado de uma forma magnífica! Em seu corpo, sou capaz de ver os semideuses, todas as espécies de vida, os sábios e as serpentes transcendentais, e ainda Mahadeva e o Senhor Brahma sentado sobre a flor de lótus. Ó Senhor do Universo! Ó forma universal! Em todas as direções vejo Seu corpo ilimitado de muitos braços, barrigas, olhos e faces – entretanto, não posso vislumbrar Seu começo, meio ou fim. Resplandecendo por todas parte com coroas, maças de combate, e armas em forma de disco, vejo sua imagem todo-iluminada e refulgente, irradiando como o sol e o fogo flamejante e, portanto, muito difícil de contemplar além de toda a imaginação. Você é a personificação da Verdade Absoluta Suprema, cognoscível por meio dos Vedas; Você é o reservatório exclusivo deste universo e o preservador imperecível da eterna religião mencionada nos Vedas. Você é certamente a eterna Personalidade Suprema, e essa é minha firme convicção. Sem começo, meio ou fim, ilimitadamente poderoso e possuidor de inúmeras armas, com olhos como o sol e a lua e a compleição como a do fogo incandescente, vejo Você cauterizando o universo com Sua intensa radiação. Nada além de você preenche todas as direções e todos os espaços entre o céu e a terra. Ó forma universal! Ao ver este seu perfil estarrecedor e aterrador, todos os residentes dos três mundos estão amedrontados. Todos os semideuses estão entrando em Você, alguns com temor, oferecendo-Lhe orações com as mãos em prece. Os grandes sábios e seres perfeitos estão lhe oferecendo orações selectas, repletas de adoração e dizendo: ‘Que toda auspiciosidade recaia sobre o universo’. Os semideuses conhecidos como Rudra, Aditya, Vasu, Sadhya, Visvadeva, os Gêmeos Asvini-Kumara, as deidades dos ancestrais, as raças Gandharva, Yaksa, Asura e Siddha contemplam Você; na verdade todos observam Você maravilhados. Você é a origem eterna de todos os semideuses e o único refúgio do universo. Você é o único conhecedor e cognoscível e a corporificação da transcendência. Ó ilimitado! Este universo é penetrado por Você.” (Sri Gita, 11.15-22,38)

Após isso, o inigualável quadrigário de Arjuna ainda dá importantes instruções sobre o conhecimento espiritual e revela o mais oculto de todos os tesouros que é o próprio afeto e estima que Ele tem por Arjuna. “Ouça mais uma vez o Meu ensinamento supremo e o mais oculto de todos os tesouros. Você Me é muito querido, e é realmente por isso que Eu revelo este Meu supremo ensinamento para seu verdadeiro benefício. Krishna deixa claro então que o verdadeiro conhecimento espiritual só pode ser obtido por meio do afeto e da devoção que a alma cultiva em relação a Deus e ao mestre espiritual, que é a única forma de despertar a boa vontade do Absoluto em favor de suas partículas infinitesimais .

No final do texto Krishna ainda instrui Arjuna a abandonar todas as formas de religião e se entregar tão somente a Ele: “abandonando todos os tipos de religião, entregue-se apenas a Mim. Eu o libertarei de todos os tipos de pecado. Portanto não se desespere”. (Sri Gita, 18.66).

Por fim o grande guerreiro Arjuna se apruma, recobrando suas forças e declara: “Ó infalível! Por Sua graça, minha ilusão foi dissipada. Posso agora recobrar minha identidade, todas as minhas dúvidas se foram e permaneço rendido a Você. Agora seguirei Sua ordem (Sri Gita, 18.73). Arjuna se levanta então para a batalha - que dura dezoito dias - na qual praticamente toda a força bélica existente no planeta é aniquilada. Os Pândavas, a quem Krishna se dispôs a proteger pessoalmente, foram um dos poucos sobreviventes dessa assombrosa guerra.

O sábio Sanjay, narrador do Gita, declara no último verso do texto: Onde quer que se encontrem o Senhor Supremo de todos os poderes místicos, o próprio Senhor Sri Krishna, e o arqueiro conquistador de opulências, o próprio Arjuna, ali mesmo prevalecerá a deusa da boa fortuna, a deusa da vitória e a virtude suprema. Decerto esta é minha firme conclusão. (Sri Gita, 18.78)



O Gita então é matéria indispensável de estudo para todo praticante de Yoga e para todo aquele que se dedica ao auto-conhecimento e à auto-realização.

Textos Clássicos

Yoga Sutra de Patanjali

O Yoga Sutra foi escrito por volta do ano 360 d.c pelo sábio Patanjali que codificou
o sistema védico de Yoga, reunindo-o em uma escritura bastante técnica. Alguns estudiosos consideram o Yoga Sutra como um verdadeiro tratado de psicologia. A obra constitui-se de 195 versos organizados em quatro capítulos: Samadhipada, que trata da definição de Yoga e dos estados mentais característicos em Yoga e em não-Yoga; Sadhanapada, que trata da prática de Yoga, Vibhutipada que trata dos benefícios e dos riscos advindos da prática de Yoga e Kaivalyapada, que trata do processo de emancipação final alcançado através da Yoga.

Na primeira parte, o Yoga Sutra começa definindo Yoga: Yoga é a habilidade de voltar a mente exclusivamente em direção a um objeto e sustentar essa direção sem quaisquer distrações (Yoga Sutra 1.3). Dessa forma, enquanto a mente se mantém nesse estado de Yoga, a pessoa tem condição de ter uma percepção direta e verdadeira do objeto de sua meditação. Fora do estado de Yoga a habilidade de compreender o objeto é simplesmente substituída pela concepção mental desse objeto ou por uma total falta de compreensão. (Yoga Sutra 1.4)

Os cinco vrttis, ou atividades mentais que devem ser controladas para que o praticante se mantenha em Yoga são: compreensão correta, compreensão errônea, imaginação, sono profundo e memória. (Yoga Sutra 1.6). De acordo com o comentário dado pelo professor Desikachar , o predomínio e os efeitos de cada uma delas sobre o nosso comportamento e atitudes combinam-se para formar nossa personalidade.

O estado de Yoga, de acordo com o Yoga Sutra, só pode ser conseguido por meio da prática constante e do desapego. Essa prática deve ser seguida por um longo tempo, sem interrupções e com as qualidades de uma atitude positiva e entusiasmo, para que se obtenha o sucesso desejado (Yoga Sutra 1.12-14). Além disso, o Yoga Sutra destaca que o estado de Yoga também pode ser alcançado oferecendo orações regularmente a Deus com um sentimento de submissão ao seu poder (1.23). Deus é definido na escritura como o Ser Supremo cujas ações nunca se baseiam em compreensão errônea, que conhece tudo que há para ser conhecido, que é eterno, o professor definitivo, sendo a fonte de orientação para todos os professores (Yoga Sutra 1.24-27).

Dessa forma, com fé, prática constante, desapego e orações a Deus, a pessoa pode evitar os Klesas, ou obstáculos que surgem naturalmente ao longo da prática de Yoga. São eles: doença, estagnação mental, dúvida, falta de prudência, fadiga, excesso de complacência, ilusões sobre o seu próprio estado mental, falta de perseverança e retrocesso. Todos esses obstáculos acabam por causar alguns dos seguintes sintomas: desconforto mental, pensamento negativo, incapacidade de sentir-se confortável em diferentes posturas do corpo e dificuldade de controlar a própria respiração (Yoga Sutra, 1.30,31).

Na segunda parte da obra, o Yoga Sutra apresenta o Ashtanga Yoga, ou os oito componentes que perpassam o desenvolvimento da prática de Yoga (2.29):

1. Yama – atitudes para com o meio ambiente
2. Nyama – atitudes para conosco
3. Asanas – prática dos exercícios físicos
4. Pranayama – prática de exercícios respiratórios
5. Pratyahara – prática do controle dos sentidos: “Quando o praticante de ioga não está mais viciado nos desfrutáveis objetos dos sentidos do som, textura, forma sabor e odor; quando não está mais apegado a nenhuma ação buscando desfrutá-las, e tendo atingido a mais completa renúncia de todos os planos de tal ação, apenas então poderá ser aclamado como sendo aquele que verdadeiramente atingiu a ioga”. (Sri Gita, 6.4)
6. Dharana – prática da concentração mental: “Pela mente controlada por Dharana, deve-se completamente estabelecer a mente na alma. Então, pela prática gradual, removendo a mente dos objetos externos, deve-se atuar no transe do Samadhi e não pensar, nem por um segundo, em nada além da alma.” (Sri Gita, 6.27)
7. Dhyana – prática de meditação: “Ó heróico Arjuna! Sem dúvida a mente é intável e extremamente difícil de controlar. Entretanto, ó filho de Kunti, a mesma é subjugada pela prática contínua da meditação iogue na Superalma, como ensinada pelo mestre espiritual fidedigno, e pelo abandono do desfrute mundano dos sentido.” (Sri Gita, 6.37)
8. Samadhi – cultivo do estado de Yoga de completa união com a natureza do Ser Individual (atma) e o Ser Supremo (paramatma): “O estado de perfeito Samadhi, ou transe, é aquele em que a mente disciplinada do iogue obtém o desapego – até mesmo do mais leve pensamento de conotação mundana. O iogue permanece satisfeito apenas no Senhor. Tendo vivenciado a Superalma diretamente por meio de seu coração purificado, experimenta aquela felicidade eterna, perceptível pela divina inteligência da alma e destituída do contato com os sentidos e com os objetos dos sentidos – e nunca se desvia da natureza intrínseca da alma. (Sri Gita, 6.20-22)

Os Yamas e os Nyamas são considerados a base que sustenta a prática de Yoga. O Yoga Sutra estabelece cinco Yamas e cinco Nyamas, a saber:

Os cinco Yamas:
1. Ahimsa: não violência, consideração por todos os seres vivos, especialmente os que são inocentes, os que estão em dificuldade ou em situação pior do que a nossa .
2. Satya: veracidade, honestidade, boa conduta.
3. Asteya: ausência de cobiça por algo que não lhe pertence.
4. Brahmacharya: castidade ou auto-controle.
5. Aparigraha: ausência de apego por posses e prestígio.

Os cinco Nyamas:

1. Saucha: limpeza, pureza, asseio.
2. Santosha: contentamento.
3. Tapas: austeridade, prática constante.
4. Svadhyaya: prática constante de auto investigação e estudo de textos sagrados.
5. Ísvara-pranidhana: prestar reverências ao Supremo Senhor.

A prática atenciosa dos três últimos Nyamas constitui-se no processo conhecido como Kriya Yoga, e por si só leva o praticante a observar os demais Yamas e Nyamas e atingir os mais elevados estágios da prática de Yoga.
Segue um vídeo Produzido pelo meu amigo Mário da Multiversidade. Não está com o áudio muito bom mas tem uma sequência de asanas legal.

O que é Yoga?

A palavra “Yoga” significa literalmente “união”. A raiz “yug” nos remete a idéia de junção, ligação, conexão. É toda atividade que busca o reencontro, a re-ligação com a identidade verdadeira do ser individual.
Yoga parte da premissa de que a verdadeira identidade do ser individual situa no plano da alma que, de acordo com autoridades no assunto, é constitucionalmente espiritual, sendo por isso eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança: “Saiba que a alma que penetra o corpo inteiro é imperecível. Ela é imutável, perpétua, e ninguém pode destruí-la (Sri Gita 2.17).
Dessa forma, a prática de yoga visa limpar o espelho da alma, eliminando toda ignorância que faz com que a pessoa se identifique com aquilo que é presa do sofrimento e da morte. “Todas as misérias desaparecem quando se alcança o contentamento do coração. A inteligência de tal pessoa logo absorve-se inteiramente em sua meta desejada. Portanto, somente por meio de bhakti (devoção) tranqüiliza-se o coração (Sri Gita 2.65)”.
A idéia de Bhakti, ou devoção, aparece em Yoga à partir do amadurecimento desse processo de auto conhecimento, em que naturalmente começa a ser revelado no coração do praticante a sua relação eterna com o Absoluto. “A alma impecável e pura de coração, que está satisfeita no eu e atingiu sua natureza divina consciente, não se lamenta nem anseia por algo. Vendo a todos os seres igualmente, gradualmente atinge devoção suprema por Mim (Sri Gita 18.54).
A troca amorosa e recíproca com o Senhor Supremo, presente no âmago de tudo o que vive, traz para a alma todo o tipo de prazer extático que erroneamente é buscado nas coisas passageiras do mundo. “Eu reciproco à medida que a pessoa se refugia em Mim. Sendo a meta final de todas as filosofias e doutrinas, Eu sou o objetivo a ser alcançado por todos (Sri Gita, 4.11).
A partir do momento em que iniciamos nossa jornada rumo ao centro absoluto, percebemos, aos poucos, os doces vestígios de uma bela realidade transcendental a este plano da mortalidade. Experienciar doçuras vindas de províncias superiores é fundamental para que o praticante fortaleça sua fé e se sinta impelido a continuar sua trajetória.

ASANAS


Os asanas (pronuncia-se ássanas), são a parte mais conhecida da Yoga no ocidente. São as famosas posturas psicofísicas, aliadas importantes daquele que deseja progredir no caminho do auto-conhecimento.

No nível físico, os asanas promovem a saúde de todos os sistemas orgânicos, aumentando a imunidade, a capacidade digestiva e respiratória. Regulam as funções hormonais, restabelecem e protegem o sistema nervoso, fortalecem os ossos, dão firmeza e resistência aos músculos, promovem a saúde das articulações aumentando a flexibilidade do corpo, e favorecem a eliminação de toxinas pelo sistema excretor, trazendo para o corpo vitalidade e beleza.

No nível energético, os asanas promovem a livre circulação do prana por todo o corpo, ativando os chacras, desobstruindo os canais de energia e estimulando os vayus. Permitindo com que o praticante leve a consciência para cada parte do corpo.

No nível psíquico, os asanas trazem clareza e vigor mental, eliminando as distrações e o conseqüente desperdício de energia. Além disso, proporcionam conforto e bem-estar eliminando estados mentais como desânimo, depressão, desamparo, desespero, fadiga crônica, síndrome do pânico, melancolia, raiva, mágoa, ressentimento e rancor.

Entretanto, os asanas são apenas uma das ferramentas que a Yoga oferece no caminho de auto-conhecimento e auto-realização. Seria ingênuo afirmar que somente com a prática de asanas é possível remover todos os obstáculos que se colocam no caminho do praticante. O que eles oferecem é uma resistência física maior, e uma mente mais focada e estável para que a pessoa siga com mais conforto e determinação na sua busca por livrar-se das amarras mundanas e retornar à Deus, o Absoluto, a Suprema Realidade Original.

Como dito anteriormente, a prática de asanas deve ser feita com muita atenção, observando as mudanças na respiração e mantendo uma mente atenta. Lembramos que o prana é o veículo da consciência, e dessa forma, onde há consciência há energia. Portanto quando levamos a nossa atenção a uma parte qualquer do corpo, o prana flui naturalmente para ali. Maior benefício trará a prática de asanas se em cada postura o praticante estiver consciente do seu corpo como um todo. Essa atitude fará também com que o praticante respeite os seus limites evitando lesões e desgastes desnecessários enquanto pratica os assanas.

Podemos dividir os asanas em oito categorias diferentes:
1- posturas em pé: fortalecem e alongam as pernas, equilibram, centralizam e fortalecem o tronco. Ex: tadasana, chandrasana, virabhadrasana.

2- posturas de equilíbrio: fortalecem as pernas, centralizam o corpo, proporcionam equilíbrio e firmeza para o corpo e para a mente. Ex: vrksana, natarajasana.
3- posturas de equilíbrio dos braços: fortalecem os braços e o peito, proporcionam equilíbrio e firmeza, desenvolvem determinação e perseverança. Ex: kakasana.
4- posturas de abertura de quadril: alongam as pernas, melhoram a circulação sanguínea na região do quadril, regulam distúrbios menstruais e sexuais, preparam a gestante para um parto melhor. Ex: baddha konasana, upavista konasana.
5- posturas extensão: melhoram a atividade respiratória, ativam os chacras, previnem cardiopatias, aumentam a flexibilidade da coluna, trazem vitalidade para o corpo ativando o prana vayu. Ex: ustrsana, dhanurasana, purvotanasana, chacrasana.
6- posturas de flexão para frente: regulam e revitalizam o sistema digestivo, aumentam a flexibilidade da coluna, eliminam tensões e dores nas costas, promovem a circulação de energia na região do quadril, alongam a parte posterior das pernas, prevenindo varizes. Espantam estados de fadiga crônica, depressão e desânimo. Ativam o apana vayu. Ex: paschimotanasana, uttanasana, vraja yogasana, janu sirsasana.
7- posturas de torção: atuam na desintoxicação do organismo e são extremamente importantes para a saúde das vértebras. Ex: matsyendrasana, mricyasana.
8- posturas de inversão: ajudam no retorno venoso, melhorando a circulação do sangue e a atividade respiratória, previnem varizes, regulam a atividade hormonal, principalmente da glândula tireóide. Favorecem a memória e o bom funcionamento do cérebro. Ex: salamba sarvangasana, sirsasana.

Recomenda-se que o praticante equilibre sua prática buscando incluir posturas de diferentes categorias.

SEQUÊNCIA BÁSICA PARA A PRÁTICA DIÁRIA:

1 – Abertura da prática: inicie com uma pequena meditação. Coluna ereta, cabeça alinhada, ossos das nádegas no chão, atenção no momento presente, ouça os sons à sua volta. Pratique a respiração completa com ujjayi pranayama e depois nadi sodhana. Entoe o mantra “Om” por três vezes;

2 – Tadasana (postura da montanha): de pé, corpo equilibrado, pés juntos, peso distribuído igualmente nos dois pés, coluna ereta, peito projetado pra frente, energia ascendente da base da coluna até o topo da cabeça, respiração completa, corpo imóvel como uma montanha. Permanência de 2 a 3 minutos.

3 - Padasana (postura da oração): a partir da postura da montanha, posicione as mãos unidas na altura do peito, mantendo a estabilidade e o equilíbrio da postura. Inspirando pode-se elevar as mãos acima da cabeça permanecendo nas pontas dos pés, fixando a atenção em um ponto. Expirando vai desenhando um círculo bem aberto em torno de si mentalizando um círculo de luz à sua volta.

4 – Movimento do elefante: mantenha as pernas um pouco separadas e, abrindo os braços, gire o tronco para direita e para esquerda deixando que o peso dos braços realize a torção na coluna. Cada expiração torça o corpo para um lado.

5 – Chandrasana (postura da lua): com as pernas um pouco abertas, inspire erguendo o braço direito até acima da cabeça. Expirando deixe o braço direito cair para o lado esquerdo, inclinando também o tronco e o pescoço. Sinta o alongamento lateral do corpo mantendo uma respiração calma e constante. Mantenha-se por 30 segundos a um minuto. Inspirando retorne a posição inicial e repita a postura para o lado oposto.

6 - Virabhadrasana II (postura do guerreiro II): separando bem as pernas e os braços, expanda o tórax. Respire profundamente. Gire o pé direito 90 graus para a direita, o pé esquerdo um pouquinho. Estique bem os braços, expire e vá dobrando a perna direita o máximo que puder até a coxa permanecer quase paralela ao chão. Não deixe que o joelho direito se projete à frente do tornozelo. Mantenha o tronco firme e estável na posição ereta, sem inclinar. Respire normalmente e mantenha uma atitude de determinação. Inspire e estique o joelho até as duas pernas estarem novamente esticadas. Repita o movimento para o lado oposto.

7 – Vrksasana (postura da árvore): retorne à postura da montanha e, mantendo a atenção focada em um ponto fixo, levante a perna esquerda, concentrando o peso do corpo na perna direita. Apóie o pé esquerdo na coxa direita, inspire e levante os braços acima da cabeça, mantendo as mãos unidas, sem criar tensão nos ombros. Permaneça por cerca de um minuto e retorne à postura da montanha. Equilibre a respiração e repita a postura sobre a perna esquerda.

8 – Uttanasana (postura intensa): a partir da postura da montanha, expire e deixe o corpo cair para frente descontraindo os ombros e as costas e alongando a parte posterior das pernas. Apóie os pés de forma uniforme no chão e mantenha as pernas esticadas na posição vertical. Permaneça de três a cinco minutos na posição, deixando os braços e o pescoço bem descontraídos.


9 – Dandasana (postura da bengala): a partir de uttanasana, flexione as pernas e repouse a base da coluna no chão. Estique as pernas para frente, mantendo os pés apontando para cima. Coloque as mãos ao lado do quadril e, com os braços esticados ao longo do tronco, mantenha a coluna estável, em um ângulo próximo a 90° em relação às pernas, peito e ombros abertos.

10 - Janu Sirsasana (postura da cabeça no joelho): em dandasana, flexione a perna esquerda colocando a sola do pé junto à parte interior da coxa, próximo ao períneo. Expirando incline o tronco para frente na direção da perna esticada. Os braços esticam-se para frente de forma que as mãos toquem, ou se aproximem do pé direito. A coluna se flexiona naturalmente. Mantenha os ombros e pescoço bem descontraídos. Permaneça respirando calmamente por cerca de um minuto. Inspire, erga o tronco na posição ereta, estique a perna esquerda, realize a postura da bengala e em seguida repita a postura com a outra perna dobrada.

11 - Baddha Konasana (postura do ângulo enlaçado) em dandasana traga os pés juntos até o períneo, deixando os joelhos caírem para os lados. Inspire, erga a cabeça para cima e projete o peito para frente. Expire e flexione a coluna para frente, soltando o peso do corpo sobre as virilhas. Aproxime o máximo a cabeça dos pés e as coxas do chão. Inspirando erga o tronco novamente e abrace as pernas, juntando os dois joelhos.

12 - Utkasana (postura de cócoras): apóie as mãos no chão e retire o quadril do chão, mantendo, se possível os pés completamente apoiados no chão. Se não puder pode ficar na ponta dos pés. Permaneça de um a três minutos na postura de cócoras, favorecendo o bom funcionamento dos intestinos.

13 - Kakasana (postura do corvo): apóie os joelhos nos cotovelos e concentre o peso do corpo nos braços, mantendo-se na ponta dos pés. Com o tempo pode-se arriscar a tirar os pés do chão apoiando-se apenas nos braços. Permaneça na postura o tempo que conseguir, mantendo a respiração estável.

14 - Paschimottanasana (postura do intenso estiramento do oriente): a partir da postura da bengala, inicline o tronco para frente com uma expiração, aproximando as mãos dos pés. Mantenha a respiração normal enquanto permanece na postura realizando uma flexão total da coluna para frente. Inspirando retorne à postura da bengala. Permaneça de uma a três minutos na postura.

15 - Purvotanasana (intenso estiramento do leste): a partir da postura da bengala, leva-se as mãos (encostando no chão) para trás do corpo. Inspirando erga o corpo todo do chão, procurando manter toda planta dos pés no chão. Umbigo pro céu, cabeça levemente inclinada para trás. Procure abrir bem o peito e os ombros e fortaleça os músculos do abdômen. Permaneça entre 30 segundos a um minuto na postura.

16 - Torção Simples: mantenha a postura da bengala. Erga os dois braços acima da cabeça expirando gire a coluna para a direita e leve o braço direito para trás do corpo e o braço esquerdo ao lado da coxa direita. Mantendo as mãos no chão realize uma torção maior na coluna a cada expiração. Permaneça um minuto e com uma inspiração retorne à postura da bengala. Execute o exercício para o lado oposto.
* Pode-se variar, dobrando o joelho direito, usando o braço esquerdo para intensificar a torção.

17 – Maricyasana (postura do sábio Maricy): em dandasana, flexione e eleve o joelho direito, mantendo a sola do pé no chão e a perna esquerda esticada com os dedos do pé apontando para cima. Passe o braço esquerdo por fora do joelho direito. Com uma expiração pressione o braço contra o joelho direito realizando uma torção na coluna. Leve junto o pescoço no movimento. Importante manter a coluna bem colocada e o mais ereta possível para que o trabalho de torção não prejudique as vértebras. Permaneça respirando calmamente por cerca de 30 segundos. Com uma inspiração retorne o tronco ao centro, volte à postura da bengala e realize o movimento para o lado oposto.

18 - Navasana (postura do barco): a partir de dandasana, flexione os dois joelhos mantendo as solas dos pés no chão. Inspirando incline o tronco para trás e, soltando o ar, retire os pés do chão procurando manter as pernas esticadas numa inclinação próxima a 45°. Se não conseguir isso, pode inclinar mais o tronco e aproximar os pés do chão. Estique os braços apontando-os firmemente na direção dos pés. Faça um esforço para manter a coluna o mais ereta possível. Sinta o trabalho na região abdominal. Permaneça de 30 segundos a 1 minuto na postura, dando ênfase à expiração. Inspirando retorne à postura da bengala.

19 – Salabhasana (postura do gafanhoto): em dandasana, coloque os cotovelos no chão e calmamente coloque o seu corpo deitado no chão, virando depois com a barriga para baixo. Mantenha o queixo no chão, os braços esticados para baixo e as mãos abertas pressionando o chão. Expire e erga as duas pernas do chão, o máximo que puder. Inspirando erga a cabeça, o peito, e os braços, mantendo apenas a região abdominal no chão. Os braços permanecem firmes apontando para trás. Sinta a contração e o fortalecimento dos músculos das costas. Permaneça o tempo que puder e depois expire retornando ao chão. Vire a cabeça de lado e relaxe um pouco o corpo.


Salabhasana

20 – Dhanurasana (postura do arco): ainda de bruços, flexione os joelhos e segure os pés ou a canela com as mãos. Expire e levante as pernas com os braços na direção do teto. Inspirando, puxe com as pernas os braços para trás retirando o tronco do chão. Erga a cabeça e sinta a intensa extensão na coluna. Permaneça na postura o tempo que puder com uma respiração mais curta. Se quiser pode realizar um movimento de balanço, para frente e para trás. Expire, soltando os braços das pernas e retorne ao chão. Vire a cabeça de lado e relaxe um pouco o corpo.

21 – Ustrasana (postura do camelo): estando de bruços, coloque suas mãos na altura do peito e erga o corpo na postura da mesa com as mãos e os joelhos apoiando no chão. Levante o tronco e fique de joelhos. Com as mãos na cintura, inspire e incline o tronco e a cabeça para trás, realizando uma extensão na coluna. Se não sentir a coluna lombar, apóie primeiramente uma mão no calcanhar e depois a outra. Com uma inspiração projete o peito para cima e para frente abrindo completamente os ombros e a caixa toráxica. Mantenha uma respiração curta, por 30 segundos a 1 minuto. Coloque uma mão na cintura, depois a outra e expirando sente sobre o calcanhar preparando para realizar a postura da reverência.
* Essa postura deve sempre ser compensada com a postura da reverência.

22 - Vraja Yogasana (postura da reverência): sentando-se sobre o calcanhar continue expirando enquanto flexiona o tronco a frente até sua cabeça encostar ou se aproximar do chão. Estique os braços para frente e preste uma reverência aos mestres da Yoga, ao espaço da prática, ao que há de mais sagrado dentro de você. Relaxe bem o pescoço e permaneça de 1 a 2 minutos na postura contrapondo o esforço realizado na região lombar pela postura anterior.

23 - Adho Muka Svanasana (postura do cachorro olhando para baixo): a partir da postura da reverência, erga o quadril, esticando as pernas. Mantenha as mão sobem abertas apoiando no chão e distancie mais um pouco os braços das pernas. Mantenha os pés um pouco separados e, expirando, contraia o abdômen e empurre o chão para frente com as mãos, buscando manter a coluna ereta e projetando o cóccix para trás e para cima tal qual um cachorro quando espreguiça. Mantenha os pés paralelos, apontando para frente, e as pernas bem esticadas realizando um alongamento na região posterior. Se não conseguir manter os calcanhares no chão, faça com que eles busquem o chão. Respire normalmente e permaneça na postura por pelo menos dois minutos. Expire e retorne com os joelhos no chão, na postura da mesa.


Adho Muka Svanasana

24 - Balancinho: a partir da postura da mesa, sente-se sobre os calcanhares e depois estique as pernas para frente na postura da bengala. Com a ajuda dos cotovelos, deite-se de costas para o chão e flexione os joelhos fazendo as coxas se encontrarem com o abdômen. Abraçando os joelhos balance o corpo para frente e para trás, realizando um massageamento dos músculos ao longo de toda a coluna. Balance, em seguida, de um lado para o outro, massageando os músculos laterais das costas e os rins. Inspire, estique as pernas e permaneça na postura deitada.

25 - Torção deitada: com a barriga para cima, flexione o joelho direito, aproximando a coxa do abdômen e mantendo o pé direito junto da coxa esquerda. Estique o braço direito para o lado direito e, expirando, empurre o joelho direito para a esquerda o máximo possível realizando a torção na coluna. Procure manter os dois ombros no chão. Inspire, traga o joelho de volta, repouse a perna no chão e realize o movimento para o lado oposto.

26 - Salamba Sarvangasana (postura da vela): com o corpo deitado, inspire e erga as pernas noventa graus do chão, mantendo todo o longo da coluna no solo e aponte os pés para cima. Levante também os braços apontando-os para cima. Permaneça alguns segundos, respirando normalmente. Em seguida, apoiando as palmas das mãos no chão, e inspirando, erga o tronco chão, com um leve balanço das pernas para trás. Dobre os cotovelos e apóie o tronco com as mãos. Vá erguendo o corpo o máximo possível, aproximando o peito do queixo. Mantenha o pescoço bem alinhado e não olhe para o lado enquanto realiza a postura. Fique cerca de cinco minutos na posição (exceto em período de menstruação). Em seguida deixe as pernas caírem para trás da cabeça, mantendo o pescoço alinhado durante todo o exercício. Expirando vai desfazendo a postura, encaixando vértebra por vértebra no chão.
* A postura da vela não é muito recomendada para mulheres em período de menstruação.

27 - Matsyanasana (postura do peixe): após a postura da vela, praticar essa postura para compensar o trabalho realizado na região do pescoço. Deitando com a barriga para cima apóie os cotovelos no chão e levante cabeça. Inspire abrindo o peito e colocando o topo da cabeça no chão. Respire normalmente e fique cerca de 30 segundos na posição. Para retornar apóie bem os cotovelos no chão e levante a cabeça, colocando, por fim, o corpo na postura deitada.

28 - Savasana (postura do cadáver): com o corpo deitado, separe um pouco as pernas e deixe os pés caírem para os lados. Aponte as palmas das mãos para cima numa atitude receptiva. Relaxe todo o corpo. Passeie com a atenção dos pés à cabeça e elimine toda as tensões musculares. Entregue-se à mãe terra, mantenha uma respiração suave e abdominal e a mente focada no momento presente. Permaneça de cinco a dez minutos na posição. Depois levante-se calmamente, espreguiçando e colocando-se na postura sentada, com a coluna ereta para fechar a prática.

Encerramento da prática: sente-se confortavelmente com a coluna ereta. Agradeça à presença toda-luminosa em seu coração e faça uma oração de fé em prol da saúde a da cura das pessoas à sua volta e do planeta. Entoe o mantra “Om” três vezes. Pratique novamente o Vraja Yogasana prestando reverência aos mestres da Yoga. Encerre a prática com alegria e disposição.

Namastê!

As diferentes escolas de Yoga

As diferentes escolas de Yoga que se apresentam atualmente no ocidente sofrem influência de duas tradições filosóficas distintas, que compõem uma parte do que viemos a conhecer hoje como hinduísmo: a tradição Smarta e a tradição Vaishnava.
O maior expoente da tradição Smarta é o mestre Shankara, que viveu no século VIII, e através dos seus comentários dos Upanisads, Vedanta Sutra e Bhagavad Gita, difundiu e sistematizou a filosofia advaita, ou não-dualismo.

A tradição Smarta acredita que a meta última da entidade viva é alcançar Moksha, ou a liberação dos ciclos dos nascimentos e mortes (Samsara) através da observação do Dharma, ou dever natural da entidade viva. Uma vez estabelecida firmemente no Dharma, e suplantando os desejos por Kama (satisfação material) e Artha (desenvolvimento econômico), a entidade viva cria condições para atingir a liberação. Uma vez liberta, a entidade viva não precisa mais assumir nenhuma forma e se funde no Brahman, ou o Todo Universal, perdendo a sua individualidade.


De acordo com essa tradição, tudo o que existe está contido dentro de Brahman, não existindo uma realidade espiritual separada do universo. Os diferentes deuses são apenas representações simbólicas de aspectos específicos do Brahman, que em última análise é desprovido de forma, nome e características. A devoção (Bhakti) e a fé são apenas estágios pelo qual o praticante passa para atingir o conhecimento (Jnana), que lhe permite distinguir o que é real do que é ilusório, levando-o à Moksha.

De forma distinta, a tradição Vaishnava considera que o conhecimento, assim como o poder são inferiores à fé e à devoção. De acordo com o que afirma o mestre Vaishnava Srila Bhakti Raksak Shridhar Dev-Goswami Maharaj: “Quando o coração desperta, a função do cérebro se aposenta”. Em seu livro “A Busca Amorosa Ao Servo Perdido” Shridhar Maharaj é ainda mais enfático:
“O amor, a beleza, a afeição e a harmonia são o anseio mais íntimo de toda alma viva e não o poder, o conhecimento ou qualquer outra ciosa. Este é o diagnóstico de toda a Criação no tempo e no espaço; a causa comum é uma só. Mas é raro uma alma chegar a um estágio tão claro de anseio pela realidade que lhe permita entender este ponto. Encontramos poucas almas neste mundo realmente conscientes de sua necessidade mais íntima , que percebem que: ‘queremos Krishna! Queremos Vrndavana!’ ”

Nessa perspectiva, abordar o absoluto somente por Sua concepção Brahman é ter uma compreensão incompleta da realidade espiritual. Se os Vedas descrevem que a realidade última é composta por Sat (eternidade), Cit(consciência ou individualidade) e Ananda (bem-aventurança), o Absoluto Supremo não pode ser diferente. Brahman se refere apenas ao aspecto eterno do Absoluto, que é onipresente e oniabrangente. Contudo temos o aspecto consciência do absoluto que é chamado de Paramatma ou Superalma e o aspecto de bem-aventurança que é chamado de Bhagavan.


Paramatma é o aspecto localizado do Absoluto. Refere-se ao caráter onipenetrante da Divindade que se faz presente no coração de tudo o que é vivo e dentro de cada átomo e célula do universo, Bhagavan se refere ao aspecto pessoal do Supremo, que é oniatraente, pleno de nomes, formas e qualidades transcendentais à energia ilusória. Todo o encanto, a doçura e a beleza advindos das qualidades eternas da Pessoa Suprema, são fatores máximos de atração para as entidades vivas que, uma vez despertas para o mundo espiritual, têm a oportunidade de ingressar em uma relação amorosa, eterna e bem-aventurada com o Absoluto. Conforme corroborado por Sri Krishna no Bhagavad Gita:
“ Por meio da arte de conectar-se em serviço, oferecendo todas as suas atividades a Mim, com a compreensão de que apenas Eu sou a meta suprema, abrigue-se no enlace de sua inteligência coMigo e permaneça sempre e lealmente devotado a mim” (Sri Gita 18.57).

Para o Vaishnava o serviço devocional ao mestre espiritual e à Pessoa Suprema é ao mesmo tempo o fim e o meio pelo qual a entidade viva realiza o seu potencial pleno. A posição da entidade viva é inconcebível, sendo simultaneamente una e separada do Senhor. Una por que é feita da mesma substância espiritual - composta por eternidade, consciência ou individualidade e bem aventurança - mas separada porque, diferente de Bhagavan, que é infinito e ilimitado, a entidade viva é finita e limitada.


“A verdade absoluta, a substância transcendental que é objeto de nossa indagação através da fé, está dotada de todo poder e de toda consciência. Ele é bondoso, benevolente e doce. Seu poder é infinitamente superior ao nosso, e nós somos infinitamente menores do que Ele. Nossa atitude deve ser de que, comparados a Ele, somos insignificantes.” – Srila B.R Shridhar Dev-Goswami Maharaj
Somente por meio da fé e da rendição ao Centro Absoluto, a entidade viva pode transcender ao ambiente ilusório e situar-se na plataforma espiritual de serviço devocional amoroso ao Senhor.

É importante, que o praticante e estudante de Yoga saiba discernir essas duas correntes filosóficas para não se deixar levar por uma compreensão parcial da realidade espiritual, correndo o risco de almejar uma dissolução total no Brahman impessoal, tornando-se assim desprovido das qualidades espirituais necessárias para uma relação de amor, afeto, beleza, doçura e encanto, que se origina de uma atitude de humildade, submissão e rendição ao Mestre Espiritual e à Suprema Personalidade de Deus.