A Verdade Revelada (Parte IV)


Saudações! Essa é a quarta da série de cinco postagens que estou publicando sobre o texto de Srila Govinda Maharaj!

Vamos seguindo examinando e meditando nas palavras do bom professor!

Abraços com afeto!

Força Purificadora da Devoção

Srila Guru Maharaj também questionou Srila Saraswati Thakur sobre o que deve ser feito quando um devoto digno faz algo errado. Srila Guru Maharaj era altamente qualificado e uma autoridade em direito material. Ele estava pensando que um devoto deveria ser punido de acordo com as regras materiais quando ele quebrasse as regras e regulamentos, mas Srila Saraswati Thakur não concordou.

Srila Saraswati Thakur disse, “Seu destino, seu futuro, nasce da sua concepção. Mani-maya-mandira-madhye pasyati pipilika chidram, se você se concentrar nas falhas de um devoto então sua concepção será como a de uma formiga; uma formiga entra num templo decorado com jóias de ouro e olha apenas para os buracos nas paredes.

Somente quando você buscar as boas qualidades nos devotos seu futuro será exaltado e você prosseguirá corretamente em direção ao serviço.”

Srila Saraswati Thakur respondeu a Srila Guru Maharaj dessa maneira, mas não respondeu completamente sua questão. Então um dia, cerca de seis meses depois em Madras, enquanto Srila Saraswati Thakur estava lendo o Srimad-Bhagavatam em seu quarto, deparou-se com um sloka e ele chamou Srila Guru Maharaj, “Aqui está a resposta para sua questão.”

Srila Guru Maharaj tinha apresentado para Srila Saraswati Thakur sua questão sobre o mau comportamento de devotos seis meses atrás. Quando Srila Saraswati Thakur disse, “Aqui está a resposta de sua pergunta”, Srila Guru Maharaj ficou surpreso e pensou, “Qual é minha pergunta?” Mas quando Srila Saraswati Thakur entregou o livro para ele e Srila Guru Maharaj viu o sloka, ele imediatamente lembrou e entendeu a questão.

Srila Saraswati Thakur estava respondendo. Esse sloka era,

sva-pada-mulan bhajatah priyasya
tyaktanya-bhavasya harih paresah
vikarma yach chotpatitam kathanchid
dhunoti sarvam hrdi sannivistah
(Srimad-Bhagavatam: 11.5.42)

O significado é que não é necessário aplicar leis materiais para os devotos dedicados do Senhor. É possível que tais devotos dedicados possam fazer algo errado, seu corpo mundano e posição mental nem sempre estão num estado de liberação. É possível que algumas vezes eles possam ser poluídos pelo ambiente ilusório. Mas porque eles são dedicados, porque eles estão servindo o Senhor e cantando Seu Sagrado Nome, o Senhor está vivendo dentro de seus corações e o Senhor vai limpar seus corações. O Senhor vai remover suas ofensas por Sua divina influência. Se eles são dedicados a Krishna então Ele vai cuidar de tudo. Não é necessário que um devoto dedicado faça qualquer prayaschitta, expiação.

Nós podemos também entender que um devoto dedicado sempre sentirá anutapa, arrependimento, quando ele compreender que fez algo errado. Ele vai pensar, “Por que eu fiz isso? Isso é muito ruim!” Eles vão analisar-se muito a sério desta maneira e o fogo de seu arrependimento também purificará seus corações de qualquer poluição.

É necessário que todos discutam e compreendam este sloka. Existem sentimentos muito poderosos dentro dele e quando todos entenderem isso serão purificados muito rapidamente.

O serviço ao Senhor é transcendental sem dúvidas, e nós não podemos dizer quando a liberação chegará na vida de uma alma dedicada. Contudo, também é necessário para todos que sigam as leis materiais e sociais, e que mantenham-se no mundo material sem provocar nenhuma perturbação na sociedade.

As pessoas estão sempre odiando, odiando, odiando quando vêem alguns desobedecendo as leis da sociedade, mas nenhuma solução para isso virá através do ódio. A única solução é dedicação e serviço ao Senhor.

O Senhor e o poder da devoção irão purificar os corações de todos e remover todo e qualquer traço de desejo mundano e ego. Nada externo pode fazer isso.

Visão Positiva

Srila Guru Maharaj nos ensinou que, sempre que vemos um defeito em alguém, isso é um teste enviado para nós por Krishna, para nos purificar. Srila Guru Maharaj nos deu essa visão e sentimos que se todos enxergarem com esse tipo de visão, então Krishna estará feliz e todos serão espiritualmente beneficiados. Isso é muito importante porque nós vivemos num oceano de falhas e podemos encontrar alguém com falhas por toda parte. Mesmo muitos dos praticantes espirituais em torno de nós são imperfeitos. Então nos tornaremos desesperançosos se não tentarmos ver as boas qualidades nos outros e em nosso meio ambiente.

Uma estudiosa ocidental, Katherine Mayo, uma vez veio à Índia para aprender sobre filosofia indiana, mas depois de chegar ela criticou publicamente a cultura indiana. Quando isso aconteceu Mahatma Gandhi disse, “Ela não veio para apreciar a riqueza da Índia, ela veio para inspecionar seus esgotos. Ela é uma inspetora de esgoto.” Nós ouvimos essa história de Srila Guru Maharaj.

Nós não devemos ser inspetores de esgoto. Pela misericórdia de Krishna devemos tentar ver beleza e charme por toda parte.

Srila Guru Maharaj disse, “Errar é humano, mas perdoar é divino.” Todos tem imperfeições e algumas vezes farão algo errado. Mas por que deveríamos perder nosso humor devocional por causa disso? Através de seu humor devocional Srila Guru Maharaj pôde ver bondade por toda parte, ele oferecia muito respeito a todos os devotos e também oferecia muito respeito mesmo para pessoas que estavam contra o Vaisnavismo.

Mani-maya-mandira-madhye pasyati pipilika chidram. Devotos dedicados podem fazer algo errado, mas nós não devemos agir como formigas que vêem somente os buracos em um templo de ouro. Nós não devemos ser inspetores de esgoto procurando as falhas dos devotos. Nós temos muito mais capacidade do que as formigas, nós devemos enxergar que todos os devotos dedicados tem a propriedade do ouro dentro de seus corações e devemos conscientemente tentar identificar suas boas qualidades.

A Verdade Revelada (parte III)


Amigos meus, vamos seguindo com as instrunções nectáreas de Srila Govinda Maharaj!

Começa com a resposta à questão: como devemos enxergar o devoto?

Aproveitem! Abraços com afeto a todos!

Ética Espiritual Radical

Essa é a explicação de Srila Rupa Goswami Prabhu sobre como devemos ver um devoto do Senhor. Mas a explicação do próprio Krishna é revolucionária e milagrosa. Krishna disse,

api chet su-duracharo bhajate mam ananya-bhak
sadhur eva sa mantavyah samyag vyavasito hi sah
(Srimad Bhagavad-gita: 9.30)

“Através de sua visão do conhecimento Védico e de seu entendimento do que é bom e ruim, se você vê um devoto dedicado exclusivamente a Mim, um ananya-bhak-bhakta, fazendo alguma coisa terrivelmente errada ou enxerga algum defeito nele, você nunca deve pensar que ele não é Meu devoto. Você nunca deve pensar que ele não é perfeito e que aquilo que ele faz também não é perfeito. É minha declaração de que quem é Meu devoto rendido, um ananya-bhak-bhakta, não é apenas um sadhu, mas tudo o que ele faz está sempre correto por causa de seu exclusivo humor devocional.”

É muito difícil de entender. Ruim é ruim e bom é bom. Nós aprendemos o que é bom e o que é ruim em todas as Escrituras. Durachara significa alguém cujas ações contrariam as regras e regulamentos Védicos, e su-durachara significa alguém cujas ações são extremamente ruins nesse sentido.

Então como podemos agora digerir que alguém que faça algo errado dessa maneira esteja na verdade certo e perfeito? O que é isso?

Krishna está dizendo que, porque Seu devoto tem o correto propósito de serví-lO, mesmo que Seu devoto tenha dado um tapa em alguém, ainda assim ele agiu muito bem e não cometeu ofensa? Krishna está dizendo que tudo que este devoto tenha feito está correto? Que mesmo que Seu devoto esteja agindo errado, isso é muito bom?

Sim! Samyag vyavasito hi sah, Krishna está dizendo que Seus devotos são ananya-bhak-bhaktas, devotos seguindo uma vida exclusivamente devocional, e se qualquer perturbação acontece em suas vidas Ele não se importa e Seu devoto não recebe nenhuma reação por isso. Naturalmente ação e reação estão sempre acontecendo neste mundo, “Para cada ação existe uma reação igual e em sentido oposto.” Mas Krishna não se importa.

Isso ainda é muito difícil de entender. Mesmo os doze Mahajanas tiveram problemas com esta questão e discutiram-na repetidas vezes. Os doze Mahajanas puderam aceitar sinceramente essa declaração de Krishna, mas quando eles ouviram que essa era a declaração conclusiva e final de Krishna, e consideraram o significado dessa expressão, eles ficaram confusos sobre como harmonizá-la com sua visão relativa. Depois de discutirem esse sloka por algum tempo eles decidiram que, se Krishna disse que Seu devoto exclusivo poderia fazer mal externamente e continuar corretamente situado, então eles teriam que acreditar nisso. Mas quando eles leram a próxima declaração de Krishna ficaram ainda mais confusos.

ksipram bhavati dharmatma
sasvach-chhantim nigachchhati
kaunteya pratijanihi
na me bhaktah pranasyati
(Srimad Bhagavad-gita: 9.31)

Aqui Krishna declara, “Sim, Meu devoto exclusivamente dedicado pode fazer grande mal externamente, mas o que ele faz está sempre correto porque ele está empenhado em lembrar de Mim e Me servir. Através de seu rendido humor devocional ele será purificado, ele se tornará rapidamente mais perfeito e seus defeitos serão dissipados. Ele se tornará dharmatma, virtuoso, ficará em paz eternamente e não terá mais problemas no futuro. Assim, declare a todos que Meus devotos nunca são vencidos.” Krishna promete isso para Seus devotos puros e para todos.

Srila Visvanath Chakravarti Thakur também acrescentou muito bem em seu comentário Sânscrito no Srimad Bhagavad-gita que Krishna quer dizer, “Ó Arjuna, algumas vezes Eu precisei quebrar Minhas promessas para o bem de Meus devotos, então ainda que Eu prometa a todos, ‘Na Me bhaktah pranasyati, Meus devotos nunca são destruídos’, todos podem ainda ter alguma dúvida sobre isso. Então essa é Minha ordem, que você prometa isso, que você prometa que Meus devotos nunca são destruídos. Eu não posso manter sempre Minhas promessas e você também não pode manter suas promessas. Mas Eu sempre mantenho as promessas de Meus devotos e todos sabem disso. Então você prometeu que Meus devotos nunca serão arruinados.” Desta maneira Krishna garantiu a todos que Seus devotos nunca serão vencidos.

A Sempre Respeitável Propriedade do Ouro

Pergunta: Eu tenho ouvido muitas explicações diferentes desse verso “api chet su-duracharo.” Eu ouvi uma interpretação de que o comportamento errado, su-durachara, é aparente apenas em nossa visão, e eu ouvi outra interpretação de que o comportamento do devoto é realmente errado, su-durachara. Mas minha questão é, como estimar se alguém é um ananya-bhak-bhakta, um devoto exclusivamente rendido e dedicado?

Srila Govinda Maharaj: No sloka “api chet su-duracharo bhajate Mam ananya-bhak”, Krishna indica que se você vê algo ruim no caráter de Seus devotos, você não deve julgá-los, você não deve insultá-los e você não deve cometer nenhuma ofensa contra eles. Você pode escolher não se associar com eles, mas você deve também ignorar suas falhas e nunca considerar que eles são realmente malfeitores, su-durachara. Em vez disso, você deve tentar com consciência observar como a vida espiritual deles está acontecendo e honrá-los como devotos do Senhor.

Você deve pensar, “Eles tem a propriedade de ouro da rendição e devoção em seus corações (ananya-bhak-bhakti). Eles são devotos de Krishna e jamais fariam nada errado voluntariamente. Tudo que vier através da atividade deles é certamente para a satisfação do Senhor e deve ser positivo.”

Se uma peça de ouro cai num lugar sujo ainda é respeitada como ouro, não será ignorada ou rejeitada. Similarmente, você nunca deve ignorar a propriedade de ouro em seus corações, você deve sempre considerar que a propriedade de ouro da devoção está dentro deles. Mesmo que suas atividades pareçam impróprias você nunca deve ignorar a propriedade de ouro dentro deles. A qualquer momento este ouro pode ser tirado deste lugar sujo e brilhar límpido. Então você deve ser muito sério e cauteloso antes de comentar qualquer coisa negativa sobre eles. Para sua própria segurança você deve ser muito cuidadoso e não cometer nenhuma ofensa contra eles. Este é o significado de sadhur eva sa mantavyah.

O próximo sloka de Krishna, ksipram bhavati dharmatma sasvach-chhantim nigachchhati também apóia esta ideia. Srila Bhakativinod Thakur aliviou a confusão dos Mahajanas explicando que nesse sloka Krishna quer dizer, “Se você conscientemente considerar que as atividades deles não são ruins, mas muito boas, que eles estão completamente rendidos a Krishna e que o que você pensou que fosse ruim no caráter deles era na verdade bom, então você estará sendo justo e ficará em paz, assim você se tornará um grande devoto de Krishna.”

Em nossa vida podemos ver tudo como nosso inimigo e também podemos ver tudo como nosso amigo. Nosso dever é o de fazer amigos, não inimigos, e se tentarmos de coração e alma fazer isso através desse revolucionário ajuste de nossa consciência dado por Krishna, então teremos que conseguir um bom resultado, e o que parece ruim para nós agora veremos no futuro que é na verdade bom para nós.

A Natureza Revolucionária do Absoluto Pecado e Religiosidade

Dessa maneira podemos entender os revolucionários ensinamentos de Krishna. Ele faz as regras. Ele revela as Escrituras Védicas e ensinamentos espirituais evolutivos, e Ele também os descarta. Ele faz as regras e Ele também desobedece as regras.

Isso é muito difícil para as pessoas em geral digerirem. Muitas pessoas estão aptas para entender algo sobre o conhecimento Védico, a cultura e a filosofia Védica etc., mas eles lutam para entender este ponto delicado. O ponto principal do entendimento necessário para harmonizar tudo – para compreender de maneira adequada o revolucionário ensinamento de Krishna – é dado por Krishna no Padma Purana.

man-nimittam krtam papam api dharmaya kalpate
mam anadrtya dharmo’pi papam syan mat-prabhavatah
(Padma Purana)

Krishna diz, “Qualquer coisa que você faça para Mim, mesmo se isso for pecaminoso de acordo com a lei Védica, é na verdade um ato religioso (dharma), e qualquer coisa que você faça que não seja para Mim, mesmo se isso for religioso de acordo com a lei Védica, é na verdade um ato pecaminoso.”

O conselho de Krishna é revolucionário mas também simples. É na verdade uma descrição direta da posição de todas as almas-jiva como Seus eternos servos. O ensinamento de Krishna é na verdade uma expressão da espiritualidade universal natural a todas as almas: qualquer coisa feita sem consciência de Krishna é pecaminosa e tudo feito para Krishna é verdadeiramente religioso. Esta é a chave para harmonizar tudo e entender o revolucionário ensinamento de Krishna na conclusão do Srimad Bhagavad-gita e do começo ao fim do Srimad-Bhagavatam – a revolução subjetiva da consciência de Krishna.

A Verdade Revelada (parte II)


Segue as instruções nectáreas de Srila Govinda Maharaj falando sobre Krishna, o revolucionário".

Saudações!

“Eu sou Tudo em Tudo!”

Que provas podem existir para a revolucionária ideia de que a recomendação final dos Vedas é abandoná-los? A primeira excelente evidência para isso é encontrada nas instruções de Krishna para Uddhava no Srimad-Bhagavatam. Krishna inicialmente deu uma pista sobre Seus revolucionários ensinamentos para Arjuna no final do Srimad Bhagavad-gita com Seu sloka: sarva-dharman parityajya, mam ekam saranam vraja. Mas o Srimad- Bhagavatam começa a partir desse estágio. O Srimad-Bhagavatam começa a partir do próprio ensinamento de Krishna não de uma subjetiva evolução da consciência, mas de uma subjetiva revolução da consciência. E nas instruções de Krishna para Uddhava no Srimad- Bhagavatam encontramos o ensinamento revolucionário de Krishna sobre a conclusão do Srimad Bhagavad-gita expresso mais claramente:

tasmat tvam uddhavotsrjya chodanam pratichodanam
pravrttim cha nivrttim cha srotavyam srutam eva cha
mam ekam eva sranam atmanam sarva-dehinam
yahi sarvatma-bhavena maya sya hy akuto-bhayah
(Srimad-Bhagavatam: 11.12.14-15)

A primeira condição de Krishna em Suas instruções para Uddhava foi, “Uddavotsrjya! Uddhava! Sejam quais forem as regras e regulamentos dados pelos Vedas, tudo o que foi apresentado para a evolução espiritual e elevação das almas condicionadas para a morada transcendental nos Vedas, tudo isso você deve evitar! E não somente evitar, se acontecer de isso chegar a você, jogue-o fora!” Prabhupada Srila Saraswati Thakur explicou a palavra utsrjya desta forma. Eu ouvi de Srila Guru Maharaj que Srila Sraswati Thakur usou uma palavra da língua Oriyam, phaphadiba, que significa, “Jogue isso fora!” E o que está sendo evitado e jogado fora?

Krishna diz, “Chodanam pratichodanam, a inspiração dada nas Escrituras para seguir a perfeita linha evolutiva Védica, ambos os sruti e os smrti, isso deve ser evitado. E pravrttim cha nivrttim cha, tanto seu apego como seu desapego, abandone ambos. Se você tem apego por algum tipo de alimento, abandone esse tipo de alimento. Se você tem desapego por riqueza, você abandona essa mentalidade também, então se a riqueza vem ou não até você, você não vai se preocupar com isso. Srotavyam srutam eva cha, o que você ouviu antes, srutam, e o que você vai ouvir no futuro, srotavyam; todo o conhecimento que você já acumulou e todo o conhecimento que você pode coletar no futuro – você deve evitar tudo isso. Qualquer coisa que você tiver ouvido ou irá ouvir que não seja a consciência do eterno serviço para Mim, isso você deve deixar para trás e evitar.

“E o que você deve fazer? Qual deve ser o seu humor? Mam ekam eva saranam atmanam sarva-dehinam, renda-se a Mim! Quem sou Eu? Eu sou a Suprema Personalidade de Deus e o reservatório de todo rasa, um oceano extático de rasa. Todas as suas necessidades, tudo vai ser preenchido quando você vier a Mim, refugiar-se em Mim e render-se a Mim, Mam ekam eva saranam.

E na verdade você não vai perder nada por isso, porque Eu sou all-in-all - tudo em tudo -, Eu moro no coração de todos. Nenhuma alma-jiva pode existir sozinha sem Meu poder, sem Mim.”

dva suparna sayuja sakhaya
samanam vrksam parisasvajate
(Svetasvatara Upanisad: 4.6)

“Eu vivo com todas as almas-jiva, como um pássaro ao lado delas num galho de árvore eu observo todas as suas atividades. Atmanam sarva-dehinam yahi sarvatma-bhavena, então renda-se a Mim! Isso significa que você será totalmente ocupado por Mim. Eu sou tão poderoso. Sarva-karana-karanam, Eu posso fazer qualquer coisa, tudo, alguma coisa e nada – todo o poder está dentro de Mim, então você não tem nada a temer.”

Dessa forma Krishna expressou sua revolucionária recomendação, “As leis, regras e regulamentos, os procedimentos benéficos para a vida dos praticantes apresentados nos Vedas, tudo isso você pode ignorar e vir exclusivamente para o Meu canal, isto é, render-se a Mim e servir-Me.” Assim Krishna é sempre independente e desligado da linha geral dos Vedas; Ele é revolucionário e supremo. O próprio Krishna expôs claramente a posição da alma exclusivamente entregue, mostrando que não é uma questão de ser externamente bom ou externamente ruim de acordo com as regras e regulamentos das Escrituras.

A Pureza da Propriedade do Senhor

Em seu Sri Bhakti-rasamrta-sindhu, Srila Rupa Goswami deu uma explicação criteriosa e doce de nossa visão de uma alma rendida.

drstaih svabhava-janitair vapusas cha dosair
na prakrtatvam iha bhakta janasya pasyet
gangambhasam na khalu budbuda-phena-pankair
brahma-dravatvam apagachchhati nira-dharmaih
(Sri Upadesamrta: 6)

Srila Rupa Goswami, sorridente, disse, “Oh, boy! Ainda que você seja incompetente, que não tenha a mente sob controle, nunca hesite em oferecer honra ao Vaisnava. Você deve tentar entender que a natureza pura do Vaisnava é como a natureza pura do Ganges. Água existe por toda parte, mas água do Ganges é água do Ganges. A água do Ganges descende dos pés de lótus do Senhor Vishnu e é completamente transcendental. A água do Ganges nunca é poluída por impurezas. Muitas impurezas podem aparecer no Ganges, mas a água do Ganges continua sendo água do Ganges – nunca perde sua qualidade transcendental. Você deve oferecer honra ao Ganges desta forma e você também deve oferecer honra ao Vaisnava da mesma maneira.”

“O Vaisnava deve ser considerado puro da mesma maneira que o Ganges é sempre considerado puro. Um devoto pode cair, ou você pode vê-lo cair, mas para onde ele pode cair e para onde ele subiu, você não sabe. Você está vendo-o somente com sua visão. Você é capaz de vê-lo apenas até este ponto. Você não conhece a atual posição dele. E se ele tem devoção pura, suddha-bhakti, você não deve desonrá-lo e não deve cometer ofensas contra ele. Você deve considerá-lo puro mesmo que seu corpo esteja cheio de feridas e doenças, ou mesmo que seu comportamento pareça impróprio.”

A Verdade Revelada (parte1)

Caros amigos,

Segue instruções nectáreas de Srila Govinda Maharaj, para nossa reflexão e nutrição.

Abraços com afeto.


Todas as Glórias a Sri Guru e Sri Gauranga

Trecho do próximo livro

A Verdade Revelada

por Sua Divina Graça
Srila Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswami Maharaj

Capítulo Onze: Revolução Espiritual

No Srimad Bhagavad-gita, Krishna explicou a evolução da consciência. Krishna explicou como as almas condicionadas podem progredir de uma vida não religiosa para yoga e como a sua prática de yoga, como buddhi-yoga, pode evoluir de karma-yoga, jñana-yoga, dhyana-yoga etc., para bhakti-yoga. Desta forma podemos entender que a essência de todas as Escrituras está presente no Srimad Bhagavad-gita e que o essencial para a evolução espiritual das almas condicionadas está explicado lá.

A posição do Srimad Bhagavad-gita foi explicada em forma de poesia:

sarvopanisado gavo dogdha gopala-nandanah
partho vatsah sudhir bhokta dugdham gitametam mahat
(Sri Gita-mahatyma:6)

“O Gitopanisad, Srimad Bhagavad-gita, que contem a essência de todos os Upanisads e dos Vedas, é como uma vaca, e Sri Krishna, que é mais famoso por Seus passatempos como um vaqueirinho, está ordenhando esta vaca. Arjuna é como um bezerro, fazendo pergunta atrás de pergunta para tirar o leite da vaca, e aqueles que são sudhir, aqueles que tem verdadeira inspiração para a consciência de Krishna, bebem o leite da vaca que é o néctar do Srimad Bhagavad-gita.”

Esta é a nossa concepção do Srimad Bhagavad-gita. Bhagavan Sri Krishna misericordiosamente deu Seu divino olhar para todos através de sua conversa com Arjuna, e distribuiu a essência dos Vedas e de todas as Escrituras para a evolução espiritual de todos.

Nós temos um livro muito bom feito a partir das palestras de Srila Guru Maharaj, Srila Bhakti Raksak Sridhar Dev-Goswami Maharaj, chamado “Evolução Subjetiva da Consciência”. Evolução significa acréscimo gradual de uma substância. Eu considero que a ideia de evolução é boa, não há nenhum problema com a ideia de evolução espiritual. Podemos sempre ver as coisas se movendo para cima, passo a passo, em direção à forma divina da Realidade. E podemos ver a forma divina da Realidade também, passo a passo, radiantemente evoluindo. Evolução é verdadeiramente o padrão, está sempre diante de todos e é a lei do mundo espiritual.

A rota e linha de progresso para a evolução espiritual, descendendo de Krishna para as almas condicionadas, é conhecida como amnaya. Amnaya significa conhecimento divino descendendo através do canal Védico, e amnaya significa as Escrituras reveladas que são apauruseya, não feitas por nenhum homem mundano. Amnaya é sempre plenamente divina. Descende da canção da flauta de Sri Krishna através de um canal, o canal Védico – amnaya-parampara. Vedavyasa capturou, organizou e distribuiu tudo que descendeu através do amnaya-parampara para o super-benefício espiritual de todos. Vedavyasa dividiu este conhecimento e o apresentou na forma dos Vedas: o Sama, Yajur, Rg e Atharva Vedas, o Ayurveda, o Mahabharata etc. Assim, Krishna ilumina as almas condicionadas através de amnaya a respeito de evolução espiritual e vida religiosa.

Krishna, o Revolucionário

Mas quando Krishna mesmo ensina as almas condicionadas Ele não apresenta somente evolução espiritual, Ele apresenta revolução espiritual. Tudo o que Krishna faz é sempre revolucionário – revolução é o verdadeiro tema e fator de Krishna. Por quê? Por desejo de Krishna os Vedas, Vedanta, Upanisads, dezoito Puranas etc, apareceram nesse mundo, e todos os seus ensinamentos gradualmente conduzem todos à adoração de Krishna. E Krishna encarnou em tantas formas diferentes – Matsya, Kurma, Varaha, Vaman, Rama etc. – e ensinou o apropriado comportamento religioso Védico. No entanto, o próprio Krishna sempre ataca o canal Védico; Ele mesmo sempre minimiza os ensinamentos dos Vedas.

Isto é um milagre. Eu fico surpreso com isso, e não apenas temporariamente, fico permanentemente surpreso com isso. Eu também li quase todos os diferentes tipos de sastra, e os li sob a orientação de Srila Guru Maharaj, então eu sei os assuntos que eles estão ensinando e o que é evolução subjetiva. Mas é comum que a rejeição de Krishna pelos ensinamentos Védicos seja uma surpresa para quase todos.

É surpreendente ouvir que a recomendação final dos Vedas é ignorar a linha geral de progresso que os Vedas ensinam!

O revolucionário conhecimento que o próprio Krishna pessoalmente quer distribuir às almas condicionadas é vedesu durlabham, “É muito raro compreender os Vedas.” O Sri Brahma-samhita (5.56) diz, “Vidantas te santah ksiti-virala-charah katipaye”, isso só é conhecido por pouquíssimos sadhus neste mundo, tão poucos que podem ser contados em nossos dedos.” Então certamente isso é durlabham, muito raro de se obter.

"Por trás de todo desastre ou tragédia, reside um Supremo Ato de Amor"


O Autor da frase que dá título a essa postagem é do Padre Bede Griffiths, missionário inglês, da ordem dos Beneditinos, que foi a Índia no final da década de 1970 para pregar o Evangelho e quando lá chegou se deparou com uma realidade que desafiava os votos que ele fez quando se tornou sacerdote, especialmente o voto de pobreza. Percebeu facilmente que toda sua austeridade ainda o deixava numa situação material mais cômoda do que a maior parte das pessoas com quem interagia. Decidiu rever alguns conceitos, abandonou os trajes pesados, os talheres, os assentos, passou a se enrolar num pano, a comer com a mão e a se sentar no chão, assim como a grande maioria dos indianos. Decidiu também se aprofundar no estudo da filosofia védica. Acabou descobrindo um universo místico riquíssimo, que muito antes de contrariar a sua fé cristã, abriu para ele novos e inesperados caminhos de compreensão do mistério da Santíssima Trindade. O resultado desse encontro se manifestou na sua belíssima obra: O Casamento do Oriente com o Ocidente, onde ele traça um paralelo entre as revelações judaico-cristã e védica,ressaltando as diferentes formas de abordar o Mistério e apontando caminhos de convergência, rumo a uma sociedade aberta ao diálogo interreligioso e à compreensão plural da Verdade única latente no coração do ser humano.

Certa vez, quando meu pai estava com ele em seu ashram em Tamil Nadu, no Sul da Índia, chegou a notícia de um terremoto devastador que se abatera mais ao norte do país, ceifando milhares de vidas e deixando outras tantas em situação de miséria. Foi em meio a esse clima de total consternação que o missionário expressou a célebre frase: "Por trás de todo desastre e tragédia, reside um supremo ato de amor". A princípio pode parecer incompreensível, e até revoltante ouvirmos semelhante coisa, ainda mais se estivermos diretamente envolvido no ocorrido. Mas o mestre queria encorajar os seus discípulos a enxergarem um propósito escondido nas situações mais desoladoras.

Por mais que resistamos a encarar essa verdade, estamos por aqui de passagem, com o objetivo único de crescermos e desenvolvermos em nossa capacidade de amar e servir ao próximo, de perdoar as ofensas que nos foram cometidas e de fortalecer a virtude da fé e da devoção, pre-requisitos necessários ao ingresso na Vida Nova, prometida pelos mestres que começa a ser semeada aqui, mas se estende pela eternidade, além das influências que ora nos acorrenta no tempo e no espaço.

Ora, tenho visto o depoimento dos amigos em Teresópolis que se voluntariaram a prestar auxílio às vítimas da catástrofe ambiental que matou milhares de pessoas e deixou outras milhares desabrigadas. Em diversos momentos os relatos nos fazem ver o adormecido sentimento de solidariedade despertando no coração de todos, inimigos esquecem suas desavenças, os ricos dão do que é seu para socorrer os pobres, o poder público reúne esforços e angaria fundos, o setor privado partilha do seu lucro, a sociedade civil se reorganiza e todos se tornam um. Juntos, seja com o pé enfiado na lama para remover escombros, seja cedendo espaço para os desabrigados, seja levando um pouco de carinho, de música para os corações despedaçados, seja em oração buscando luz e conforto para aqueles que sofrem. Nesse momento, por mais doloroso que seja, começamos a nos tornar verdadeiramente humanos, relembramos do que realmente é importante e esquecemos nossas diferenças.

Comumente ouço meu pai dizer que agora é que estamos sendo gestados. Vivemos aqui na Terra como se estivéssemos no útero de uma grande mãe. Precisamos concluir a nossa formação e fazer um esforço para que nossa mãe nos dê à Luz do Criador e cumpra assim o seu desígnio. E isso é YOGA!

Amemos uns aos outros com mais vigor e veremos as catástrofes serão afastadas!É por aí que vamos entendendo como economia, meio ambiente e espiritualidade podem ser unir na promoção de um mundo mais ameno e mais humano.

Um 2011 de muita luz e paz, saúde e alegria, perdão e transformação!

Natal do Mundo ou do Cristo?

Essa poesia é do Professor Euclides Mendonça. Bem contundente para refletirmos:

Natal,


Natal Ruidoso
Com cartões de festa,
Com presentes raros,
Com champagne e nozes,
Com lautas ceias e com vinhos...
Natal do Papai Noel
Com árvores fantásticas.

Natal de ricos satisfeitos,
Natal de pobres esquecidos,
Natal com excesso de palavras,
Com abraços e mensagens
E todo discurso repisado
De venturas e sentimentalismos.

Natal da mídia,
Das agências,
Do comércio
E das convenções vazias.

Triste Natal que dura
Enquanto ferve a espuma nas taças de cristal

Triste natal que passa
Com a embriaguez das horas,

Triste Natal que fica inquietante
Com o travo das buscas infrutíferas.

Triste Natal que finda,
Tão logo se esvazia
O pequenino alforje do Papai Noel.

Natal do Mundo,
Não do Cristo,
O seu engano é pretender trazer,
No bojo de um alforje,
O imenso absoluto que nos falta,

E saciar com vinho e iguarias
A torturante fome que não passa.

O Natal de Cristo não tem ruído,
Tem o silêncio das noites de vigília,

Tem o canto dos anjos que consola,
Tem as palhas, tem o frio
A manjedoura pobre

Tem a mudez tranqüila da criação animal
Tem a humanidade simples dos pastores,
Tem a placidez da Virgem silenciosa,

E, sobretudo,
Tem o mistério de Deus humanado, pequenino,
Em dádiva perene
Aos corações sedentos do divino...

Natal de Luz e Paz!

Desejando a todos um natal de muita Luz do Menino Jesus para todos!

Nosso Senhor Jesus Cristo, o maior Yogue que já passou pela Terra deixa-nos aquela famosa mensagem que é sempre bom relembrar:


- Bem Aventurados os pobres de espírito: porque é deles o reino dos céus.

- Bem Aventurados os mansos: porque eles possuirão a terra.

- Bem Aventurados os que choram: porque eles serão consolados.

- Bem Aventurados os que têm fome e sede de justiça: porque eles serão satisfeitos.

- Bem Aventurados os misericordiosos: porque eles alcançarão a misericórdia.

- Bem Aventurados os limpos de coração: porque eles verão a Deus.

- Bem Aventurados os pacíficos: porque eles serão chamados filhos de Deus.

- Bem Aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça: porque deles é o reino dos céus. (Mateus 5: 1-12)

Festival do Aparecimento Transcendental de Srila Shridhar Maharaj

Olá Amigos!

No dia de Hoje comemoramos o aniversário do mestre espiritual Srila Shridhar Dev-Goswami Maharaj. Como eu poderia resumir em poucas palavras o que significa essa data?

Srila Shridhar Maharaj foi um dos mais proeminentes devotos de Srila Bhaktissidanta Sarasvati Thakur, o Guru Vaisnava que levou adiante com todo vigor o movimento de expansão da missão de Chaitanya Mahaprabhu ao mundo ocidental.

E o que é esse movimento de Chaitnya Mahaprabhu? É o movimento do Harinama Sankirtana, ou o canto congregacional dos Santos Nomes de Deus. É um portal de misericórdia que se abre nessa era, que dá acesso pleno ao mundo espiritual à todos aqueles que se aproximarem com sinceridade do mestre espiritual e tomar para si o canto dos santos nomes.

O convite que se faz é muito mais fino do que pensamos. ALcança uma plataforma muito mais elevada da que podemos conceber. É a entrada definitiva da alma no plano do júbilo e do amor eterno que transborda como néctar de Krishna, a Pessoa Original.

Nas palavras de Srila Shridar Maharaj: " O amor está maravilhosamente situado acima de tudo. Passando por cima de tudo, Mahaprabhu pede a nós para aceitarmos o caminho do amor, que significa a entrega do coração, a entrega do ser. Isso é tão poderoso que nada mais pode atrair Krishna. Ele está sedento por esse amor, por esse Prema. ele vive no Prema. Ele é o Senhor do Amor. Aquele amor que tem sua existência interna, e que é a existência interna de todos nós. Ele é o amor personificado e existe um lampejo disso também em nós, e, como "pássaros da mesma plumagem", o amor aprecia o amor."

Prestemos nossas repetidas reverências a Srila Shridhar Maharaj, o Guardião da Devoção, orando por suas bênçãos de amor, para que possamos vislumbrar ao menos um lampejo dessa realidade nectárea, que em nosso íntimo tanto ansiamos.

Todas as Glórias à Sri Guru e Sri Gouranga!

O Pranamaya Kosha

O Pranamaya Kosha, ou corpo energético, é o veículo do prana. O prana é associado à energia vital, ao impulso vital que faz movimentar tudo o que existe no universo. É o alento da vida, o que torna possível e dá sentido à existência material, por ser o veículo da consciência. No nosso corpo, o prana é administrado e conduzido por meio da respiração. Daí a importância do pranayama (controle da respiração), na manutenção da nossa energia vital.

Os principais elementos do Pranamaya Kosha são os nadis, os vayus e os chacras. Os nadis podem se assemelham a uma rede nervosa sutil, composta por cerca de 72000 canais , por meio dos quais o prana circula e é distribuído por todo o corpo.

O principal nadi do corpo é o Shushumna que passa ao longo da coluna vertebral. Sua raiz está na base do tronco, próxima ao cóccix, e estende-se até a região situada no topo da cabeça. Ao lado de Shushumna encontramos os nadis ida e pingala.
O ida-nadi nasce à esquerda da raiz de shushumna, cruzando-a na altura de cada um dos principais chacras até alcançar o ajna chacra, no centro do crânio e terminar na narina esquerda. O pingala-nadi nasce à diretia da raiz de shushumna, entrecruzando os outros dois nadis na altura dos chacras, até alcançar o ajna chacra e terminar, por fim, na narina direita.

A circulação de energia por esses três nadis, depende diretamente do bom funcionamento dos sete chacras principais situados ao longo da coluna vertebral. O ida-nadi transporta as energias lunares e o pingala-nadi, as energias solares. A prática sincera e disciplinada de yoga, incluindo pranayamas, asanas e meditação, faz com que o prana que circula normalmente por ida e pingala, convirja para o shushumna nadi, possibilitando o desenvolvimento espiritual do praticante. A esse processo dá-se comumente o nome de “despertar da Kundalini” que é justamente essa energia latente na base de Shushumna que, quando desperta, eleva o praticante às esferas mais elevadas de compreensão da realidade.


Os vayus são correntes prânicas que conduzem a circulação do prana no corpo e contribuem para a ativação dos principais chacras, ou centros energéticos do corpo. Os vayus originam também impulsos importantes para o desempenho de diversas funções orgânicas do corpo. Os principais vayus são o prana vayu, na região do peito que movimenta a energia de forma circular, ascendente e centrípeta, no espaço entre o umbigo e a garganta; o apana vayu, centralizado na metade inferior do tronco, movimentando a energia de forma descendente e centrífuga; o samana vayu que, situado entre prana e apana, equilibra esses dois vayus, movimentando a energia de forma circular na inspiração (de fora pra dentro) e de forma horizontal na expiração (de dentro pra fora); o udana vayu, que movimenta a energia de forma circular entre a garganta e o topo da cabeça; e o vyana vayu, que movimenta a energia nas extremidades do corpo, para dentro na inspiração, e para fora, na expiração.

Os chacras são centros energéticos onde convergem um número grande de nadis e podem ser comparados aos gânglios nervosos que concentram corpos celulares de neurônios. Nos chacras a energia dos nadis é captada, transformada e retransmitida para outros nadis. O nome “chacra” faz alusão a uma roda onde a energia se movimenta de forma circular, sendo atraída e irradiada constantemente.

Por fazer parte do corpo energético, o funcionamento dos chacras influencia tanto nas funções orgânicas, quanto nas atividades psíquicas do indivíduo. Estando ativados e em pleno funcionamento, os chacras contribuem para a saúde dos sistemas orgânicos e para a livre circulação de informações entre os corpos físicos e sutis, permitindo tanto uma circulação quanto uma retenção maior do prana, gerando um conseqüente incremento na vitalidade geral do corpo.

Os sete principais chacras estão situados ao longo do nadi shushumna e, sua disposição coincide com as principais concentrações nervosas do corpo. Os sete principais chacras costumam ser apresentados da seguinte forma:

NOME DOS CHACRAS LOCALIZAÇÃO PRINCIPAIS FUNÇÔES PSÍQUICAS E FUNÇÕES ORGÂNICAS RELACIONADAS:

Sahasrara Topo da cabeça, Conexão com a espiritualidade, Bom funcionamento do cérebro

Ajna
Intercílio – plexo cavernoso, Desenvolvimento da intuição e do discernimento, Coordenação e articulação dos pensamentos

Visudha Região da garganta – plexo faríngeo e laríngeo,
Desenvolvimento da comunicação através da expressão de sentimentos e pensamentos, Saúde e disposição do órgãos vocativo e bom funcionamento da glândula tireóide

Anahata Região do coração – plexo cardíaco, Abertura para o relacionamento com os outros. Desenvolvimento da compaixão, da caridade e da solidariedade Bom funcionamento do coração e da glândula timo. Saúde do sistema imunológico

Manipura Região lombar – plexo epigástrico, Domínio das circunstâncias (capacidade de estar sempre no lugar certo e na hora certa) Bom funcionamento do sistema digestivo, principalmente os intestinos

Svadhisthana
Genitais – plexo do sacro
Domínio sobre as paixões e direcionamento da energia para manutenção e reprodução da vida,Bom funcionamento do sistema reprodutor e das glândulas sexuais. Manutenção da fertilidade

Muladhara
Base da coluna vertebral – plexo coccígeo. Desenvolvimento da segurança interior, estabilidade, autoconfiança e fé. Coordenação das atividades de excreção

A Prática de Hatha Yoga


Como já mencionado, o Hatha Yoga associa as diversas formas de Yoga ao trabalho corporal baseado em posturas psicofísicas e em exercícios respiratórios. Partindo da noção de Yoga apresentada aqui, a diferença básica entre os exercícios de Hatha Yoga e uma ginástica comum, está na consciência que o praticante procura empregar em cada postura, mantendo a mente presente, a atenção na respiração e nas mudanças energéticas e psíquicas proporcionadas pelos exercícios.

Antes de começar a falar especificamente dos exercícios de Hatha Yoga é necessário que tenhamos alguma noção dos Koshas, ou corpos energéticos e sutis que estão associados ao corpo físico com o qual se inicia o trabalho.

A tradição védica nos ensina que o corpo físico que conhecemos, manifesta-se primeiramente em planos mais sutis até se manifestar na matéria grosseira. Dessa forma temos primeiramente o plano original da consciência, chamado de Brahman, que é o Todo, o Absoluto, a causa de tudo o que existe. Em seguida temos o plano individualizado da consciência original, chamado de Atma, que são as partículas infinitesimais do Absoluto. O primeiro Kosha, ou corpo, que o Atma adquire é o Anandamaya Kosha, que é formado basicamente de substância espiritual, sendo constituído de Sat (eternidade), Cit (consciência), e Ananda (bem-aventurança ou êxtase). Quando o Atma se envolve com o universo material ele começa a adquirir os corpos que o levarão até os aspectos mais grosseiros da existência.

No plano sutil encontramos três Koshas: Vijnamaya Kosha, que é a sede do discernimento, a dimensão da sabedoria e da intuição; Manomaya Kosha, que é o corpo mental e emocional, sede da razão e dos sentimentos, é onde encontram-se as raízes do apego mundano; e Pranamaya Kosha, que é o corpo energético, sede dos chacras, vayus e nadis, onde circula o prana, ou a energia vital. O intermédio entre o corpo físico e os corpos sutis se faz por meio do Pranamaya Kosha, por isso a importância dada nos exercícios de Hatha Yoga ao equilíbrio energético corporal.

Temos por fim o Annamaya Kosa, ou o corpo físico, onde encontramos os sistemas muscular, endócrino, digestivo, circulatório, respiratório, reprodutivo, nervoso e imunológico.

De acordo com a ciência da Yoga, a maior parte das doenças se originam no Manomaya Kosha e suas causas quase sempre estão relacionadas à desarmonia entre os corpos físico, energético e mental. À medida em que esses corpos se alinham e se harmonizam, o praticante aguça sua percepção intuitiva e acessa a sabedoria que descende do plano espiritual, proporcionando uma visão clara e libertadora da existência.

Dessa forma o trabalho de Hatha Yoga é realizado em duas direções: uma que parte do plano físico e energético, buscando trabalhar aí as causas e os sintomas dos distúrbios e doenças, e outra que parte do plano da consciência (ou atma), fazendo-a penetrar nas camadas mais grosseiras do ser, irradiando a luz, a sabedoria e a saúde que descendem dos elevados padrões vibracionais encontrados nas camadas superiores.

Pelos Caminhos da Índia

Saudações!

Pra abrir o mês de agosto publico aqui no blog o relato que fiz da minha viagem à Índia em 2005/2006. O artigo foi escrito originalmente para o jornal periódico do Centro Acadêmico de Turismo da UFJF.

Namastê!


Passei um fim de ano completamente diferente do que estava habituado. A partir da segunda metade de dezembro de 2005 até o dia 20 de janeiro, andei por aquelas bandas do oriente e presenciei um pouco do que a sagrada terra da Índia pode oferecer. Fora dos pacotes turísticos que normalmente encontramos para Índia (que contemplam visitas ao Taj Mahal, templos famosos, mercados de Nove Délhi, praia e sol em Goa, etc). Optei por um caminho diferente. Orientado por meu pai, grande amante daquela terra, não quis ser um simples turista, equipado com câmera fotográfica, encerrado em um grupo de turistas ocidentais perplexos e portando uma boa quantidade de dólares, pronto para comprar, absorver, agarrar, guardar e sugar tudo que estivesse ao meu alcance. Antes de ir meu pai me instruiu: “A Índia é uma mãe, os próprios indianos a chamam de Mãe Bharata, não chegue querendo tirar nada de lá como nós ocidentais sempre fizemos nesses últimos séculos. Ao contrário, leve alguma coisa para ela, coloque-se a seu serviço e ela se revelará a você. A Índia mais do que um lugar físico, é um estado de consciência. e uma vez acessando esse estado, a Índia verdadeira nunca te abandonará.” Guiado por esse pensamento, tratei de tomar uma atitude reverente desde o primeiro momento que pisei naquele solo sagrado, berço de conhecimento, medicina, música, culinária e espiritualidade. Uma civilização que vem resistindo há milênios a todas as invasões, e, apesar das contradições, se mantém até os dias de hoje como um centro emissor de bênçãos espirituais e boa lições de vida para toda a humanidade.

Conheci velhos homens, incríveis, que com um brilhante sorriso estampado no rosto transmitiam a doçura, a beleza e o encanto de quem dedicou os seus dias ao desenvolvimento de uma vida espiritual eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança. Fui bem recebido, bem hospedado e bem alimentado.

Nada precisava pagar por isso, apenas se eu quisesse. Emocionei-me muitas vezes tanto pelo brilho da riqueza cultural e devocional, quanto pelo horror da sujeira, da pobreza e da doença. Mas não deixei-me abater nos momentos difíceis. Mãe Bharata parecia dizer-me que tudo tem sua razão de ser e que não cabia a mim tentar compreender os arranjos que o Supremo faz para atender a cada um dos seres viventes desse planeta. Quando não resistia ou tentava me defender, uma profunda doçura me era revelada, mesmo em meio ao inacreditável caos.

Quando mergulhamos no coração da Índia e conseguimos ir além das aparências, tudo se transforma ao nosso redor, com num passe de mágica. Tudo torna-se incrivelmente belo e harmonioso. O rio Ganges, a princípio um simples rio sujo da Ásia, apresenta-se com toda a sua opulência cortando o solo da Índia a distribuir suas bênçãos purificadoras. Por detrás da tela começamos a perceber aquilo que meu pai chama de um outro estado de consciência. Cada movimento ali começa a fazer sentido e você percebe uma mensagem vinda de um plano superior, comunicada através da natureza simples e espontânea das pessoas, da forma como o dia vai começando - com os sinos das bicicletas e dos templos, do barulho das engrenagens do carro de boi, misturado com o som dos pássaros, dos cânticos devocionais, dos símbalos e dos tambores - e da forma como o dia vai terminando, da mesma forma como vai começando, sendo reverenciado e contemplado incansavelmente por todos. Tudo se mostra, então, como um convite a ingressar em uma nova forma de viver, de ver o mundo e a nós mesmos. Uma nova perspectiva sobre a vida e a morte é apresentada, e um mundo totalmente novo descortina-se dentro de nós.
Esse é o tipo do turismo oculto que a Índia revela de acordo com o nosso esforço interior. Claro que existe também o turismo “bolha” onde o turista tem a opção de se proteger do mundo e só enxergar o que for agradável para os olhos e a mente. De apenas absorver o que lhe convém e evitar o mergulho na cultura, na convivência, no horror e na beleza. No turismo bolha, muitas coisas bonitas são vistas mas não é dado aquele “salto quântico” ao qual eu estive tentando me referir acima.
Na cidade de Jaganatha Puri, no litoral do Estado de Orissa, ao Sul da Bengala ocidental, os grandes hotéis já tomam conta de norte a sul da orla praiana. A atmosfera luxuosa e imponente das construções contrasta incrivelmente com o estilo simples da população local. Escondido atrás dos hotéis, em uma pequena depressão na rua, o lixo é depositado aos montes, sendo disputado pelos cachorros, pelas vacas e pelos corvos.
Os turistas podem fazer suas compras no centro comercial e adquirirem requintadíssimos artigos indianos. Podem passear pela cidade e apreciar todo o exotismo indiano expresso nas vestimentas das pessoas, nas fachadas dos templos e nas feiras livres onde uma variedade incalculável de itens é exposta (colares, anéis braceletes, tecidos aos milhões, pratarias, artigos decorativos, tapetes, instrumentos musicais, artigos devocionais, incensos, peças em madeiras, fotos, cartões postais, imagens de deuses hindus etc,etc,etc). Nesses passeios evita-se passar pelos inúmeros becos distribuídos ao redor do centro da cidade onde a dolorosa realidade de um dos lugares mais inflamados do mundo é exposta impiedosamente. Esgotos escorrendo pelos cantos das ruas, lixo, doenças, sujeiras, homens jogados na sargeta, leprosos, bois mal-tratados e cães sardentos brincando com as crianças, não são uma boa coisa para o turista apreciar.
Na praia pode-se fazer passeios de camelos importados que andam monotonamente de um lado para o outro e garantem o sustento de alguns indianos que descobriram um meio de explorar os turistas. Se o turista preferir, pode simplesmente observar, da piscina da cobertura do hotel o movimento cíclico do mar.

Hospedado em um pequeno Math* , perdido em meio ao hotéis, localizado perto da praia, eu refletia sobre o que via a minha volta e me perguntava se os nossos ilustríssimos turistas estavam tendo tempo de perceber algo maravilhoso que acontecia naquele local. Um brilho dourado parecia envolver toda a cidade. A forte atmosfera espiritual do lugar transmitia aos corações um amor e uma doçura indescritíveis. Eu me sentia como se estivesse derretendo de tanta alegria, êxtase e paz que aquela terra proporcionava. De manhãzinha, antes do nascer do sol, enquanto tudo ainda estava escuro, já era possível ver na praia um grande número de pessoas. Algo espantoso. Cada um com suas orações e suas preces para receber o astro-rei que estava por vir. Nessa hora, o som de um alto falante de um pequeno templo, ressoava uma melodia que embalava aquele momento mágico e me fazia recordar certos sentimentos de infância, não sei ao certo, mas algo muito familiar. O sol quando raiava no horizonte, era envolto por uma névoa cor de açafrão e o seu brilho refletia no mar que iluminava a todos. E não era só isso, as pessoas eram de uma simplicidade admirável. Vários indianos chegavam perto de mim com um sorriso aberto nos lábios querendo ser amigo. Perguntavam de onde eu era, se estava gostando da Índia, quanto tempo eu iria ficar e como eu iria embora. Em todo canto era vendido o chai, um chazinho preto com leite que eu gostava de saboreá-lo juntamente com um Bedee . Na hora do almoço comia com a mão em um prato de folha, uma comida simples, muito saborosa e muito picante. Na rua via alguns bezerros andando despreocupadamente, com cuidado tocava o seu pêlo. Ao cair da tarde, após o pôr do sol na praia, voltava para o Math e um dos devotos do templo me acolhia com carinho, pegava na minha mão, me abraçava e se mostrava saudoso com a minha partida. Todo esse brilho e alento que eu percebia, estava oculto. Parece incrível mas era isso. Estava oculto e só era alcançado através de uma atitude simples, de uma abertura para o contato humano com a população local e para as mensagens que eram comunicadas ao coração. Esse é o que comecei a chamar de turismo oculto. Que não dá para pegar com as mãos ou ver com os olhos simplesmente. Exige algo mais, exige uma auto-entrega, exige um mergulho profundo na realidade. Não adianta simplesmente contratar um guia e dissecar o lugar com sua máquina fotográfica.
No momento de deixar a Índia, inexplicavelmente, sentia uma tristeza intensa nunca antes sentida. As lágrimas caíam incessantes dos meus olhos e uma saudade insuportável abatia-se sobre mim. Só me restava agradecer. Olhava para a paisagem deixada para trás pelo trem que ia rumo à estação de Calcutá onde eu embarcaria no avião. Com as mãos juntas na altura do peito orava: Oh Índia! Obrigado! Namastê! Agradeço por seu importante legado deixado à humanidade! Que possamos no ocidente abrir-nos também para essa oculta realidade interior que tanto alento traz a nossas vidas!
Não tinha nada a oferecer a mãe Bharata a não ser a mim mesmo. Ofertei minha admiração, meu respeito e minha reverência. E pela graça de Deus, ela me carregou em seu colo e levou-me a conhecer segredos profundos que já habitavam meu coração. Me colocou em contato com nobres sentimentos, que jamais esquecerei. Namastê!

Retomando os trabalhos

Olá amigos!

Estou retomando agora as atividades desse blog, depois de um longo período de inércia, em que estive envolvido com a finalização da minha dissertação de mestrado e do projeto Linha do Tucum, no Juruá.

Agora, morando no Matutu desde abril, sinto-me impelido novamente a retomar as atividades nesse espaço virtual. O que trago para esse mês é uma republicação dos textos clássicos, introduzindo o leitor ao Bhagavad Gita e ao Yoga Sutra de Patanjali. Achei importante porque algumas pessoas que foram introduzidas na prática de Yoga comigo recentemente, precisarão desse material para começarem a se situar melhor no universo da Yoga.

A Nova publicação que trago é sobre dicas de alimentação e hábitos diários, importantes para quem vai começar uma prática mais sistemática. Para o mês de agosto, mês de Krishna, trarei para vocês arquivos de áudio especiais, com gravações feitas no templo de Goura Nitai em Teresópolis, no ano passado, durante o dia de Janmastami, ou advento do Senhor Krishna. Trarei também a programação do curso vivencial de Yoga que estamos preparando para ser realizado aqui no Matutu no mês de setembro. Fiquem ligados!

Abraço afetuoso a todos!

Namastê!

Alimentação e Hábitos Diários




" Ó Arjuna! A prática de ioga é impossível para qualquer pessoa que coma em demasia ou coma muito pouco, durma em demasia ou não durma o suficiente/ Para quem se alimenta, repousa e esforça-se de modo regulado, e que mantém horários regulados em medidas apropriadas, a prática de ioga torna-se gradualmente a fonte que dissipa todo sofrimento mundano." (Sri Gita, 6.17)


A instrução acima resume tudo o que é preciso dizer com relação aos hábitos diários do praticante. O progresso na prática de Yoga depende do ritmo das atividades diárias. O praticante deve procurar manter uma vida regulada, com horários bem definidos. Assim como o sono e a alimentação, a prática diária deve ser realizada em uma medida apropriada de modo que possibilite o progresso do praticante, porém sem sobrecarregar o seu organismo e sem comprometer os outros deveres diários.

Dicas para a prática diária

Sem ritmo, é muito difícil obter um progresso na prática de Yoga. O ideal é que a prática aconteça todos os dias, no mesmo local e horário. Ao esforço contínuo e regular dá-se o nome de Sadhana. O Sadhana é aquilo que cumprimos religiosamente todos os dias, como escovar o dente e lavar o rosto. Todo mundo possui esse Sadhana: acordar, lavar o rosto e escovar o dente. A prática de Yoga deve fazer parte do nosso Sadhana. Sem Sadhana não há Yoga.

Sem dúvida, o momento mais favorável do dia para a prática de Yoga é pela manhã, antes do desjejum. Trinta minutos de prática diária é um tempo razoável para quem tem um dia-a-dia movimentado. Por mais que a pessoa tenha muitos afazeres, nada impede que ela acorde trinta ou quarenta minutos mais cedo para dedicar-se à sua prática diária.

Para um bom Sadhana o praticante pode seguir o seguinte roteiro:

- acorda, se lava, troca a roupa, vestindo-se confortavelmente, arruma a cama e prepara o ambiente para a prática. É importante que o ambiente seja limpo, arejado e iluminado. Um ambiente apropriado é fundamental. O praticante deve eleger um canto da casa que seja limpo e organizado diariamente para a realização da prática. Um bom incenso e uma boa música podem ajudar a tornar o ambiente mais agradável para a prática. O praticante pode também estabelecer um altar na sua casa. Pode ser um cantinho, que seja limpo, onde coloca-se a foto do mestre espiritual ou de qualquer elemento que remeta o praticante à noção de sagrado, em frente do qual ele possa oferecer um incenso, fazer uma meditação ou ler um texto sagrado.

- tendo preparado o ambiente, o praticante pode esticar o seu tapete (é bom que a prática não seja realizada em contato direto com o chão) e dar início à sua prática que pode variar entre 30 minutos e uma hora. Dentro desse tempo o praticante pode incluir um trabalho de pranayama, uma pequena meditação, uma breve leitura de um texto sagrado, uma prática equilibrada de asanas e um pequeno relaxamento. À medida que o ritmo é empregado, é surpreendente como esse momentinho sagrado da prática torna-se uma fonte de saúde, equilíbrio e bem-estar no dia-a-dia do praticante.


Dicas de alimentação para o aproveitamento da prática diária

Sem dúvida, como dito acima, o progresso na prática de Yoga depende da qualidade da alimentação e do sono do praticante. O que se relaciona com horários regulados e medidas apropriadas.

Dessa forma, as três grandes dicas de alimentação são: estabelecer horários regulados para as refeições diárias, ter moderação na quantidade ingerida, não ficando nem além, nem aquém do necessário para a manutenção do corpo; e se atentar para a qualidade do alimento ingerido.

Dentre os alimentos considerados inapropriados para o praticante de Yoga o principal é a carne. Primeiramente porque fere o primeiro princípio do código de ética da Yoga que é Ahimsa, ou não violência. Alimentar-se do sangue e do sofrimento de outros animais leva a pessoa a um estado mental completamente incompatível com a prática de Yoga. Em segundo lugar, o consumo regular de carne, principalmente as carnes vermelhas, prejudica o bom funcionamento dos intestinos e ocasiona a deposição de diversas toxinas no organismo que, além dos distúrbios fisiológicos, causam o bloqueio de diversos canais energéticos, tornando a pessoa preguiçosa e enfadada para a prática de Yoga.

Recomenda-se uma dieta balanceada, livre de carnes, com reduzido consumo de açúcar, doces e refrigerantes e que combine, de forma comedida, a ingestão de frutas, legumes e leguminosas, cereais, verduras e laticínios. Optando-se sempre por alimentos frescos e orgânicos.

O consumo de bebidas alcoólicas, drogas farmacêuticas (salvo sob orientação médica), cigarro e entorpecentes também são considerados inadequados para o praticante de Yoga.

É importante deixar claro, contudo, que cabe ao praticante experimentar e observar os impactos dos diversos hábitos diários na sua prática de Yoga. As dicas brevemente apresentadas aqui têm o objetivo de oferecer alguma orientação ao praticante, porém é extremamente individual a forma como se dará o ajuste da conduta visando ao melhor aproveitamento da prática. O mais importante é estar perseverante na prática, procurando sempre aplicar a consciência em todos os atos praticados, inclusive naqueles que podem ser considerados desfavoráveis à prática de Yoga.


Bhagavad Gita





O Bhagavad Gita foi escrito perto de 3.000 (a.c). Nasceu da conversa sagrada entre Sri Krishna e o guerreiro Arjuna no campo de batalha de Kuruksetra (região do centro-norte da Ìndia). Gita significa canção e Bhagavad refere-se à forma original e pessoal de Deus. Bhagavad Gita dessa forma traduz-se por “Canção do Senhor”. É talvez a escritura mais antiga e a mais lida em toda a história da humanidade. Os ensinamentos nele contidos, se estudados sob o abrigo de um mestre espiritual genuíno, são capazes de orientar o praticante de Yoga em seu processo de auto realização e satisfação interior.


Conforme apresentação de Sua Divina graça Srila Shridhar Dev-Goswami Maharaj em seu texto de apresentação do Gita: “O Sri Gita é ativação para o preguiçoso, coragem para o covarde, esperança para o desesperado e vida nova para quem está morrendo. O Sri Gita unifica e sustenta todas as posições, seja do revolucionário, do ocultista, do otimista, do renunciante, do liberacionista ou do teísta pleno. As concepções essenciais de todos os tipos de filósofos são abordadas dentro de uma lógica clara e vigorosa – seja a do ateu dotado da mais grosseira visão, seja a do santo mais elevado. O trabalhador fruitivo, o erudito, o praticante de ioga e o devoto do Senhor, todos encontrarão aqui uma apresentação compreensível e iluminante da substância de suas respectivas filosofias, e é por isso que o livro é muito apreciado por todos.”

O contexto histórico em que se dá o diálogo entre Krishna e Arjuna no campo de batalha é retratado no Mahabharata, texto épico indiano que narra a luta dos 5 filhos do rei Pandu (entre eles Arjuna), conhecidos como os Pândavas, contra as atrocidades de Duryodhana, seu perverso primo, que, tomado por um ciúme incontrolável, almejara durante toda a sua vida tomar o reino de Pandu e colocar os Pândavas em completa ruína.

Todas as injustiças e humilhações impostas aos Pândavas pelos Kauravas (Duryodhana e seus irmãos), resultam em uma grande guerra mundial que envolve praticamente todas as forças bélicas existentes no planeta na época (cerca de 3.000 a.c).

Antes do início da grande batalha, no campo de Kurukshetra, onde reuniam-se para a guerra 64 milhões de pessoas, o célebre guerreiro Arjuna, líder de um dos exércitos, pede a Sri Krsna, para manobrar sua quadriga de forma que ele pudesse observar o exército oponente: “ Nesse momento, ó rei, Dhananjaya (Arjuna), montado em sua carruagem decorada com a bandeira de Hanuman, estava pronto para disparar suas armas. Ao ver Duryodhana e sua companhia posicionados para o combate, Arjuna tomou o seu arco e dirigiu-se a Krsna: ó Krsna! Por favor, situe a quadriga entre os exércitos, para que eu possa observar os guerreiros contra os quais deverei combater nesta batalha e que vieram lutar para a satisfação do perverso Duryodhana. (Sri Gita 1.20,21)
Quando se depara, no campo inimigo, com diversos parentes, amigos, mestres e bem-querentes, o invencível guerreiro cai prostrado no meio do campo de batalha, completamente tomado pela dúvida e por um profundo sentimento de lamentação. Queixa-se então a Krishna, enfatizando o despropósito daquela guerra, declarando por fim: “Govinda eu não lutarei” (Sri Gita 2.9). “Arjuna disse: ó Krsna! Vendo meus parentes diante de mim ansiosos pela guerra, esvai-se a força dos meus membros do meu corpo e sinto minha boca ressecar/ Meu corpo inteiro treme e arrepia-se. Não tenho mais firmeza para segurar meu arco Gandiva e mina pele queima./ Ó Kesava! Não posso me conter por mais tempo. Minha mente está desorientada, e vejo apenas sinais hostis carregados de mau agouro/ Sequer vejo algum bem em matar meus próprios parentes na batalha. Ò Krsna! Não desejo vitória,reino ou felicidade/ Ó Govinda! Qual o valor do nosso reino? Qual o propósito da felicidade e do desfrute, se aqueles para quem desejaríamos tudo isso – mestres, patriarcas, filhos, avós, tios maternos, sogros, netos, cunhados, e outros parentes – vieram hoje para a guerra, decididos a sacrificar suas próprias vidas e posses? Portanto, ó Madhusudana, não desejo matá-los mesmo que queiram tirar-me a vida.” (Sri Gita, 1.28-34)

De forma surpreendente, Krishna, seu quadrigário, amigo e conselheiro, o aconselha a abandonar a covardia e se levantar para a batalha: Ó filho de Kunti! Abandone essa covardia, pois ela é indigna de você. Ó grande herói, livre-se dessa fraqueza de coração e levante-se para a luta! (Sri Gita, 2.6). Dessa forma Krishna inicia sua ampla e elaborada resposta a Arjuna, revelando-se ao longo do diálogo como o Supremo Senhor, Mestre Espiritual de todo o universo.

No início de sua resposta, Krishna começa enfatizando a natureza da alma e mostrando o caráter transitório do mundo material e o caráter permanente do mundo espiritual, conforme se segue: O Senhor disse: Ó Arjuna, usando palavras sábias, você se lamenta pelo que não é digno de pesar. Pois aquele que é sábio não se lamenta pelos vivos, nem pelos mortos/ Nunca houve um tempo em que inexistíssemos, Eu, você, ou todos esses reis. Assim como existimos no presente, também já existimos no passado, e continuaremos a existir no futuro/ Tal como o ser vivo corporificado passa gradualmente neste corpo da infância à juventude e à velhice; do mesmo modo, a alma obtém ainda outro corpo ao advir a morte. Os sábios não se confundem com tal transformação/ Ó filho de Kunti! Somente a ocupação dos sentidos com seus objetos ocasiona as sensações de frio, calor, prazer e dor. Porém, esses efeitos são temporários – aparecem e desaparecem. Portanto, ó Bharata, você deverá tolerá-los.

Dessa forma, ao longo de sua exposição, Krishna sintetiza de forma brilhante toda a herança legada pela cultura védica ao longo de eras ancestrais, e estabelece, de forma definitiva, os princípios filosóficos de todas as formas de Yoga existentes.

Um dos pontos culminantes da narração acontece no capítulo 11 denominado Visva-rupa-darsana: A Visão da Forma Universal, quando Arjuna declarando a dissolução completa de sua ignorância em relação à natureza suprema de Krishna, manifesta o desejo ainda de ver, de fato, a Sua forma onipotente. “Ó senhor de todos os poderes místicos! Imploro que, por favor, exiba sua forma onipotente e imperecível, se Você entender que sou capaz de contemplá-la”. Krishna exibe então Sua forma universal para o atônito Arjuna que “com seu corpo tremendo em êxtase” dá início à impressionante descrição que se segue: “Arjuna disse: Ó Senhor dotado de uma forma magnífica! Em seu corpo, sou capaz de ver os semideuses, todas as espécies de vida, os sábios e as serpentes transcendentais, e ainda Mahadeva e o Senhor Brahma sentado sobre a flor de lótus. Ó Senhor do Universo! Ó forma universal! Em todas as direções vejo Seu corpo ilimitado de muitos braços, barrigas, olhos e faces – entretanto, não posso vislumbrar Seu começo, meio ou fim. Resplandecendo por todas parte com coroas, maças de combate, e armas em forma de disco, vejo sua imagem todo-iluminada e refulgente, irradiando como o sol e o fogo flamejante e, portanto, muito difícil de contemplar além de toda a imaginação. Você é a personificação da Verdade Absoluta Suprema, cognoscível por meio dos Vedas; Você é o reservatório exclusivo deste universo e o preservador imperecível da eterna religião mencionada nos Vedas. Você é certamente a eterna Personalidade Suprema, e essa é minha firme convicção. Sem começo, meio ou fim, ilimitadamente poderoso e possuidor de inúmeras armas, com olhos como o sol e a lua e a compleição como a do fogo incandescente, vejo Você cauterizando o universo com Sua intensa radiação. Nada além de você preenche todas as direções e todos os espaços entre o céu e a terra. Ó forma universal! Ao ver este seu perfil estarrecedor e aterrador, todos os residentes dos três mundos estão amedrontados. Todos os semideuses estão entrando em Você, alguns com temor, oferecendo-Lhe orações com as mãos em prece. Os grandes sábios e seres perfeitos estão lhe oferecendo orações selectas, repletas de adoração e dizendo: ‘Que toda auspiciosidade recaia sobre o universo’. Os semideuses conhecidos como Rudra, Aditya, Vasu, Sadhya, Visvadeva, os Gêmeos Asvini-Kumara, as deidades dos ancestrais, as raças Gandharva, Yaksa, Asura e Siddha contemplam Você; na verdade todos observam Você maravilhados. Você é a origem eterna de todos os semideuses e o único refúgio do universo. Você é o único conhecedor e cognoscível e a corporificação da transcendência. Ó ilimitado! Este universo é penetrado por Você.” (Sri Gita, 11.15-22,38)

Após isso, o inigualável quadrigário de Arjuna ainda dá importantes instruções sobre o conhecimento espiritual e revela o mais oculto de todos os tesouros que é o próprio afeto e estima que Ele tem por Arjuna. “Ouça mais uma vez o Meu ensinamento supremo e o mais oculto de todos os tesouros. Você Me é muito querido, e é realmente por isso que Eu revelo este Meu supremo ensinamento para seu verdadeiro benefício. Krishna deixa claro então que o verdadeiro conhecimento espiritual só pode ser obtido por meio do afeto e da devoção que a alma cultiva em relação a Deus e ao mestre espiritual, que é a única forma de despertar a boa vontade do Absoluto em favor de suas partículas infinitesimais .

No final do texto Krishna ainda instrui Arjuna a abandonar todas as formas de religião e se entregar tão somente a Ele: “abandonando todos os tipos de religião, entregue-se apenas a Mim. Eu o libertarei de todos os tipos de pecado. Portanto não se desespere”. (Sri Gita, 18.66).

Por fim o grande guerreiro Arjuna se apruma, recobrando suas forças e declara: “Ó infalível! Por Sua graça, minha ilusão foi dissipada. Posso agora recobrar minha identidade, todas as minhas dúvidas se foram e permaneço rendido a Você. Agora seguirei Sua ordem (Sri Gita, 18.73). Arjuna se levanta então para a batalha - que dura dezoito dias - na qual praticamente toda a força bélica existente no planeta é aniquilada. Os Pândavas, a quem Krishna se dispôs a proteger pessoalmente, foram um dos poucos sobreviventes dessa assombrosa guerra.

O sábio Sanjay, narrador do Gita, declara no último verso do texto: Onde quer que se encontrem o Senhor Supremo de todos os poderes místicos, o próprio Senhor Sri Krishna, e o arqueiro conquistador de opulências, o próprio Arjuna, ali mesmo prevalecerá a deusa da boa fortuna, a deusa da vitória e a virtude suprema. Decerto esta é minha firme conclusão. (Sri Gita, 18.78)



O Gita então é matéria indispensável de estudo para todo praticante de Yoga e para todo aquele que se dedica ao auto-conhecimento e à auto-realização.

Textos Clássicos

Yoga Sutra de Patanjali

O Yoga Sutra foi escrito por volta do ano 360 d.c pelo sábio Patanjali que codificou
o sistema védico de Yoga, reunindo-o em uma escritura bastante técnica. Alguns estudiosos consideram o Yoga Sutra como um verdadeiro tratado de psicologia. A obra constitui-se de 195 versos organizados em quatro capítulos: Samadhipada, que trata da definição de Yoga e dos estados mentais característicos em Yoga e em não-Yoga; Sadhanapada, que trata da prática de Yoga, Vibhutipada que trata dos benefícios e dos riscos advindos da prática de Yoga e Kaivalyapada, que trata do processo de emancipação final alcançado através da Yoga.

Na primeira parte, o Yoga Sutra começa definindo Yoga: Yoga é a habilidade de voltar a mente exclusivamente em direção a um objeto e sustentar essa direção sem quaisquer distrações (Yoga Sutra 1.3). Dessa forma, enquanto a mente se mantém nesse estado de Yoga, a pessoa tem condição de ter uma percepção direta e verdadeira do objeto de sua meditação. Fora do estado de Yoga a habilidade de compreender o objeto é simplesmente substituída pela concepção mental desse objeto ou por uma total falta de compreensão. (Yoga Sutra 1.4)

Os cinco vrttis, ou atividades mentais que devem ser controladas para que o praticante se mantenha em Yoga são: compreensão correta, compreensão errônea, imaginação, sono profundo e memória. (Yoga Sutra 1.6). De acordo com o comentário dado pelo professor Desikachar , o predomínio e os efeitos de cada uma delas sobre o nosso comportamento e atitudes combinam-se para formar nossa personalidade.

O estado de Yoga, de acordo com o Yoga Sutra, só pode ser conseguido por meio da prática constante e do desapego. Essa prática deve ser seguida por um longo tempo, sem interrupções e com as qualidades de uma atitude positiva e entusiasmo, para que se obtenha o sucesso desejado (Yoga Sutra 1.12-14). Além disso, o Yoga Sutra destaca que o estado de Yoga também pode ser alcançado oferecendo orações regularmente a Deus com um sentimento de submissão ao seu poder (1.23). Deus é definido na escritura como o Ser Supremo cujas ações nunca se baseiam em compreensão errônea, que conhece tudo que há para ser conhecido, que é eterno, o professor definitivo, sendo a fonte de orientação para todos os professores (Yoga Sutra 1.24-27).

Dessa forma, com fé, prática constante, desapego e orações a Deus, a pessoa pode evitar os Klesas, ou obstáculos que surgem naturalmente ao longo da prática de Yoga. São eles: doença, estagnação mental, dúvida, falta de prudência, fadiga, excesso de complacência, ilusões sobre o seu próprio estado mental, falta de perseverança e retrocesso. Todos esses obstáculos acabam por causar alguns dos seguintes sintomas: desconforto mental, pensamento negativo, incapacidade de sentir-se confortável em diferentes posturas do corpo e dificuldade de controlar a própria respiração (Yoga Sutra, 1.30,31).

Na segunda parte da obra, o Yoga Sutra apresenta o Ashtanga Yoga, ou os oito componentes que perpassam o desenvolvimento da prática de Yoga (2.29):

1. Yama – atitudes para com o meio ambiente
2. Nyama – atitudes para conosco
3. Asanas – prática dos exercícios físicos
4. Pranayama – prática de exercícios respiratórios
5. Pratyahara – prática do controle dos sentidos: “Quando o praticante de ioga não está mais viciado nos desfrutáveis objetos dos sentidos do som, textura, forma sabor e odor; quando não está mais apegado a nenhuma ação buscando desfrutá-las, e tendo atingido a mais completa renúncia de todos os planos de tal ação, apenas então poderá ser aclamado como sendo aquele que verdadeiramente atingiu a ioga”. (Sri Gita, 6.4)
6. Dharana – prática da concentração mental: “Pela mente controlada por Dharana, deve-se completamente estabelecer a mente na alma. Então, pela prática gradual, removendo a mente dos objetos externos, deve-se atuar no transe do Samadhi e não pensar, nem por um segundo, em nada além da alma.” (Sri Gita, 6.27)
7. Dhyana – prática de meditação: “Ó heróico Arjuna! Sem dúvida a mente é intável e extremamente difícil de controlar. Entretanto, ó filho de Kunti, a mesma é subjugada pela prática contínua da meditação iogue na Superalma, como ensinada pelo mestre espiritual fidedigno, e pelo abandono do desfrute mundano dos sentido.” (Sri Gita, 6.37)
8. Samadhi – cultivo do estado de Yoga de completa união com a natureza do Ser Individual (atma) e o Ser Supremo (paramatma): “O estado de perfeito Samadhi, ou transe, é aquele em que a mente disciplinada do iogue obtém o desapego – até mesmo do mais leve pensamento de conotação mundana. O iogue permanece satisfeito apenas no Senhor. Tendo vivenciado a Superalma diretamente por meio de seu coração purificado, experimenta aquela felicidade eterna, perceptível pela divina inteligência da alma e destituída do contato com os sentidos e com os objetos dos sentidos – e nunca se desvia da natureza intrínseca da alma. (Sri Gita, 6.20-22)

Os Yamas e os Nyamas são considerados a base que sustenta a prática de Yoga. O Yoga Sutra estabelece cinco Yamas e cinco Nyamas, a saber:

Os cinco Yamas:
1. Ahimsa: não violência, consideração por todos os seres vivos, especialmente os que são inocentes, os que estão em dificuldade ou em situação pior do que a nossa .
2. Satya: veracidade, honestidade, boa conduta.
3. Asteya: ausência de cobiça por algo que não lhe pertence.
4. Brahmacharya: castidade ou auto-controle.
5. Aparigraha: ausência de apego por posses e prestígio.

Os cinco Nyamas:

1. Saucha: limpeza, pureza, asseio.
2. Santosha: contentamento.
3. Tapas: austeridade, prática constante.
4. Svadhyaya: prática constante de auto investigação e estudo de textos sagrados.
5. Ísvara-pranidhana: prestar reverências ao Supremo Senhor.

A prática atenciosa dos três últimos Nyamas constitui-se no processo conhecido como Kriya Yoga, e por si só leva o praticante a observar os demais Yamas e Nyamas e atingir os mais elevados estágios da prática de Yoga.